Fiat está prestes a trazer de volta um dos nomes mais marcantes da sua história - só que, desta vez, com uma proposta bem diferente do “carro tradicional”. A Multiplina nasce como um microcarro elétrico pensado para a cidade, mirando um espaço que hoje ainda parece meio vazio no mercado.
A ideia foi apresentada durante um evento realizado no Vaticano, quando a marca italiana revelou o conceito Multiplina. Com chegada às ruas prevista para 2028, essa microcitadina elétrica bebe direto da silhueta cúbica da Fiat 600 Multipla de 1956, mas reinterpretada para a mobilidade atual.
O objetivo, nas palavras do CEO da marca, Olivier François, é virar o elo que faltava entre o minúsculo quadriciclo e o carro urbano “de verdade”. E, ao contrário da Topolino ou da prima Citroën Ami - limitadas a dois lugares -, este novo modelo adota uma arquitetura otimizada para levar quatro pessoas, tudo em um comprimento de menos de 3 metros.
Da mesma forma, o veículo entra na categoria dos quadriciclos pesados (L7). Na prática, isso permite embarcar uma bateria mais generosa para ampliar a autonomia e, principalmente, alcançar velocidade máxima de 88 km/h, contra apenas 45 km/h dos modelos atuais.
Le grand boom des micro citadines en Europe
Essa ofensiva faz parte de uma mudança profunda na mobilidade urbana na Europa. Entre a eletrificação obrigatória, a redução de vagas de estacionamento e a disparada nos custos dos carros tradicionais, as montadoras vêm apostando forte em formatos mais leves e acessíveis. Os números reforçam a tendência: em 2025, mais de 120 milhões de veículos de micromobilidade foram vendidos no mundo, superando com folga o mercado automotivo clássico, segundo Olivier François.
Nesse cenário, os quadriciclos elétricos são os que mais crescem no Velho Continente. Mas, para conquistar além dos centros urbanos, o mercado precisa agora oferecer opções mais versáteis. É o caso da recente Hyundai Inster, uma pequena elétrica com preço mais acessível, ou ainda da Renault Twingo E-Tech elétrica.
La botte secrète de Fiat face à la Chine
Ao investir pesado nesse segmento, a Fiat quer se tornar a referência absoluta em micromobilidade dentro do grupo Stellantis. O desafio é grande, especialmente diante da ofensiva de marcas chinesas que tentam ganhar espaço na Europa com elétricos de preço muito agressivo.
Para responder, o chefe da Fiat aposta em um diferencial difícil de copiar: o legado histórico. Ao ressuscitar nomes cultos com um design neo-retrô marcante, a marca italiana ativa uma identidade e um capital de simpatia que os novos rivais ainda não têm.
Dentro dessa estratégia, a marca também prepara a chegada na Europa, até 2027, do Fiat TRIS, um pequeno utilitário elétrico de três rodas fabricado no Marrocos. Pensado para substituir o lendário (e agora aposentado) Piaggio Ape, ele deve oferecer até 540 kg de carga útil para atender entregas de última milha nas ruas mais estreitas.
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