Os preços dos combustíveis devem voltar a subir na próxima semana, dando continuidade à sequência de reajustes fortes registrada no começo desta semana, quando o diesel simples avançou 23 centavos por litro e a gasolina simples ficou 7 centavos mais cara.
As projeções do setor indicam que, na próxima semana (16 de março), deve haver um aumento de 10 centavos por litro tanto no preço do diesel simples como da gasolina simples.
Preços dos combustíveis em Portugal: projeção para 16 de março
Se esses valores se confirmarem, o preço médio do diesel simples deverá atingir os 1,937 €/l. Já a gasolina simples deverá subir para cerca de 1,88 €/l. Com isso, será a segunda semana seguida em que o diesel simples fica acima do preço da gasolina simples.
Como é calculado o preço médio divulgado
A estimativa do preço dos combustíveis é feita com base nos números publicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) - neste caso, os referentes à última quinta-feira, 12 de março. Os valores que a DGEG divulga já consideram os descontos aplicados pelas distribuidoras, além das medidas do Governo que estão em vigor.
Ainda assim, vale lembrar que esses não são, necessariamente, os preços que você verá nas bombas. Eles funcionam apenas como uma média indicativa. Os revendedores continuam livres para definir seus preços conforme a própria estratégia comercial.
As medidas do governo em vigor
Nesta semana, o Governo admitiu que os descontos no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) podem ser reforçados. No começo da semana, foi aplicado um desconto extraordinário de 3,55 centavos por litro no ISP, mas apenas no diesel, que teve uma alta semanal histórica. Foi o único combustível a subir mais de 10 centavos por litro, condição apontada pelo Governo para acionar esse desconto extraordinário.
De acordo com declarações feitas nesta semana pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, "o mecanismo funciona de forma cumulativa relativamente ao preço de referência registado a 6 de março".
Na prática, isso significa que, mesmo que a alta prevista para a próxima semana ficasse abaixo de 10 centavos por litro, a diferença em relação ao patamar de 6 de março, por estar acima desse nível, faz com que o "desconto fiscal" seja aplicado. Assim, é esperado um reforço do "desconto fiscal" no diesel e sua extensão à gasolina. O anúncio do valor desse desconto deverá ser feito ainda hoje pelo Governo.
Portugal mantém desde 2022 um desconto fiscal no ISP, criado para reduzir o impacto das altas de combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Esse mecanismo diminuiu parcialmente o imposto cobrado sobre gasolina e diesel e vem sendo ajustado de forma progressiva, acompanhando a movimentação dos preços.
Sobre a posição da Comissão Europeia em relação a esse desconto extraordinário, o ministro disse que o Governo já deu "conhecimento à Comissão" e entende que não deve haver qualquer "objeção" a essa medida extraordinária e temporária.
O que está em causa?
A alta dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente associada ao aumento das tensões no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo do Golfo Pérsico. Aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo bruto passa por esse corredor.
O reflexo foi imediato nos mercados: o preço do Brent, referência para a Europa, saiu de cerca de 72 dólares por barril antes da ofensiva e, na data de publicação deste artigo, estava em 100 dólares, marca que já foi superada várias vezes ao longo desta semana.
O conflito começou há duas semanas, quando Israel e os EUA realizaram ataques contra o Irã, afirmando estar neutralizando ameaças iminentes. Em retaliação, Teerã atingiu bases norte-americanas e alvos israelenses na região com mísseis e drones, ampliando a instabilidade local.
Até agora, não há qualquer sinal de cessar-fogo. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a ofensiva seguirá "o tempo que for necessário", indicando um confronto que pode se estender por várias semanas.
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