+ ADICIONAR ZONA MILITAR NO
Por que nos adicionar? Receba as notícias do Zona Militar no seu Google.
Coletiva após visita à Avibras Aeroco
Depois da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às instalações da Avibras Aeroco, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, falou rapidamente com jornalistas. Na entrevista, o correspondente do Zona Militar no Brasil, Angelo Nicolaci, levou ao vice-presidente duas pautas consideradas das mais delicadas para a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira: a previsibilidade orçamentária dos programas estratégicos e a compra integral da Akaer pelo grupo emiradense EDGE Group.
👉 Leia mais: Ucrânia e Polônia avançam nas negociações para acordar a transferência de quatro caças MiG-29 Fulcrum
Previsibilidade orçamentária e programas estratégicos da BID
Ao ser provocado sobre a regularidade dos aportes em defesa, Alckmin admitiu que a continuidade dos programas está atrelada à estabilidade do orçamento. Ele salientou que a construção de capacidades militares exige iniciativas de elevada complexidade tecnológica e, por isso, demanda investimentos de longo prazo.
R$ 30 bilhões e liberação anual de R$ 5 bilhões
Conforme o vice-presidente, o governo federal direcionou cerca de R$ 30 bilhões ao reequipamento das Forças Armadas, abrangendo projetos da Marinha do Brasil, da Força Aérea Brasileira e do Exército Brasileiro. Ele acrescentou que há um compromisso de liberação anual de aproximadamente R$ 5 bilhões, o que, segundo sua avaliação, busca manter a continuidade dos programas estratégicos.
📌 Você também pode se interessar por
- Exército Brasileiro prevê investir R$ 300 milhões para recompor os estoques de foguetes de seus sistemas ASTROS
- Fraterno XXXIX: nova fragata Tamandaré da Marinha do Brasil deverá fazer sua estreia internacional no Mar Argentino
“Você tem razão. Defesa significa hoje alta tecnologia. São valores expressivos. O presidente Lula liberou em torno de R$ 30 bilhões para equipar as três Forças Armadas.”
Ao explicar como esses recursos se distribuem, Alckmin mencionou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), o programa FX-2 com o F-39 Gripen e projetos conduzidos pelo Exército Brasileiro. Nesse contexto, voltou a frisar que a previsibilidade orçamentária é um requisito para assegurar a execução dessas iniciativas.
“Essa previsão orçamentária já está comprometida. Vai ter uma liberação anual de R$ 5 bilhões. É importante isso para você garantir a continuidade.”
Exportações, BNDES e PROEX
Alckmin também apontou que a sustentabilidade da Base Industrial de Defesa passa pelo mercado externo, observando que uma parcela significativa do que o setor produz tem como destino a exportação. Dentro dessa lógica, citou a retomada das linhas de financiamento do BNDES e do Programa de Financiamento às Exportações (PROEX) como ferramentas para elevar a competitividade da indústria brasileira de defesa.
As falas, porém, surgem em meio a uma preocupação recorrente do setor com a execução do orçamento do Ministério da Defesa. Mesmo com valores previstos para programas estratégicos, a pasta voltou a sofrer contingenciamentos em 2026, reduzindo a disponibilidade financeira para diferentes projetos e reacendendo um debate frequente entre empresas da área: a necessidade de instrumentos que garantam previsibilidade orçamentária independentemente de bloqueios fiscais aplicados ao longo do ano.
Compra da Akaer pelo EDGE Group e ausência de resposta
Na sequência, Nicolaci questionou Alckmin sobre a aquisição integral da Empresa Estratégica de Defesa (EED) Akaer pelo EDGE Group, perguntando como o governo enxerga a transferência do controle de uma Empresa Estratégica de Defesa para um grupo estrangeiro, especialmente diante do discurso de fortalecimento da soberania tecnológica nacional.
Alckmin não respondeu objetivamente. Ele se limitou a dizer que o tema está no âmbito do Ministério da Defesa e que buscaria mais informações sobre a operação.
“Essa questão é da área do Ministério da Defesa, mas vou verificar.”
Depois disso, o vice-presidente passou a enfatizar a recuperação da Avibras Aeroco, afirmando que a empresa retomou suas atividades com capital nacional. Ele defendeu, ainda, que cabe ao Estado apoiar a iniciativa privada com previsibilidade e parcerias - e não assumir o controle das companhias.
“A Avibras não foi estatizada. É importante você ter a participação da iniciativa privada e estar com capital nacional. O governo não tem que ser dono de empresa, ele precisa ser parceiro, ele precisa ter previsibilidade, ele precisa apoiar o setor privado, especialmente em momentos mais difíceis.”
Logo após a declaração, Alckmin encerrou a coletiva e deixou o local, sem atender a novos questionamentos. Apesar de ter exposto a posição do governo sobre previsibilidade orçamentária e financiamento às exportações, permaneceu sem esclarecimento um dos pontos centrais hoje em discussão na Base Industrial de Defesa: quais critérios o governo federal pretende usar para avaliar a transferência do controle de Empresas Estratégicas de Defesa para grupos estrangeiros e quais mecanismos serão adotados para resguardar capacidades consideradas sensíveis para a soberania tecnológica brasileira.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário