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Donald Trump apoia renomear o ICE para NICE

Documentos presidenciais com cristais quebrados em mesa enquanto político faz discurso ao fundo.

A proposta de renomear o ICE como NICE

E se, de um dia para o outro, os agentes da imigração passassem a ser chamados de “agentes NICE”? Foi essa a sugestão que Donald Trump acabou de endossar - mesmo com a agência associada à morte de três pessoas nos últimos meses.

À primeira vista, parece piada de mau gosto. Só que não é. Trump declarou apoio a uma ideia, no mínimo, questionável que ganhou força nas redes sociais: rebatizar a polícia federal dos Estados Unidos responsável pelo controle de imigração e alfândega, a ICE (Immigration and Customs Enforcement), como NICE (National Immigration and Customs Enforcement).

O detalhe é que a troca de nome não seria inocente. A intenção seria “forçar a mídia a dizer ‘NICE agents’”, segundo uma usuária do X (antigo Twitter) - ou seja, algo como “agentes simpáticos” ou “agentes legais”. O presidente norte-americano tratou de repostar a sugestão na Truth Social, sua própria rede, com o comentário: “Excelente ideia!!! Vamos fazer isso”.

Repercussão e resposta da Casa Branca

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também se manifestou e afirmou que “o presidente Trump apoia a ideia de rebatizar a ICE como NICE”.

Um balanço catastrófico

O episódio reforça, mais uma vez, a falta de tato e de consideração associada ao governo Trump. Criada em 2003, na esteira dos ataques de 11 de setembro, a ICE teve seu poder multiplicado desde a reeleição do magnata do setor imobiliário.

Tornada o braço armado de Donald Trump, a ICE age sem distinção: prende pessoas estrangeiras que não cometeram nenhuma infração, crianças a caminho da escola e mata cidadãos americanos que tentam proteger as pessoas visadas”, denuncia a Amnesty International.

A organização cita, por exemplo, o caso de Liam, de 5 anos, levado por agentes quando voltava da pré-escola com o pai. Além disso, cidadãos norte-americanos também foram detidos por engano e arrastados para fora de casa sem mandado.

Como símbolo desse novo cenário, a presença da ICE nas ruas de Minneapolis, no estado de Minnesota, se manteve durante todo o inverno, com agentes que literalmente aterrorizavam a população.

Esse contexto terminou na morte de dois manifestantes que tentavam proteger pessoas alvo de batidas da ICE. Renee Nicole Good, poeta e mãe de três filhos, foi baleada em 7 de janeiro de 2026 enquanto filmava uma operação. Alex Pretti, enfermeiro em um hospital para veteranos, teve o mesmo destino em 24 de janeiro, morto em plena rua. Também se soma a isso a morte de Keith Porter Jr., pai de dois filhos, baleado em 31 de dezembro de 2025 em Los Angeles por um agente da ICE que nem estava de serviço naquela noite.

Nossa análise

Diante disso, tentar rebatizar a ICE para soar mais “simpática” ao público - e, sobretudo, irritar a imprensa tratada como “mainstream” pelo poder - soa como uma provocação macabra. Resta saber se era apenas mais uma provocação: quanto mais absurdo, mais funciona para Donald Trump.

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