Smartphones e queda da natalidade: um problema que preocupa França e outros países
Duas pesquisas diferentes sugerem que a popularização dos smartphones pode estar entre os fatores associados à queda da natalidade.
Segundo projeções do Insee, a população da França pode encolher em mais de 3 milhões de habitantes até 2070, em comparação com os números atuais. Por trás dessa tendência estariam um saldo natural negativo (diferença entre nascimentos e mortes) e uma diminuição considerada preocupante da natalidade. E o fenômeno não se limita ao território francês: ele também aparece em diversos outros países, como os Estados Unidos. Do outro lado do Atlântico, pesquisadores levantam um possível responsável: os smartphones.
iPhone, AT&T e a hipótese da fertilidade nos Estados Unidos
Em um artigo divulgado pelo National Bureau of Economic Research, dois pesquisadores do Middlebury College mencionam uma queda de 22% na taxa de fecundidade desde 2007 que, segundo eles, é difícil de explicar. “
"Nós avaliamos o papel potencial de outro choque: a difusão do smartphone", afirmam.
Para testar essa hipótese, eles analisaram o efeito da expansão do iPhone nos Estados Unidos entre 2007 e 2011. Nesse período, o iPhone era exclusivo da operadora AT&T e era tratado como o primeiro smartphone moderno.
O estudo comparou os índices de fecundidade em condados atendidos pela AT&T com os de condados fora da cobertura da operadora. E, de acordo com os autores, “no total, a generalização do iPhone explica entre 33 e 52% da queda do índice de fecundidade global entre mulheres de 15 a 44 anos”.
Entre as hipóteses levantadas está a de que a disseminação dos smartphones diminui as interações presenciais, aumentaria o consumo de conteúdo pornográfico e, com isso, reduziria a frequência de relações sexuais.
A taxa de fertilidade também cairia quando a velocidade da internet aumenta
Uma segunda pesquisa, assinada por dois autores da Universidade de Cincinnati e publicada em maio, chegou a conclusões na mesma direção. Conforme relatado pelo New York Times, eles examinaram dados do Banco Mundial para relacionar a prevalência de smartphones à taxa de fecundidade entre adolescentes em 128 países. O que teriam observado é que a queda desse indicador se acelera a partir do momento em que os smartphones se tornam amplamente acessíveis.
“Países com sistemas de saúde, regimes de proteção social, legislações sobre aborto, tradições religiosas, recessões e tendências demográficas muito diferentes passaram por rupturas semelhantes no mesmo período”, escreveram os autores - Hernan Moscoso Boedo, professor de economia na Universidade de Cincinnati, e Nathan Hudson, doutorando -, segundo o New York Times.
Além disso, o trabalho também teria mostrado que, quanto maior a velocidade da internet móvel, mais intenso é o declínio da taxa de fertilidade.
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