O truque é simples: pegue a receita alemã de sempre - hatch familiar com bom aproveitamento de espaço, acabamento sólido e aquela desvalorização mais comportada que costuma vir junto de um nome forte - e entregue um carro de quatro/cinco lugares que dá conta do recado para gente e bagagem, com visual atual sem perder a classe. Nessa fórmula, o VW Polo encaixa como luva. É, sem exagero, um carrão.
Aí vem a pergunta que não quer calar: por que alguém pagaria o dobro por algo com menos espaço, pior de dirigir e que não parece mais bem montado? Em algum momento a Mercedes vai precisar responder. O A160 aqui, veja só, custa £16.990 - cerca do dobro do preço de um supermini básico e £3.000 a mais do que o Polo mais “chique” de todos.
E o que você leva por esse extra? A lendária qualidade de construção da Mercedes, pra começar. Quer dizer… esquece. No primeiro dia com este carro (um exemplar de um ano, com 15.000 milhas), os “espertos” limpadores de para-brisa tipo “palmas” embaralharam de vez e tivemos que correr para a concessionária mais próxima; e o retrovisor interno ficou bambo, quase soltando.
Tem também a desvalorização. Claro que Mercedes, tradicionalmente, segura valor - mas isso aqui não é uma Mercedes tradicional. Segundo especialistas em depreciação e custos de uso, a Emmox, um A140 1.4 vai te custar 28,1p por milha para rodar ao longo de três anos, enquanto um Polo 1.4CL sai por apenas 22,6p.
Dá pra dizer que você está pagando pelo estilo ou pela posição de dirigir mais alta e “dominante”. Ok: ele é mesmo esquisitão, principalmente na traseira. Só que, como consequência, a visibilidade é péssima, e quem vai atrás - especialmente crianças - acaba encarando um trecho cego da coluna em vez de uma janela. E por causa do capô inclinado, o motorista também não consegue posicionar o carro com facilidade na hora de estacionar. A postura mais elevada ajuda no trânsito, mas no começo dá a sensação de estar dirigindo um carro normal sentado no teto - e o conjunto parece instável.
O que puxa o assunto para o calcanhar de Aquiles da Classe A: o estigma inevitável do “teste do alce”. Mesmo com ABS, BAS, ASR e ESP (sistemas de frenagem e controle de tração), para quem não se impressiona com siglas ainda fica aquela sensação de que o carro está prestes a tombar. É totalmente infundado, mas incomoda.
O desenho é ousado e todo mundo vive repetindo como a embalagem é inteligente, só que por dentro ele não é tão espaçoso assim - e o porta-malas é minúsculo. Na frente, os ocupantes ficam perto demais um do outro (talvez por causa das portas grossas); os comandos dos vidros, no assoalho, são ruins de alcançar; o rádio é difícil de ajustar com segurança em movimento; a posição de dirigir é péssima; e os porta-copos dianteiros ficam quase atrás dos bancos. Isso não é design inteligente, é design que deu errado.
Se você quer um hatch alemão, compre um Polo. Se você quer um design maluco, compre um espremedor de limão do Phillipe Starck e economize £16.951
Chris Maillard
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário