O renomado fotógrafo Mark trabalha com a Top Gear há muitos, muitos anos. Quando não está tirando fotos, está comprando carros nada apropriados. Aqui ele divide essa obsessão com o mundo.
De um tempo pra cá, eu peguei um hábito péssimo: fechar negócio sem nem ver o carro pessoalmente. E, na maioria das vezes, isso termina exatamente como você imagina - veículos chegando muito piores do que o anunciado e, em um caso, o carro nem apareceu (e o vendedor simplesmente sumiu depois).
É óbvio que essa forma de comprar qualquer coisa já é uma ideia ruim, e com carro então nem se fala. A única “justificativa” é a impaciência ou o fato de o preço estar tão baixo que dá vontade de arriscar, mesmo que no fim seja uma furada. O detalhe de eu ter vendido quatro carros no ano passado (todos comprados sem ver) provavelmente diz muito sobre como esse método funciona no longo prazo.
Em 2026, ano novo, eu novo. Ou pelo menos, uma versão um pouco mais sensata no jeito de comprar carro: indo ver antes. O problema é que eu me sinto automaticamente atraído por coisas esquisitas - e, muitas vezes, é quase um milagre se esses carros estão pelo menos na Europa. Por isso, neste momento, eu estou sentado num avião com destino a Tóquio, a cerca de 14.500 km de distância, pra ir olhar um Mercedes antigo à venda.
E, convenhamos, não é qualquer Benz: este aqui é um W126 560SEL AMG - o auge de um sedã executivo “VIP”, todo escurecido, com vibe anos 80 e cheio de upgrades AMG, do aerofólio ao escape e ao interior. Não, ele não vem com o V8 6.0 DOHC; em 2026, esses motores custam o preço de uma casa boa. Mas ele tem a combinação perfeita do que faz esses AMG pré-fusão serem tão absurdamente legais: pintura azul-preto por fora, couro preto por dentro e todos os detalhes cromados pintados na cor da carroceria.
Pode soar tão doido voar meio mundo só pra ver um carro quanto comprar um sem ver, mas pelo menos eu tenho trabalho pra fazer no Japão e usar isso como justificativa - com um dia extra encaixado pra conferir este SEL 1989, que fica nos arredores de Tóquio. E não é decisão por impulso. Faz anos e anos que eu tento montar exatamente esse estilo de carro e já falhei nada menos que três vezes, passando por um 500SEL Brabus, um 560SEL Brabus e um 560SEL Carat. O problema é que W126 560SEL bons estão ficando raros, e mais ainda os que têm todos os upgrades AMG. Então, quando aparece a chance de comprar um que não precisa de nada e ainda vem com a papelada certa, vale muito a pena correr atrás.
For years and years I’ve been trying to build this exact style of car
Este carro, hoje, é de um francês morando no Japão chamado Stan. Parece início de piada boa, mas assim como eu com essa fase dos Benz, o Stan caiu no mesmo dilema alguns anos atrás quando o carro apareceu à venda no Japão. Era mais do que ele queria pagar, só que tinha sido restaurado de forma bem completa e era um modelo com volante à esquerda, originalmente vendido no Japão lá em 1989. Mais importante: ele está com as rodas AMG Aero 3 no tamanho correto e com o kit AMG Japan Version 2 - provavelmente o bodykit mais bonito dessa era da Mercedes.
Eu sou suspeito, mas é um carro que eu encano faz anos. E é raro eu ficar tão empolgado a ponto de precisar agir como adulto pra não simplesmente mandar um sinal pro Stan e torcer pelo melhor. Mas, sejamos honestos: a menos que sejam dois carros soldados um no outro e cobertos de ferrugem, a gente já sabe qual vai ser o desfecho...
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