Os números financeiros da Tesla no terceiro trimestre de 2025 não corresponderam às expectativas, mesmo com vendas e receita acima do projetado. O avanço no topo da linha, porém, não se converteu em mais rentabilidade.
Entregas recordes da Tesla e receitas acima do consenso
Entre julho e setembro, a Tesla entregou 497 099 unidades e produziu 447 450 unidades - um recorde e bem acima do que analistas estimavam. Grande parte desse impulso veio do encerramento, em setembro, dos créditos federais dos EUA para veículos elétricos (7500 dólares), o que levou muitos consumidores a anteciparem a compra.
A receita total avançou para 28,09 mil milhões de dólares (cerca de 24,4 mil milhões de euros), somando os negócios de automóveis, energia e serviços. O resultado também superou as previsões do mercado e representa um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Lucros seguem em queda
Apesar do desempenho forte em entregas, o lucro da Tesla voltou a recuar no terceiro trimestre, agora 37%, para 1,39 mil milhões de dólares (aprox. 1,2 mil milhões de euros) frente ao mesmo intervalo do ano passado. O lucro ajustado por ação ficou em 0,43 euros, abaixo dos 0,48 euros esperados.
Margens e custos pressionam o resultado
A margem bruta caiu para 18%, ante 19,8% no ano anterior. Já a margem operacional mostrou melhora ao longo de 2025: partiu de 2,1% no primeiro trimestre, avançou para 4,1% no segundo e alcançou 5,8% agora. Ainda assim, permanece bem distante dos 10,8% registrados no período equivalente.
A sequência de quedas no lucro é explicada principalmente pelo aumento relevante de custos - mais 50% em comparação com o terceiro trimestre de 2024 -, incluindo os gastos maiores com investimentos em Inteligência Artificial e a elevação dos custos fixos por veículo. A redução das receitas com créditos regulatórios também já pesa no balanço.
Perspectivas até o fim do ano
Em 2025, a Tesla enfrenta um dos seus anos mais difíceis, e o último trimestre tende a ser o mais exigente. As projeções de vendas são negativas, especialmente nos EUA, após o fim dos incentivos para a compra de elétricos.
Analistas estimam que a Tesla encerre 2025 com 1,6 milhões de veículos entregues no mundo, abaixo dos quase 1,8 milhões entregues em 2024. Para incentivar a demanda, a Tesla passou a oferecer versões mais acessíveis do Model Y e do Model 3, reduzindo o preço de entrada em 5000 euros.
Diante do cenário macroeconômico atual - tarifas, guerra de preços e concorrência em alta -, a fala de Elon Musk no trimestre anterior soa como um alerta: “Poderemos ter alguns trimestres difíceis”.
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