O que é?
Quando um Toyota Yaris deixa de ser um Toyota Yaris? Ao que parece, quando vira um Mazda 2 Hybrid. É um caso claríssimo de “engenharia de emblemas”, com só algumas diferenças pontuais para criar alguma distinção.
A primeira aparece no visual: grade um pouco menor, faróis mais retos e um acabamento dos nichos dos faróis de neblina menos marcado. É… e basicamente para por aí. Dissemos “algumas” diferenças - e era isso mesmo.
Calma: por que o 2 Hybrid é tão diferente do 2 normal?
Porque, na prática, é outro carro. Só que, em vez de inventar um nome novo, a Mazda simplesmente reaproveitou o nome do seu hatch compacto. Dá um nó na cabeça, a gente sabe.
“Claro que queríamos mudar o carro completamente, mas não pudemos”, explicou Jo Stenuit, diretor de design da Mazda Europa. “Chegamos a ter algumas outras ideias interessantes, que não passaram pelas contas de custo.
“Foi, sem dúvida, um desafio curioso, porque precisávamos manter todas as partes técnicas e ainda assim criar algo que parecesse um Mazda.”
Entendi. E o conjunto mecânico, como é?
Esse é um ponto fraco importante do Mazda 2 convencional, então faz sentido a Mazda ter “pegado carona” no híbrido 1,5 litro de três cilindros do Yaris. Um motor elétrico de 59 kW trabalha em segundo plano, alimentado por uma bateria de 0,7 kWh, para entregar 114 bhp e fazer de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. Na prática, parece até mais rápido do que isso.
O consumo é um dos destaques e tende a devolver alguns reais ao seu bolso com o tempo: a Mazda declara 72 mpg (algo em torno de 3,9 L/100 km). Já vimos esse número “mágico” no Yaris antes e, num trajeto de teste de 65 milhas (cerca de 105 km), não houve nada que sugerisse que você não consiga repetir o feito neste 2 Hybrid “pós-cirurgia”.
Ele é bom de dirigir?
Sim - desde que a sua rotina seja mais urbana e de arredores. A direção é leve, e a combinação de baixo peso (1.160 kg, para quem gosta de ficha técnica) com boa aderência deixa o carro esperto e ágil. A suspensão também lida bem com buracos e imperfeições, embora a rodagem seja um pouco firme.
Na estrada, a conversa muda. Qualquer aceleração mais forte - na verdade, quase qualquer toque no acelerador - joga as rotações lá em cima, e o motor fica tão barulhento quanto uma balada em Londres na virada do Ano-Novo.
E tem mais: a falta de apoio lombar. Dizem que as versões mais caras do 2 Hybrid vêm com isso, mas depois de alguns minutos você começa a desconfiar se a Mazda não prendeu o “apoio” no assoalho do porta-malas ou algo assim. Para completar, os plásticos duros na porta podem deixar seu braço dormente - se for ali que você costuma apoiar enquanto dirige.
Vou comprar cotoveleiras. E o restante do interior, como fica?
Em uma palavra: agradável. Tirando essas pequenas críticas, o 2 Hybrid é bem equipado e oferece bom espaço. Você tem painel de instrumentos digital, uma central multimídia de 9 ou 10 polegadas que é fácil de usar e ajustar, e até carregador por indução para o celular.
O bom aproveitamento de espaço também garante lugar de sobra para os passageiros e deve atender bem uma família pequena. Com os bancos dianteiros recuados, ainda há espaço suficiente atrás para adultos de estatura média… só não espere conforto para o tipo “jogador de basquete” de 6 pés e meio (aprox. 1,98 m).
Porta-objetos e nichos também aparecem em boa quantidade - prontos para virarem depósitos eternos de embalagens vazias de salgadinho. Ainda assim, não faria mal se o porta-luvas e os porta-objetos das portas fossem um pouco maiores.
E se eu quiser exagerar nos opcionais?
Dá para incluir head-up display e revestimento com costura em padrão “diamante” nas versões premium, se você realmente fizer questão. O teto panorâmico também pode ser uma boa, já que a iluminação dos comandos é fraca em ambientes com pouca luz - o que, no Reino Unido, é o que acontece 87% do tempo.
O porta-malas tem 286 litros: é um bom número, mas fica atrás de rivais como Honda Jazz e Peugeot 208. Ainda que, justiça seja feita, por apenas “algumas bolas de basquete” de diferença.
Qual é o veredito?
O 2 Hybrid até traz um motor melhor do que o Mazda 2 comum, mas não deixe o truque do nome fazer você achar que isso é outra coisa além de uma admissão de derrota por parte da Mazda. A marca japonesa faz literalmente todo tipo de motorização - combustão, híbrido, PHEV, elétrico… chegou até a ressuscitar o conceito de range extender, ao reviver o motor rotativo no MX-30 - e, ainda assim, precisa copiar e colar da cartilha da Toyota? Dói.
E tem o preço: o Mazda 2 Hybrid parte de £23,955 na versão de entrada “Centre-Line”, cerca de £1,300 a mais do que o Yaris equivalente “Icon”. Já o topo de linha “Homura Plus” leva isso a £29,020, ainda um pouco acima de um Yaris “Premiere Edition” completo.
No fim, o que você ganha por esse dinheiro extra, além de um toque mais suave no design com o emblema da Mazda? Quase nada. Se a sua prioridade é um carro urbano extremamente econômico, escolha o Yaris e encerre o assunto.
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