Lago Velence quase sem água e praias vazias
Neste verão, as faixas de areia do que já foi um destino muito procurado no Lago Velence, na Hungria, aparecem praticamente abandonadas. O sumiço dos visitantes é explicado pela mudança severa nas condições desse ambiente natural, que viu grande parte da água desaparecer com a alta das temperaturas.
Numa das praias de Velence, uma enseada rasa onde as crianças costumavam brincar virou um trecho de solo seco, tomado por algas.
Lago Velence: clima e gestão ambiental sob suspeita
Para especialistas e comerciantes da região, a combinação entre mudanças climáticas e falhas de gestão ambiental ajuda a entender a degradação do lago, localizado a cerca de 45 quilômetros de Budapeste, a capital húngara.
"Rezamos pela chuva, mas sabemos que todo o país enfrenta escassez de água", desabafou à agência AFP Gyorgy Simon, cuja empresa de turismo à beira do lago foi obrigada a suspender os passeios turísticos.
Turismo e pesca no lago em queda
Para negócios que tentam sobreviver, a principal fonte de movimento tem sido quem pedala os 33 quilômetros da rota ao redor do terceiro maior lago da Hungria - um trajeto que hoje contorna áreas que se transformaram em solo rachado ou em lama.
"Todo o sector turístico do lago está a sofrer, com a pesca desportiva a enfrentar o seu pior ano em décadas", disse Imre Palinkas, representante local da associação nacional de pesca MOHOSZ.
"O baixo nível da água também coloca o ecossistema do lago num estado extremamente vulnerável. Um evento climático adverso... pode levar ao colapso", acrescentou.
A Hungria está entre os países mais afetados por secas recorrentes na Europa Central e Oriental - um quadro que cientistas vêm alertando há tempo estar sendo intensificado e prolongado pelas mudanças climáticas associadas à ação humana.
Medições históricas e propostas para elevar o nível da água
Na semana passada, o OVF (Water Research Office) apontou 41 centímetros de nível d’água em Gardony, a maior cidade próxima ao Lago Velence, o menor valor desde o começo das medições em 1931.
Registros históricos indicam que o lago já secou completamente em outras ocasiões, a mais recente em 1866.
Entre as ideias discutidas para recuperar o nível da água estão despejar no lago efluentes tratados ou construir um canal caro até o Danúbio, que fica a cerca de 15 quilômetros.
Ainda assim, muitos especialistas alertam que trazer água de outras fontes pode mexer com o equilíbrio ecológico do lago, que é naturalmente alcalino.
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