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Habitação, infraestruturas e ambiente podem impulsionar Famalicão, diz Mário Passos; João Cerejeira pede novo olhar do Estado

Equipe de arquitetos e engenheiros analisando maquete urbana ao ar livre com planta e planta baixa sobre mesa

Apostas em habitação, infraestruturas e ambiente são, na visão do presidente da Câmara de Famalicão, Mário Passos, o caminho para o município alcançar um patamar superior. Já o professor e pesquisador João Cerejeira defende que o Estado precisa encarar esses territórios com outra lógica.

Mário Passos afirma que "há um conjunto de indicadores económicos" que evidenciam a transformação do concelho ao longo dos anos. O prefeito participou ontem do programa JN/TSF, falando sobre a trajetória de desenvolvimento do território famalicense no dia em que se assinalam 41 anos da elevação a cidade.

Investimentos em habitação, infraestruturas e ambiente em Famalicão

Segundo o autarca, a evolução veio de um esforço coletivo: "Fomos evoluindo fruto do trabalho comunitário. Vamos à luta, criamos objetivos e tentamo-nos superar nos dias de hoje". Ele destacou que está em andamento o "maior investimento" de que há registro no concelho, reunindo obras e projetos em curso nas áreas de habitação, infraestruturas e ambiente.

Para Mário Passos, quando esse conjunto estiver concluído, o efeito será claro: "Quando estiver tudo pronto, vamos dar um salto qualitativo relativamente ao que temos hoje".

Educação e Ensino Superior como base do desenvolvimento

João Cerejeira, docente universitário e investigador da área de economia, chamou a atenção para o avanço de Famalicão na educação. Para ele, o progresso não se limita às infraestruturas: também se observa na presença e na procura por instituições de ensino universitário dentro do território municipal. "Famalicão deu o salto que o posicionou para transformar os setores com tradição", avaliou.

Na mesma linha, Mário Passos reforçou que a educação tem sido "pedra basilar" e uma "aposta forte" dos executivos municipais nos últimos anos. Ele citou como parte dessa estratégia os centros tecnológicos instalados no concelho - com destaque para os segmentos das carnes e da indústria têxtil - e as instituições de Ensino Superior, que funcionam, segundo o prefeito, tanto como alavancas de pesquisa quanto como ponte para levar conhecimento às empresas.

Tecmeat e a transferência de conhecimento para as empresas

Um exemplo prático desse modelo é o Tecmeat - Centro de Competências do Agroalimentar para o Setor das Carnes. Dora Gaspar, diretora-geral do Tecmeat, explicou a missão do centro: "Procurar transformar o conhecimento cientifico em investigação aplicada que possa criar valor nas empresas". De acordo com ela, esse valor também é gerado "através da qualificação dos seus colaboradores e através do conhecimento transformado em processos e serviços".

Dinamismo empresarial e desafios salariais

Ainda sobre o setor, Dora Gaspar destacou: "As nossas empresas estão conscientes dos desafios que têm e do trabalho que há a fazer sobre a carne, a produção da carne e as tecnologias a utilizar". No concelho de Famalicão, são criadas 500 empresas por ano.

João Cerejeira classificou esse movimento como significativo: "Há um dinamismo importante e, por isso, as entidades públicas têm de olhar para isto". Ele lembrou que, embora o salário médio venha subindo no município, ainda não alcançou a média nacional.

O investigador apontou ainda vantagens que ajudam a explicar por que Famalicão tem "crescido muito": moradia mais acessível do que nos grandes centros urbanos, acesso a escolas e serviços de saúde e boas condições de mobilidade. Por isso, concluiu: "A Administração Central tem de olhar para estes territórios de forma diferente".

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