Nesta segunda-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou que derrubou e confiscou mais de mil domínios usados para transmitir, de forma ilegal, partidas da Copa do Mundo de 2026. A iniciativa teve como foco frear a pirataria digital e resguardar direitos autorais, e foi executada em três etapas ao longo da competição.
A ação fez parte da operação "Offsides", conduzida pelo Homeland Security Investigations (HSI) e pelo National Intellectual Property Rights Coordination Center (Centro Nacional de Coordenação para os Direitos de Propriedade Intelectual).
Operação "Offsides" do Departamento de Justiça dos Estados Unidos
Segundo as autoridades americanas, os endereços removidos ofereciam, sem licença, transmissões ao vivo dos jogos do Mundial, em violação às leis de direitos autorais dos Estados Unidos. A localização e validação dos domínios contou com apoio da FIFA e de diferentes detentores de direitos de transmissão, incluindo beIN Media Group, NBC Universal, Alliance for Creativity and Entertainment, UFC e Warner Bros.
De acordo com a apuração, agentes do HSI constataram que os domínios agora confiscados exibiam, em tempo real, partidas da Copa do Mundo sem qualquer autorização.
Após o confisco, quem tentava acessar esses endereços deixou de encontrar as transmissões e passou a ver uma página do Departamento de Justiça e do HSI informando que o site havia sido apreendido por ordem judicial. As autoridades também relatam que, depois da apreensão, os usuários passaram a receber um aviso das autoridades federais indicando que o domínio havia sido confiscado.
"O esforço contínuo para encerrar mais de mil domínios dedicados à transmissão ilegal do Mundial confirma o compromisso da administração com a proteção da propriedade intelectual e com o sucesso do Campeonato do Mundo de 2026", afirmou o procurador-geral adjunto da Divisão Criminal do Departamento de Justiça, A. Tysen Duva.
O mesmo responsável disse ainda que a operação buscou, também, "reduzir os riscos para os consumidores americanos provocados pelo software malicioso incorporado em muitos serviços ilegais de streaming".
Riscos ao usuário: malware e dados de pagamento
Matthew Millhollin, diretor-adjunto executivo do HSI, chamou atenção para os perigos envolvidos no uso dessas plataformas clandestinas. "Quem opera estes sites já está disposto a infringir a lei ao transmitir jogos protegidos por direitos de autor e pode também instalar malware ou roubar dados de pagamento dos utilizadores", afirmou, reforçando o apelo para que torcedores recorram exclusivamente a plataformas oficiais.
Financia redes criminosas
Ivan J. Arvelo, diretor do National Intellectual Property Rights Coordination Center, destacou que "a transmissão não autorizada dos jogos do Mundial viola os direitos de propriedade intelectual e financia organizações criminosas".
Conforme Arvelo, a operação conseguiu interromper a atuação de centenas de plataformas que distribuíam material protegido por direitos autorais.
"Cartão vermelho"
A ofensiva nos Estados Unidos foi acompanhada por uma iniciativa internacional chamada "Operation Red Card", coordenada pelo programa International Computer Hacking and Intellectual Property (Programa Internacional para o Combate à Criminalidade Informática e à Proteção da Propriedade Intelectual).
Em países do continente americano, milhares de sites ilegais foram bloqueados, incluindo 1140 na Colômbia, 309 no Brasil, 256 na República Dominicana, 223 no Equador, 28 no Peru e 14 na Argentina.
Na Colômbia, ainda ocorreram 13 buscas ligadas à produção e à distribuição de roupas esportivas falsificadas, que resultaram em 11 prisões e condenações.
Em uma segunda etapa da operação, quatro supostos integrantes do grupo de cibercriminosos "Los Ciberinfiltrados" foram presos, sob suspeita de invadir ilegalmente sistemas de telecomunicações e comercializar conteúdo pirateado - incluindo jogos do Mundial - por meio de credenciais fraudulentas, VPN e manipulação de sistemas empresariais.
As autoridades americanas acrescentaram que, desde 2020, a área especializada em cibercrime e propriedade intelectual do Departamento de Justiça obteve a condenação de mais de 180 cibercriminosos e autores de delitos contra a propriedade intelectual, além de ter recuperado mais de 350 milhões de dólares para as vítimas.
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