Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Indiana descreveram um caminho promissor para tratar a doença de Alzheimer ao mirar uma enzima cerebral chamada IDOL. Em testes de laboratório, retirar essa enzima dos neurônios levou a uma queda expressiva nas placas amiloides - uma das marcas biológicas centrais do Alzheimer - e ainda pode contribuir para que o cérebro tolere melhor os danos associados à condição.
O achado aparece enquanto a busca por terapias mais eficazes continua. Nos últimos anos, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) autorizou dois medicamentos modificadores da doença, o lecanemab e o donanemab, que funcionam ao reduzir o acúmulo de placas amiloides no cérebro. Essas opções podem ajudar a estabilizar pacientes ao desacelerar a progressão do quadro.
Por que mirar a enzima IDOL no cérebro pode mudar a estratégia contra a doença de Alzheimer
Para a equipe da Universidade de Indiana, atacar o gene IDOL pode representar uma abordagem diferente para enfrentar a doença de Alzheimer, com potencial de melhorar a comunicação entre as células do cérebro e favorecer um metabolismo lipídico saudável.
“O que torna isso empolgante é que agora temos um alvo específico que pode levar a um novo tipo de tratamento”, disse Kim, professor de Genética Médica e Molecular P. Michael Conneally. “Acreditamos que o IDOL nos proporcionará uma estratégia alternativa para tratar a doença de Alzheimer. O direcionamento de enzimas no desenvolvimento de medicamentos oferece vantagens importantes devido aos seus sítios ativos bem definidos, ou ‘bolsas’, onde os medicamentos podem se ligar e bloquear sua atividade. Essa precisão significa que podemos projetar moléculas que atingem o alvo certo com efeitos colaterais mínimos.”
Experimentos com células cerebrais revelam resultados surpreendentes
Os dados foram divulgados na revista Alzheimer e Demência: o Jornal da Associação de Alzheimer. Para chegar aos resultados, os cientistas desenvolveram dois modelos animais diferentes da doença de Alzheimer, removendo o gene IDOL em tipos distintos de células cerebrais, entre elas neurônios e microglia - células imunológicas do cérebro.
No começo, a expectativa era de que a microglia tivesse maior protagonismo na remoção das placas amiloides, já que essas células ajudam a eliminar material prejudicial do tecido cerebral e também são as principais produtoras de IDOL.
No entanto, os efeitos mais marcantes foram observados quando o IDOL foi eliminado especificamente dos neurônios.
O que mudou quando o IDOL foi retirado dos neurônios
Hande Karahan, PhD, professora assistente de pesquisa em genética médica e molecular, explicou que a deleção do gene IDOL em neurônios diminuiu não só os níveis de placas amiloides, como também os níveis de apolipoproteína E (APOE), uma proteína fortemente ligada à doença de Alzheimer. Uma variante dessa proteína, a APOE4, é considerada o principal fator de risco genético para o Alzheimer de início tardio. A APOE, além disso, desempenha um papel importante na regulação do metabolismo lipídico no cérebro.
Benefícios potenciais além da remoção das placas amiloides
Os pesquisadores ainda observaram que, após a remoção da enzima dos neurônios, houve aumento nos níveis de receptores que participam da regulação da APOE e das placas amiloides. Esses receptores são relevantes tanto para manter uma comunicação saudável entre neurônios quanto para o metabolismo lipídico.
Segundo Karahan, trabalhos anteriores indicaram que ativar uma via relacionada pode ajudar pessoas com Alzheimer a se manterem mais resistentes ao declínio cognitivo, mesmo quando existe acúmulo significativo de placas.
“Isso é especialmente importante do ponto de vista clínico, porque os pacientes geralmente recebem o diagnóstico da doença após acumularem uma carga substancial de placas amiloides no cérebro. Não apenas diminuir os níveis de amiloide, mas também aumentar a resiliência a essas alterações patológicas pode maximizar os benefícios clínicos”, disse Karahan. “O direcionamento do IDOL neuronal pode oferecer múltiplos benefícios terapêuticos na doença de Alzheimer, reduzindo simultaneamente a carga amiloide e aumentando os efeitos neuroprotetores.”
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