- ADICIONAR ZONA MILITAR NO
Por que nos adicionar? Veja as últimas notícias da Zona Militar no seu feed do Google.
ENTRE NO CANAL DO WHATSAPP
Participe do nosso canal oficial no WhatsApp e receba as notícias em tempo real.
A Omnisys, subsidiária brasileira da Thales e reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa (EED), oficializou nesta terça-feira (28) a maior ampliação industrial de toda a sua trajetória. Com investimento acima de R$ 120 milhões, a companhia aumenta em mais de 40 % a área fabril, eleva em dez vezes a capacidade de produção e reposiciona a unidade de São Bernardo do Campo (Brasil) como um dos principais polos tecnológicos do Grupo Thales para desenvolver, fabricar e sustentar sistemas de radar.
👉 Leia também: Do S80 ao Tipo 209: estes são os submarinos em serviço com as marinhas ibero-americanas
A comunicação foi feita em um evento com clientes, representantes das Forças Armadas, autoridades e parceiros. No dia anterior, a convite da Omnisys, o correspondente da Zona Militar no Brasil, Angelo Nicolaci, e um grupo seleto de jornalistas especializados visitaram a fábrica e tiveram acesso antecipado aos detalhes dos aportes já executados e às diretrizes estratégicas que vão orientar a nova fase da empresa. A programação incluiu apresentações de Luciano Macaferri, vice-presidente da Thales para a América Latina e diretor-geral da Thales no Brasil, e de Rodrigo Modugno, presidente da Omnisys, que explicaram o peso dessa expansão tanto para a operação brasileira quanto para a estrutura global do grupo.
Com as mudanças, a planta passou a contar com mais de 40 % de área industrial adicional, teve a capacidade produtiva multiplicada por dez e registrou aumento de aproximadamente 70 % no quadro de pessoal. Foram contratados mais de 150 novos profissionais altamente qualificados para as áreas de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Serviços, reforçando a Omnisys como um dos principais centros de engenharia da Thales fora da Europa.
📌 Você pode se interessar
- A Força Aérea Brasileira receberá no fim de 2026 o segundo de seus novos radares multimissão Ground Master 200
- Agni-4: como é o míssil balístico que a Índia lançou em seu ensaio mais recente
Ainda assim, os números mostram apenas uma parte do que está sendo transformado.
Brasil assume um papel estratégico dentro da estrutura global da Thales
Durante a visita às instalações, Luciano Macaferri e Rodrigo Modugno informaram que a Omnisys passa a ter uma atribuição inédita na organização mundial da Thales: a unidade no Brasil se torna o centro global de produção dos radares voltados ao controle de tráfego aéreo e à aviação civil.
Na prática, isso faz com que os sistemas empregados em aeroportos e centros de controle de várias regiões do planeta passem a ser produzidos em território brasileiro, consolidando São Bernardo do Campo como referência internacional nessa família de radares. Vale lembrar que, hoje, o Brasil é o maior cliente da Thales nesse segmento. E o movimento não se limita à manufatura.
A Omnisys também vai concentrar, em escala global, o suporte pós-venda e a manutenção desses sistemas, assumindo o acompanhamento de todo o ciclo de vida dos equipamentos fornecidos pela Thales aos seus clientes.
A medida marca um avanço qualitativo para a subsidiária, que deixa de funcionar apenas como unidade fabril e passa a executar atividades de maior valor agregado, incluindo produção, engenharia, suporte técnico, manutenção e relacionamento com operadores em diferentes continentes.
Para a Base Industrial de Defesa brasileira, trata-se de um marco: poucas empresas instaladas no país ocupam posição equivalente dentro da estrutura mundial de um dos maiores grupos de defesa, aeroespacial e alta tecnologia do planeta.
O maior investimento está nas pessoas
Embora a ampliação física da unidade industrial seja relevante, Luciano Macaferri e Rodrigo Modugno ressaltaram que o investimento mais importante foi direcionado ao fortalecimento da engenharia no Brasil.
Conforme os executivos, o plano da Thales é expandir as equipes de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e firmar a Omnisys como um dos principais centros de competência tecnológica do grupo.
Dentro desse esforço, a empresa atua para repatriar engenheiros e técnicos brasileiros que hoje trabalham em unidades da Thales no exterior, permitindo que profissionais com vivência em programas internacionais retornem ao país e contribuam com novos projetos conduzidos pela subsidiária brasileira.
A iniciativa evidencia a confiança na capacidade técnica da engenharia nacional e deixa claro que o objetivo não é apenas produzir mais, mas também ampliar a geração de conhecimento e inovação em solo brasileiro.
Mais do que fabricar equipamentos, a Omnisys quer criar tecnologia.
A expansão também fortalece os programas de defesa
Apesar de a elevação de capacidade ter como foco principal os radares voltados à aviação civil e ao controle de tráfego aéreo, os investimentos também aumentam de forma importante o potencial da empresa para atender às demandas do setor de defesa.
Durante a apresentação, os executivos destacaram que a nova infraestrutura reforça o desenvolvimento e a fabricação de soluções voltadas a vigilância, sensores eletrônicos, radares Over-the-Horizon (OTH) e outras tecnologias estratégicas que compõem o portfólio da companhia.
Entre as iniciativas de maior destaque está o desenvolvimento de um novo radar naval em parceria com a Marinha do Brasil - um projeto tratado como estratégico por ampliar a autonomia tecnológica nacional em um segmento historicamente dominado por fornecedores estrangeiros.
Segundo os dirigentes, o programa avança de maneira consistente e já chama a atenção de outros países, que acompanham sua evolução como uma possível solução para equipar suas próprias forças navais.
O projeto reúne a experiência global da Thales em sensores e sistemas de missão com a capacidade de engenharia da Omnisys, reforçando que a unidade brasileira não apenas produz, como também participa diretamente do desenvolvimento de tecnologias críticas para o campo da defesa.
A expansão anunciada, portanto, cria condições para acelerar esses programas, ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento tecnológico e fortalecer a inserção da Base Industrial de Defesa brasileira no mercado internacional de sistemas de alta complexidade.
Um investimento que projeta o Brasil para o futuro
Atualmente, a Omnisys já exporta tecnologia para 18 países, consolidando-se como um fornecedor internacional relevante de soluções desenvolvidas no Brasil.
Com a ampliação agora concluída, a expectativa é aumentar essa participação e reforçar ainda mais a presença da unidade brasileira na cadeia global de suprimentos da Thales.
Mais do que ampliar volumes, o investimento confirma uma mudança estratégica: o Brasil passa a concentrar atividades de engenharia, desenvolvimento, integração, fabricação, suporte logístico e manutenção de sistemas críticos, reunindo um conjunto de capacidades que poucas unidades do grupo detêm de forma integrada.
Em um contexto no qual diferentes países buscam ampliar a autonomia tecnológica e reduzir vulnerabilidades nas cadeias globais de fornecimento, a decisão da Thales de expandir de maneira significativa sua operação no Brasil sinaliza confiança na capacidade da engenharia nacional e na maturidade atingida pela Base Industrial de Defesa brasileira.
Assim, a expansão da Omnisys vai muito além da entrega de uma nova estrutura industrial. Ela simboliza a crescente inserção do Brasil nas cadeias globais de alta tecnologia, consolidando o país como ator relevante no desenvolvimento, na produção e no sustentamento de sistemas complexos.
Ao transformar a Omnisys em seu centro global de produção de radares para controle de tráfego aéreo e aviação civil, reforçar a capacidade de engenharia e, ao mesmo tempo, ampliar o potencial para desenvolver soluções voltadas ao setor de defesa, a Thales transmite ao mercado uma mensagem objetiva: o Brasil deixou de ser apenas uma base regional de produção e passou a ocupar uma posição estratégica em sua arquitetura tecnológica mundial.
Diante de um cenário internacional marcado pelo aumento da competição por conhecimento e soberania tecnológica, investimentos desse tipo fortalecem não apenas uma empresa, mas toda a Base Industrial de Defesa brasileira, demonstrando que o país reúne capacidade técnica, engenharia e capital humano para assumir responsabilidades cada vez maiores no desenvolvimento de tecnologias críticas para os mercados civil e de defesa.
Fotografias: Zona Militar.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário