Pular para o conteúdo

Colônia subterrânea com milhões de abelhas nativas em Nova York surpreende cientistas

Jovem ajoelhado em cemitério plantando flores ao lado de livro aberto com desenhos botânicos.

A conservação de polinizadores ganhou um desdobramento inesperado depois que pesquisadores identificaram uma colônia subterrânea gigantesca, com milhões de abelhas nativas. A descoberta, feita em Nova York, reforça que a preservação ambiental precisa ir muito além das tradicionais caixas usadas em colmeias comerciais.

Como essa grande colônia subterrânea foi descoberta?

Durante caminhadas rotineiras por um cemitério tranquilo da região, uma funcionária de um laboratório de entomologia percebeu insetos zumbindo entre a grama. Ao recolher alguns indivíduos em um pote, ela levou aos pesquisadores a primeira evidência de uma enorme população vivendo ali.

Com a suspeita confirmada, a equipe delimitou o local e recorreu a armadilhas de malha para contabilizar quantos espécimes emergiam do solo arenoso. A leitura numérica dessa investigação minuciosa apontou um conjunto de características ecológicas marcantes desses polinizadores nativos indispensáveis:

  • Espécie identificada: a abelha mineradora Andrena regularis, de hábito solitário.
  • População estimada: os cálculos indicaram uma média de 5,56 milhões de indivíduos na área.
  • Extensão territorial: a agregação ocupa cerca de 1,6 acre (aproximadamente 0,65 hectare).
  • Período de monitoramento: as coletas e medições ocorreram entre março e maio de 2023.
  • Equivalência biológica: essa densidade corresponde a mais de cem colmeias de abelhas melíferas reunidas.

Qual é a importância ecológica dessas abelhas mineradoras?

Esses insetos nativos têm uma função decisiva para a sustentação do ecossistema agrícola local. Na prática, eles contribuem diretamente para a produção ao polinizar culturas comerciais importantes, como maçãs, cerejas, morangos, mirtilos e também oxicocos.

Em visitas florais individuais, a eficiência dessa espécie pode superar a de polinizadores manejados mais tradicionais. Além disso, a proximidade do sítio de nidificação com pomares universitários da região ajuda a entender o alto sucesso reprodutivo e a elevada densidade dessa ampla comunidade.

Como funciona a dinâmica de sobrevivência no subsolo?

A vida subterrânea depende do trabalho das fêmeas solitárias, que fazem a construção de câmaras individuais protegidas. Em seguida, elas abastecem cada espaço com néctar e pólen coletados, garantindo o pleno desenvolvimento das larvas, como descrito abaixo.

  • Sincronia temporal
  • O fator temperatura
    • A emergência dos insetos acontece de maneira sincronizada quando chegam os dias mais quentes - em especial quando os termômetros alcançam algo em torno de 20 °C na primavera.
    • Os machos deixam o solo antes e aguardam as fêmeas, aumentando a chance de acasalamento e favorecendo a continuidade saudável da espécie.

Mesmo com essa aparente estabilidade, há ameaças naturais que colocam a segurança do grupo à prova. Insetos parasitas tentam acessar os ninhos subterrâneos para se apropriar dos recursos de alimento armazenados, criando riscos que interferem no equilíbrio reprodutivo dessas abelhas:

  • A abelha-cuco Nomada imbricata atua como parasita de ninhada no local.
  • As larvas invasoras consomem o alimento reservado para a prole do hospedeiro.
  • Moscas e besouros também aparecem, porém com taxas menores de parasitismo na colônia.

Por que a demografia indica uma população saudável?

Ao avaliar a proporção entre os sexos, os cientistas obtiveram pistas relevantes sobre as condições ambientais do entorno. Embora o número de machos que emergiu tenha sido maior, o investimento energético total da colônia se concentrou principalmente na produção de fêmeas.

Esse padrão sugere que, na temporada anterior, a colônia contou com fartura de recursos. Em geral, populações sob forte estresse nutricional tendem a priorizar machos - por exigirem menos energia -, diferentemente dos sinais positivos registrados ali:

  • Índice geral de parasitismo baixo, mantido em torno de apenas 1,4 por cento.
  • Estabilidade populacional consistente, indicando capacidade de enfrentar pressões naturais.
  • Boa oferta de pólen e néctar nas proximidades dos ninhos subterrâneos.

Como os cemitérios ajudam a proteger esses polinizadores?

Cemitérios podem funcionar como refúgios ecológicos inesperados dentro do cenário urbano. A ausência de revolvimento frequente do solo, o uso reduzido de pesticidas e a tranquilidade constante acabam formando um ambiente seguro para que essas abelhas se desenvolvam.

Os cientistas alertam que a pavimentação de áreas verdes remanescentes pode eliminar, de imediato, milhões de espécimes nativos. Diminuir o uso de venenos químicos e preservar trechos de solo exposto são medidas essenciais para proteger o futuro da biodiversidade ligada à alimentação.

Referências: “Dinâmica de emergência e associações hospedeiro-parasita em uma grande agregação de Andrena regularis (Hymenoptera: Apoidea: Andrenidae)” | Apidologie | Springer Nature (link)

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário