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Teste ao Dacia Duster 150 cv com a caixa automática EDC

Carro SUV Duster 150 EDC na cor laranja estacionado em showroom moderno com piso cinza.

Imagem “Extreme” antes da nova cara

Em um mercado em que tudo parece ficar mais caro a cada ano, a Dacia acabou virando sinônimo de acesso: ajudou - e muito - a colocar mais gente atrás do volante neste século. E o Duster segue como um dos melhores retratos dessa proposta.

Com quase dois milhões de unidades vendidas no mundo, não falta prova do acerto do modelo. Os números falam por si. Mesmo não sendo a opção mais nova e moderna da marca, continua a ser a mais “madura” e completa.

E digo isso pela versatilidade que oferece e pelos atributos que revela, mas acima de tudo pela vasta gama de motorizações. Há motores para todos os gostos, desde a gasolina ao Diesel, passando pelo bifuel (gasolina + GPL).

E hoje temos encontro marcado com o Dacia Duster mais potente da atualidade, que pela primeira vez no modelo junta um motor a gasolina de 1.3 litros com 150 cv a uma caixa automática EDC de seis velocidades.

A Dacia apresentou uma nova identidade visual e introduziu um novo símbolo, o Dacia Link, mais simples e minimalista, que em breve poderá ser visto em todos os modelos da marca romena.

Em Portugal, todos os modelos da Dacia encomendados depois de 16 de junho já vão adotar essa alteração, com as primeiras entregas a estarem marcadas para o último trimestre do ano.

A unidade que testámos ainda não tem (naturalmente) esse novo look, mas nem por isso é menos exclusiva, já que se apresenta na nova edição Extreme.

Uma edição que se destaca por alguns detalhes visuais em laranja que encontramos na grelha dianteira, nas capas dos espelhos retrovisores laterais, na inscrição da mala e nas barras do tejadilho e que lhe garantem alguma diferenciação.

No interior há mais apontamentos alaranjados nos bancos, na consola central, nas saídas de ventilação e nos puxadores das portas.

E o leque de equipamento é bastante assinalável, com destaque para o ecrã multimédia de 8” com integração sem fios com Apple CarPlay e Android Auto (nem alguns premium têm isto…), ar condicionado automático, sensores de estacionamento e câmara traseira (Multi-view) e reconhecimento dos sinais de trânsito.

O desenho interior não compromete, mas já começa a mostrar a idade, sobretudo quando o comparamos com o modelo mais recente da marca, o Jogger. Ainda assim (e apesar dos plásticos duros), a qualidade de montagem é razoavelmente boa, tal como de resto é a vida a bordo deste SUV.

E tudo o que temos à nossa disposição é útil e acabamos por usar no dia a dia. A Dacia, fiel à sua imagem, não perdeu tempo (nem dinheiro) a enfeitar o interior deste Duster com funcionalidades supérfluas.

Novo motor de 150 cv faz sentido?

Mas se nada do que escrevi nas linhas acima me surpreende, porque acaba por ser a essência da marca romena, ver este SUV disponível com um motor a gasolina com 150 cv e caixa automática EDC de seis relações surpreendeu-me.

Mas bastaram alguns quilómetros ao volante desta versão para perceber que esta motorização (e esta caixa) dá outro tipo de argumentos ao Dacia Duster, ainda que sem penalizar muito os consumos, se compararmos com o 1.3 TCe de 130 cv.

Esta unidade, que tem por base o mesmo bloco 1.3 TCe de quatro cilindros (desenvolvido pela Aliança Renault-Nissan e pela Mercedes-Benz) da variante de 130 cv, viu a potência crescer 20 cv para os 150 cv e o binário 10 Nm para os 250 Nm.

No papel, as diferenças podem nem parecer grandes, mas a verdade é que a resposta deste conjunto é bem mais afirmativa e linear. E como aqui temos uma caixa EDC de seis velocidades a tratar do resto, tudo acontece de forma suave e sem solavancos.

Isso fica muito evidente na malha urbana, onde esta transmissão se mostra sempre competente e nos deixa “navegar” por este tipo de ambientes com bastante conforto.

E na estrada?

Em estrada aberta, quando imprimimos ritmos mais apressados, percebe-se que começam a haver algumas hesitações por parte da caixa, que perde a suavidade e o pragmatismo que elogiei acima.

Contudo, sempre que adotamos um ritmo dito normal, não tenho rigorosamente nada a apontar a esta transmissão, que até conta com um modo sequencial no seletor, mesmo que tenha recorrido quase nunca a ele.

Mas é quando começamos a explorar este motor de forma mais ampla que percebemos que a resposta é mais satisfatória e superior ao 1.3 TCe de 130 cv.

E isso fica evidente quando olhamos para os números, já que nesta variante aceleramos dos 0 aos 100 km/h em 9,7s e chegamos aos 199 km/h de velocidade máxima, contra os 10,6s e 193 km/h da versão com motor de 130 cv.

Consumos não foram prejudicados

E os consumos nem saem muito prejudicados, pelo menos quando olhamos para os números oficiais: 6,3 l/100 km em ciclo combinado WLTP para a versão de 150 cv e 6,2 l/100 km para a variante de 130 cv.

No final deste ensaio o painel de bordo marcava 7,4 l/100 km, um número que acabou por refletir os muitos quilómetros que fiz em cidade. Ainda assim, nas passagens que fiz por autoestrada este Duster brindou-me com consumos inferiores a 6,0 l/100 km.

Mas se estiverem dispostos a ter o andamento limitado, podem sempre ativar o modo ECO e assim poupar mais.

É o carro certo para si?

Sempre muito robusto, o Dacia Duster vê a sua suspensão fazer um bom trabalho a absorver as irregularidades do asfalto, oferecendo uma condução satisfatória.

Continua a não impressionar na dinâmica e a acusar a sua elevada altura ao solo - ideal para quando o levamos para os maus caminhos… - em curva. Mas nunca perde a compostura e revela um bom equilíbrio.

Há margem para melhorar o isolamento acústico a bordo e a regulação do banco do condutor, que é algo limitada, mas no geral o Duster continua a ser uma proposta agradável e que quase nunca compromete.

A relação preço/qualidade é um trunfo importante, ainda que seja menos óbvia quando optamos por esta motorização de 150 cv e por esta transmissão. Ainda assim, o que ganhamos na resposta (em ultrapassagens ou nas recuperações normais em cidade) e na suavidade de utilização compensa.

Dito isto, o Duster já não é o modelo low cost e despido de equipamento de antigamente. É uma proposta muito competente, com um visual que continua a não comprometer e com uma oferta tecnológica à medida do que grande maioria das pessoas precisa.

Por tudo isto, o sucesso que continua a alcançar não me espanta. E a nova identidade visual da Dacia tem tudo para potenciar ainda mais isso.

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