A Ferrari sempre foi lembrada pelos motores a combustão fortes - e também “sedentos” -, com destaque para os seus lendários V12. Ainda assim, a marca dá sinais claros de que quer acompanhar a virada da indústria automotiva rumo à eletrificação, como indicam as declarações do seu presidente e atual diretor executivo, John Elkann.
Depois de anunciar lucros de 386 milhões de euros no segundo trimestre de 2021, Elkann foi perguntado sobre como a Ferrari enxerga a proposta da Comissão Europeia de encerrar a venda de veículos novos com motor a combustão em 2035.
Ferrari, eletrificação e o fim do motor a combustão em 2035
O questionamento não surpreende, mas a reação do executivo chamou atenção: ele respondeu rapidamente que, para a Ferrari, a nova regulamentação é… bem-vinda! Segundo John Elkann, “As oportunidades criadas pela eletrificação, digitalização e outras tecnologias permitirão fazer produtos ainda mais distintos e exclusivos”.
Com o primeiro Ferrari 100% elétrico previsto para 2025, não é a primeira vez que a empresa trata a eletrificação com otimismo internamente. Há alguns meses, em uma reunião com acionistas, Elkann destacou que a eletrificação - naquele caso, por meio de híbridos plug-in - seria uma “grande oportunidade de levar a exclusividade e a paixão da Ferrari para as novas gerações”.
Tudo para o futuro
Essa postura diante de uma possível (e provável) proibição, a partir de 2035, da comercialização de automóveis novos com motor de combustão interna na União Europeia ajuda, em parte, a explicar a escolha de Benedetto Vigna como novo diretor executivo da Ferrari. Ele assume o cargo no próximo dia 1º de setembro e chega sem vivência no setor automotivo, mas com longa trajetória no universo da eletrônica e da tecnologia.
Quem é Benedetto Vigna
Vigna liderava a maior divisão da STMicroelectronics e, de acordo com Elkann, “o seu profundo conhecimento das tecnologias que impulsionam muitas das mudanças na indústria automóvel e a sua comprovada inovação, capacidade de criar negócios e habilidades de liderança irão fortalecer ainda mais a Ferrari (…) na empolgante era que se avizinha”.
A empresa da qual Benedetto Vigna era presidente criou, por exemplo, um acelerômetro miniaturizado para a Nintendo Wii (2006). Também desenvolveu um giroscópio miniaturizado de três eixos que estreou no iPhone 4, da Apple, em 2010. E, talvez mais importante, a STMicroelectronics tem a Tesla entre os seus clientes.
Mesmo com a especialização mais associada a semicondutores e chips - com patentes registradas em seu nome já na casa das centenas -, esse domínio pode ser decisivo para que a Ferrari atravesse com segurança as águas turbulentas da transformação que o setor automotivo enfrenta.
Parcerias para a era elétrica e digital
Entre as principais missões de Vigna pode estar a criação de parcerias entre a Ferrari e companhias de tecnologia, com o objetivo de apoiar a transição da marca italiana para a “era elétrica” e também para um novo patamar de digitalização. A meta é fazer com que a Ferrari, reconhecida como grife de luxo, também se posicione como referência em tecnologia automotiva.
Sobre esse tipo de colaboração, John Elkann afirmou: “Acreditamos que dentro da indústria automóvel e, mais importante, fora da nossa indústria, vamos beneficiar muito com parcerias e programas conjuntos”.
Fonte: Reuters.
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