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Chery, Farizon e Foton aceleram ofensiva em veículos comerciais leves na Europa

Van elétrica branca estacionada em showroom moderno com iluminação focada no teto.

Depois de ampliarem de forma consistente a presença no mercado europeu de carros de passeio - chegando a 9,4% de participação em março, com recordes de emplacamentos puxados por Chery e BYD - as montadoras chinesas decidiram abrir uma nova linha de ataque: os veículos comerciais leves.

O movimento tem um trunfo difícil de desprezar: esses modelos não enfrentam as tarifas de importação para elétricos definidas pela União Europeia (UE). Para os grupos chineses, isso virou a nova aposta no continente.

À frente dessa investida estão Chery, Farizon (submarca da Geely) e Foton, que passam a disputar o segmento com vans elétricas de preço agressivo e foco nos maiores mercados europeus - Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Itália.

De acordo com Tate Huang, responsável de vendas da Foton no Reino Unido, o argumento comercial é simples e direto: “O reconhecimento de marca não é elevado, mas muitos clientes acreditam que as marcas chinesas têm vantagem nos elétricos”.

Os números europeus

Para situar o cenário: no primeiro trimestre, a Europa (UE + EFTA + Reino Unido) registrou mais de 454 mil comerciais leves vendidos, o que representa alta de 1,1%. E, embora o diesel ainda responda por 79% das vendas, a tendência é negativa (-2,2%).

As motorizações que mais avançam, em ordem, são os híbridos (inclui mild-hybrid), com 15 864 unidades comercializadas (+37,9%), e os veículos com recarga externa (elétricos e híbridos plug-in), com 58 592 unidades comercializadas (+37,3%), segundo números da ACEA.

Com isso, elétricos e híbridos plug-in já aparecem como a segunda motorização mais vendida na Europa, superando a gasolina, que no acumulado dos três primeiros meses do ano somou apenas 14 865 unidades (-28,7%). Nesse contexto, o espaço para a ofensiva dos fabricantes chineses é, portanto, grande.

Quem são e o que trazem

A partir dessa leitura, a Chery estruturou uma divisão dedicada, chamada Delivan. A meta é colocar no mercado europeu uma linha completa de vans elétricas já no próximo ano. A fabricação deve ocorrer por meio de kits montados na antiga planta da Nissan em Barcelona - local onde a Chery já produz veículos de passeio.

Já a Farizon chega com o V7E, uma van elétrica compacta com preços a partir de 29 mil libras (aprox. 33 600 euros à taxa de câmbio atual) no Reino Unido - bem abaixo das 44 mil libras (50,9 mil euros) cobradas pelo Farizon Super VAN lançado no ano passado.

“Agora o mercado está a ficar bastante competitivo, precisamos de um produto igualmente capaz, mas com um preço mais atraente”, disse Kate McLaren, chefe de vendas e marketing da Farizon no Reino Unido.

A Foton, por sua vez - conhecida na China pelo segmento de caminhões - direciona a estratégia ao Cavan, uma van compacta com plataforma dedicada a motorizações elétricas que, segundo a empresa, entrega um volume de carga semelhante ao encontrado no segmento imediatamente superior. As vendas no Reino Unido começam ainda este ano, e a marca prevê expandir para Grécia, Itália, Espanha e Polônia.

A resposta europeia

As fabricantes já consolidadas no continente não estão paradas. A Ford foi além do que a maioria e adotou uma abordagem pragmática. «Se não podes vencê-los junta-te a eles» acabou virando a linha-guia escolhida pela empresa norte-americana.

O novo Transit City é fabricado pela Jiangling Motors Corp, parceira da Ford na China, e passa a ser oferecido no mercado britânico a partir de 29 mil libras (contra as 45 510 libras (52,7 mil euros) do E-Transit Custom). A explicação é objetiva, nas palavras do engenheiro-chefe do programa: “Podíamos ficar de braços cruzados e deixar que eles nos tirassem o mercado, ou podíamos juntar-nos a eles e tentar combatê-los.”

A Renault, por outro lado, defende que o mercado de comerciais tem uma dinâmica estruturalmente distinta da de carros de passeio - e que isso pode jogar a favor das marcas tradicionais. Jan Ptacek, responsável pela divisão de comerciais da fabricante francesa, sustentou que, nesse segmento, não basta ter produto: é preciso um ecossistema completo de pós-venda, peças e conversões. “Por exemplo, no Master, 70% das nossas vendas são de veículos transformados”, exemplificou.


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