Vocês acabaram de nos parar?
Pode até parecer que estamos bancando o “xerife” da estrada, mas isto aqui não é um interceptor de polícia: é o Ford Explorer Tremor, uma nova configuração do conhecido SUV médio pensada para tirar você do asfalto e colocar na rota menos óbvia. Ainda assim… sua impressão não está tão longe da realidade.
Conte mais.
Em termos bem diretos, o Explorer Tremor é uma espécie de Explorer ST “com granola”: ele parte da versão mais esportiva do SUV familiar e mantém o V6 3.0 biturbo EcoBoost de alto rendimento, com 400hp, além de componentes compatíveis com a proposta - como discos de freio mais parrudos.
O pacote Tremor acrescenta tempero fora de estrada: a suspensão é elevada em pouco mais de 2,5 cm (algo como 1 polegada), entram rodas de 18 polegadas com pneus de uso misto, proteções inferiores (skid plates) e um diferencial de deslizamento limitado - item exclusivo desta versão do Explorer.
No conjunto, a aproximação com o utilitário usado por forças de segurança é difícil de ignorar. A prova está nas luzes de LED integradas à grade, praticamente “emprestadas” da viatura.
A “tremorização” também vem com uma dose do chamado “tempero elétrico”: o laranja característico da família Tremor. E não é enfeite gratuito. Esses detalhes realçam pontos importantes, como os ganchos de reboque e a área da roda onde fica a válvula do pneu, para que você encontre tudo rapidamente quando precisar.
Isso está começando a soar como a versão Timberline do Explorer.
Na prática, é isso mesmo: ele assume o lugar dela. Com o Tremor virando a linha interna da marca para variantes mais robustas, a mudança faz sentido do ponto de vista de organização - e, para quem acompanha a gama, ajuda a não se perder.
Aproveitando, vale guardar mais um detalhe: o Tremor vem com o V6 EcoBoost citado acima, mas também pode ser configurado com o EcoBoost 2.3, menor. Por quê alguém escolheria? Pela economia: no ciclo combinado, ele entrega 23 milhas por galão (cerca de 9,78 km/l), contra 22 milhas por galão (cerca de 9,35 km/l) do V6. Uau, que diferença.
E por dentro, como é?
O “tempero elétrico” aparece com vontade na cabine, sempre sobre um interior preto - o único esquema disponível no Tremor. Com poltronas tipo capitão na segunda fileira e uma terceira fileira rebatível, o Ford Explorer Tremor leva seis pessoas com conforto razoável.
Na bagagem, são 16.3 cu ft (462 litros) atrás da última fileira; com a terceira fileira dobrada, chega a 46 cu ft (1,303 litros). Se a prioridade for carregar equipamento em vez de gente, o volume total alcança 85.3 cu ft (2,415 litros).
Na dianteira, o padrão Ford: poucos botões e comandos físicos, deixando a maior parte das funções de conveniência concentrada na tela sensível ao toque de 13.2 polegadas. À frente do motorista há um painel digital grande, ajustável e capaz de exibir instruções de navegação - desde que você use o sistema nativo.
Parece bem tecnológico. Funciona bem?
Recursos não faltam - e, no geral, são fáceis de usar. A interface da Ford aproveita bem a área da tela com janelas múltiplas e configuráveis. Em compensação, muitos aplicativos e ferramentas continuam escondidos na página principal de “aplicativos”.
O Google Maps integrado é um acerto, assim como o acesso à maior parte dos apps da Google Play, caso esse seja o seu ecossistema digital preferido. O Co-Pilot360 Assist 2.0 é item de série no Tremor, e isso também significa um conjunto completo de câmaras 360° para usar tanto no asfalto quanto fora dele.
Para chegar às aventuras, dá para usar a versão mais recente do BlueCruise, o sistema de assistência à condução sem as mãos da Ford. Essa atualização finalmente inclui mudanças automáticas de faixa - só que, apesar das nossas tentativas, não conseguimos fazer o carro trocar de faixa por conta própria. Fora isso, o funcionamento do modo sem as mãos foi tranquilo.
Já que estamos sendo exigentes: até há vários lugares para apoiar o telemóvel, mas nenhum deles oferece carregamento sem fio.
Os bancos do Explorer trazem massageadores bem fortes, que realmente ajudam em viagens longas de estrada… porém são barulhentos de um jeito incomum. A solução foi aumentar o volume do sistema de som B&O com 14 alto-falantes para tentar abafar o ruído.
Ah, que delicadeza.
A gente tem o direito de ser “princesa do banco do passageiro” entre uma expedição fora de estrada e outra, se der vontade.
Ele encara trilha de verdade?
Sim - desde que você não exagere na ambição. Em relação ao Explorer convencional, o Tremor oferece 8.7 inches de altura livre do solo (cerca de 22,1 cm), além de 23.5 e 23.7 graus de ângulos de ataque e de saída. No modelo padrão, esses ângulos ficam em 19.7 e 21.5 graus, respetivamente.
Dito isso, o Explorer Tremor encara terrenos bem mais castigados do que as outras versões, mas não chega perto do que modelos mais focados em trilhas conseguem fazer - mesmo dentro da própria família Tremor. A carroceria monobloco até se beneficia da maior altura, porém a limitação de curso de suspensão impede que ele vença obstáculos mais sérios.
Tanto que, quando um SUV grande “cai” de volta sobre as rodas, até o Expedition Tremor (de porte cheio) consegue ser mais suave na absorção. Por isso, as proteções inferiores de série são exatamente o tipo de item que você vai agradecer por ter.
O modo de condução dedicado ao fora de estrada é calibrado para maximizar a tração quando você precisa, seja em trechos de pedras ou em areia. Ao ativá-lo, a câmara dianteira fica ligada o tempo todo, com linhas-guia para ajudar a não colocar uma roda onde não deve.
Esse recurso - somado ao conjunto completo de câmaras - é valioso no terreno irregular. E o facto de o sistema não se desativar depois de certa velocidade o coloca à frente de outros carros com propostas semelhantes. Estamos a olhar para você, Toyota 4Runner.
E no asfalto?
O fôlego extra do V6 transforma este Explorer numa versão mais esperta do que você imagina, especialmente ao engatar o modo Sport para aproveitar toda a força disponível. Com isso, o Explorer Tremor acelera com facilidade em baixa e também responde bem em ultrapassagens na estrada.
Chegando perto do limite mais alto, porém, o motor começa a demonstrar cansaço - o que provavelmente explica por que a Ford limita eletronicamente a velocidade máxima a 113mph (cerca de 182 km/h), mantendo o carro na faixa em que ele é mais eficiente.
No fim das contas, o Explorer Tremor entende a própria missão: ser um veículo de aventura capaz de alternar, sem drama, entre trilhas moderadas e condução comum no dia a dia.
Qual é a mensagem final?
Se você estava à espera de um Explorer mais robusto - e deixou passar o Timberline - este é o seu momento. O Explorer Tremor pega os melhores atributos do ST e aplica tudo junto do hardware e do software fora de estrada para criar um SUV familiar de aventura que vai a quase qualquer lugar.
Com preço inicial de US$48,465, ele sai bem mais em conta do que o esportivo no topo da gama, embora pacotes adicionais empurrem facilmente o valor final para algo em torno de US$64,000.
No geral, o Ford Explorer Tremor é convincente pelo que entrega, mas não chega a ter aquele fator “uau”. Como um Explorer com mais aptidão para trilhas, ele faz essencialmente o que se espera. Ainda assim, se você passa tempo cuidando de uma propriedade grande ou costuma ir a locais um pouco além dos limites da civilização, o Explorer Tremor dá conta do recado - e continua a funcionar como um utilitário de uso diário, sem grandes concessões.
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