A Mercedes CLA quer mudar a forma como a gente usa um carro elétrico. Com recarga muito rápida, consumo baixíssimo e uma autonomia que chega perto dos 800 km, a alemã aposta alto.
Sem muito brilho - é assim que eu descrevo, com certa gentileza, as antigas Mercedes elétricas. Caras e tecnicamente atrás do mercado, a maior parte dos modelos da marca não oferecia um motivo realmente forte para preferi-los à concorrência. Nosso teste do EQA, aliás, mostra bem isso… Agora, com uma ficha técnica bem mais ambiciosa, a nova CLA elétrica promete virar esse jogo.
A Mercedes CLA declara 792 km de autonomia
Essa é a grande cartada da nova Mercedes CLA. Os 792 km de autonomia colocam o modelo entre os melhores do mercado, considerando todas as categorias. E o resultado impressiona ainda mais quando se percebe que a Mercedes não recorreu a uma bateria exagerada para chegar lá. Com 85 kWh, o pacote de baterias é grande, mas longe de ser desmedido. A marca preferiu focar na eficiência para ganhar quilômetros importantes.
Com um trabalho intenso de otimização, a aerodinâmica vira o ponto-chave na CLA, com Cx de apenas 0,21. As vedações na grade e nos conjuntos ópticos foram refinadas com atenção. A parte de baixo do carro é totalmente carenada, as maçanetas são embutidas, os retrovisores têm desenho mais fino, as rodas são quase fechadas e existe um difusor específico caso você escolha engate para reboque. E a bateria, por estar bem dimensionada, não transforma o carro em um “caminhão”. Uma decisão inteligente.
A Mercedes CLA pode recuperar 325 km de autonomia em 10 minutos
Aqui vai outro argumento forte da Mercedes. Com potência máxima de recarga de 320 kW em corrente contínua (DC), a nova CLA seria capaz de recompor 325 km de autonomia em apenas 10 minutos. Essa recarga ultrarrápida é viabilizada pela arquitetura de 800V, algo inédito na Mercedes. Assim, o carro consegue “beber” energia muito depressa nos carregadores adequados.
Por isso, é essencial escolher bem onde carregar: nem toda estação entrega a potência de pico que a CLA consegue aceitar. Estações da Engie, por exemplo, ficam limitadas a 300 kW, enquanto alguns pontos da TotalEnergies param em 175 kW. E nem achar 350 kW na Ionity é algo garantido. A situação piora na Tesla, porque os carregadores de 400V simplesmente não são compatíveis com a CLA!
A Mercedes CLA tem uma caixa de câmbio
Mesmo não sendo algo totalmente inédito, a presença de uma caixa de câmbio em um carro elétrico ainda causa estranheza. Afinal, em teoria, um motor elétrico teria uma faixa de operação tão ampla que dispensaria marchas. Na prática, adicionar uma segunda marcha de verdade permite um «regime» mais baixo, o que reduz naturalmente o consumo em velocidades altas.
Na CLA, a lógica é direta. A primeira marcha é voltada ao uso urbano, garantindo boas acelerações e oferecendo capacidade de reboque de até 1.800 kg. Já a segunda, que entra a partir de 110 km/h, melhora a eficiência em rodovias e amplia o fôlego do carro, com velocidade máxima chegando a 210 km/h.
A Mercedes CLA entrega um pacote de equipamentos desconcertante
Por usar a plataforma MMA, a nova CLA ganha alguns recursos diferentes. O som externo, por exemplo, pode ser personalizado com vários temas predefinidos. O carro também solta um som contínuo por alguns segundos depois de ser destravado. O mesmo acontece ao travar o veículo ou ao conectar o carro em um carregador. É, no mínimo, curioso. E essa tecnologia embarcada pode ser liberada… pagando.
A lista de opcionais é extensa, e a Mercedes aposta sobretudo em assinaturas para garantir uma boa receita. A CLA traz câmeras e radares em todas as direções, mas eles só podem ser ativados pela tela mediante assinatura mensal ou anual. Isso cria um pacote por vezes desequilibrado: dá para ter câmera de ré sem os radares! Há muitos casos desse tipo.
Encontramos você neste domingo, às 11 horas, para conferir nossa avaliação completa da nova Mercedes CLA elétrica!
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