A punição de seis anos imposta ao ciclista Frederico Figueiredo, vice-campeão da Volta a Portugal de 2022, por anomalias no passaporte biológico, acabou revogada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), com base na amnistia associada à vinda do Papa a Portugal.
Suspensão e recurso no Tribunal Arbitral do Desporto (TAD)
O corredor, que em 2022 também foi rei da montanha e venceu uma etapa - além de ter terminado em terceiro lugar na edição de 2020 - levou a penalização aplicada pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) ao TAD, por meio de recurso apresentado em 10 de novembro de 2025.
Na decisão, o TAD deu provimento ao recurso e determinou o encerramento do caso. "Decide-se julgar procedente provado o presente recurso e, revogando-se a sentença recorrida", pode ler-se no documento assinado pelo árbitro José Joaquim Sampaio e Nora, que declara "amnistiadas as infrações imputadas ao recorrente pela prática das infrações disciplinares" e "extinto o processo disciplinar, cuja decisão final estava em recurso e que foi revogado, determinando-se o seu arquivamento".
Amnistia da JMJ e critérios de idade
Aos 35 anos, Frederico Figueiredo pediu a aplicação da Lei n.º 38-A/2023 de 02 de agosto, relativa ao perdão de penas e à amnistia de infrações, criada por ocasião da realização em Portugal da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). A norma abrange infrações praticadas por pessoas que tivessem até 30 anos na data dos fatos.
Essa condição se aplicava ao ciclista, tricampeão do Grande Prémio Joaquim Agostinho (2020-2022). Em publicação no Facebook, na qual sustentou sua inocência, ele indicou que as anomalias eram "referentes aos anos de 2018, 2019 e possivelmente 2020".
Carreira de Frederico Figueiredo e efeitos da sanção
Nascido em Lisboa e radicado em São João de Ver, no distrito de Aveiro, o escalador havia recebido suspensão de seis anos (quatro, agravados em mais dois) e teve pela ADoP anulados os resultados obtidos após 11 de agosto de 2018.
Profissional desde 2014, ele competiu pela Rádio Popular e passou três temporadas nos "axadrezados" antes de seguir para o Sporting-Tavira. Depois de se destacar na equipe de Tavira, que representou por quatro anos, transferiu-se em 2021 para a atual estrutura da Anicolor-Campicarn, onde permaneceu por quatro temporadas.
O TAD também determinou que a ADoP arque com as custas do processo, fixadas em pouco mais de 11 mil euros.
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