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CP usa UTE 2240 no Intercidades Lisboa-Oriente–Évora e gera críticas

Homem segurando bilhete e mala ao lado de trem parado em estação com pessoas em fila esperando embarque.

Troca de composições no Intercidades Lisboa-Oriente–Évora

Uma parte significativa das viagens Intercidades entre Lisboa-Oriente e Évora vem sendo operada com composições normalmente usadas nas linhas do Regional. Por serem trens voltados a trajetos mais curtos e com muitas paradas, a percepção dos passageiros é de perda de conforto e de adequação ao deslocamento inter-regional. Apesar das críticas, a Comboios de Portugal (CP) afirma que, diante da indisponibilidade de material circulante, essa é a alternativa viável no momento.

A troca do material rodante também gerou desconfiança entre os usuários, que passaram a questionar os revisores a bordo. A informação repassada aos passageiros tem sido a de que a mudança estaria ligada às temperaturas elevadas. A CP, porém, nega essa justificativa.

Por que a CP recorre às unidades UTE 2240

Em resposta ao JN, a empresa explica que a adoção das unidades UTE 2240 ocorre por “necessidade de garantir a realização dos comboios programados perante constrangimentos temporários na disponibilidade do material circulante afeto ao serviço Intercidades. A substituição não decorre de uma decisão relacionada com as temperaturas elevadas, mas sim da gestão operacional da frota disponível”, sublinha a transportadora ferroviária.

Não conseguem fazer reserva

Em dias úteis, a ligação Lisboa-Oriente–Évora tem cinco circulações diárias por sentido; aos fins de semana, esse número cai para três. E a alteração não afeta apenas o conforto. Passageiros com Passe Ferroviário Verde relatam que não conseguem fazer a reserva obrigatória para os serviços Intercidades, embora encontrem, já dentro do trem, vários assentos desocupados. O JN verificou essa situação nesta semana, durante uma viagem entre Lisboa e Évora.

A CP informa que as unidades UTE 2240 oferecem 264 lugares sentados, número próximo ao de muitas composições Intercidades, cuja capacidade varia de 190 a 271 lugares, conforme a configuração. Ainda assim, sempre que há substituição de material circulante, “a oferta colocada à venda no sistema de reservas é ajustada à capacidade efetivamente disponível”.

Sobre o Passe Ferroviário Verde, a operadora reforça que o uso do Intercidades permanece condicionado à reserva obrigatória e à existência de vagas. “Quando a capacidade reservável se encontra esgotada, não é possível emitir novas reservas, mesmo que existam lugares fisicamente disponíveis, que, por razões operacionais, comerciais ou de gestão de capacidade, não estejam disponíveis para venda”.

Não há data para o retorno

Também não existe previsão para a volta de composições consideradas mais confortáveis, já que isso depende da recuperação da disponibilidade da frota Intercidades. “À medida que mais material circulante regressa ao serviço, após intervenções de manutenção, a sua afetação às circulações programadas será retomada de forma gradual”, indica a CP..

A companhia ainda descarta transformar formalmente um serviço Intercidades em Regional como forma de contornar a situação. De acordo com a transportadora, as duas categorias têm “enquadramentos operacionais, comerciais, tecnológicos e regulamentares distintos”, e o uso de material alternativo seria a solução que melhor assegura as ligações previstas, evitando a supressão de trens ou a necessidade de recorrer a transporte alternativo.

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