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AUKUS lança o projeto do Pilar II de drones submarinos não tripulados, com entregas a partir de 2027

Veículo submarino autônomo metálico em operação no fundo do mar com barco e luz solar ao fundo.

O AUKUS deu um passo bem concreto para tirar do papel o Pilar II: os três países anunciaram o lançamento do seu primeiro projeto emblemático, focado no desenvolvimento de drones submarinos não tripulados, com entregas previstas a partir de 2027. A iniciativa, conduzida por Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, mira ampliar as capacidades conjuntas de vigilância, reconhecimento, ataque e proteção de infraestruturas submarinas críticas no ambiente marítimo.

A novidade foi apresentada durante o Diálogo Shangri-La, realizado em Singapura, quando os ministros da Defesa (no caso norte-americano, o Secretário de Guerra) dos três países voltaram a destacar a necessidade de acelerar o desenvolvimento de capacidades avançadas dentro do Pilar II do acordo AUKUS. Conforme a declaração conjunta, o projeto prevê a criação de cargas úteis avançadas e sistemas habilitadores para Veículos Submarinos Não Tripulados (UUV, na sigla em inglês), com a meta de expandir o alcance operacional das três nações em cenários marítimos complexos.

Segundo o comunicado oficial, os novos sistemas devem aprimorar a proteção de infraestruturas submarinas estratégicas, viabilizar capacidades avançadas de vigilância, reconhecimento e ataque, além de conduzir operações logísticas. A expectativa é que também reforcem a vantagem em guerra antissubmarino, guerra de superfície, contramedidas contra minas, guerra eletrônica e manobras em áreas litorâneas disputadas.

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que “o projeto emblemático fornecerá um conjunto de cargas úteis altamente adaptáveis e multimissão para UUV, projetadas para apoiar operações submarinas e manter nossa vantagem coletiva no domínio marítimo”. Já o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, disse que “isso fornecerá rapidamente às nossas forças as tecnologias de combate mais avançadas enquanto produzimos conjuntamente uma gama de sensores e sistemas de armas de última geração para drones submarinos”.

Healey acrescentou que os veículos submarinos não tripulados vão melhorar a capacidade de resposta dos três países diante de ameaças direcionadas a infraestruturas críticas, como cabos e gasodutos submarinos. O representante britânico também reconheceu a necessidade de acelerar a execução dos projetos previstos dentro da aliança ao afirmar que “por tempo demais no AUKUS falamos muito e entregamos pouco”.

A cooperação em drones submarinos se apoia em iniciativas já existentes entre os três parceiros. Entre elas está o exercício Autonomous Warrior, realizado no âmbito da chamada Maritime Big Play Initiative do Pilar II. Além disso, EUA e Austrália já trabalham juntos em capacidades relacionadas a veículos submarinos autônomos por meio de programas como o Ghost Shark, baseado no desenvolvimento do sistema Dive XL da empresa Anduril, enquanto o Reino Unido avança em paralelo com o Projeto Cetus e o veículo Excalibur UUV.

O anúncio veio acompanhado de uma atualização sobre os avanços do Pilar I do AUKUS, voltado ao desenvolvimento, para a Austrália, de uma capacidade de submarinos de propulsão nuclear com armamento convencional. Os três governos confirmaram que os principais marcos do programa continuam sendo cumpridos, incluindo a criação, em 2027, da Força Rotacional de Submarinos-Oeste (SRF-West), planejada para apoiar o desdobramento e a manutenção de submarinos na Austrália Ocidental. Também foi informado que Canberra prevê investimentos de bilhões em infraestrutura naval e logística para sustentar a futura operação desses meios.

A evolução dos dois pilares se encaixa no objetivo estratégico do AUKUS, criado em 2021 por Austrália, EUA e Reino Unido para impulsionar o desenvolvimento conjunto de capacidades militares avançadas. Como antecedente recente, a Austrália anunciou em fevereiro de 2026 a aquisição, junto ao Reino Unido, de componentes críticos de propulsão nuclear no valor de 310 milhões de dólares australianos para os futuros submarinos SSN-AUKUS, cujos reatores serão baseados em tecnologia britânica com apoio tecnológico e industrial norte-americano.

*Imagens a modo ilustrativo.

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