Se você já ouviu o V8 6,2 aspirado da AMG de perto, sabe que ele não “ronca” - ele anuncia presença, como uma horda de vikings marchando rumo a Valhalla. É um daqueles motores que viram referência, então não escondo que encarei com certa desconfiança a sua aposentadoria e a chegada do substituto: um V8 5,5 totalmente novo, biturbo, estreando no S63 (com essa nomenclatura meio confusa, diga-se).
Ainda mais porque aqui a AMG resolve flertar com o “verde”. Sério? O novo chefe, Ola Källenius, colocou em cena algo chamado AMG Performance 2015 e diz que a meta é “reduzir continuamente o consumo de combustível e as emissões de novos modelos… sem abrir mão do valor central da marca: desempenho”. Na prática, o novo conjunto é 25% mais econômico (26,9mpg) e emite 30% menos CO₂ (impressionantes 244g/km), mas segue entregando 537bhp e cravando 0–62mph (0–100 km/h) em 4,4s, com uma velocidade máxima… bem, praticamente “um milhão” por hora.
Como fizeram isso? Diminuindo a cilindrada de 6.208cc para 5.461cc, adicionando dois turbos, usando combustão com spray guiado, injetores piezoelétricos, bloco do motor em alumínio e adotando tecnologia de quatro válvulas com comando de válvulas ajustável e intercooler ar-água. O programa de “eficiência controlada” da AMG também inclui gerenciamento inteligente do alternador, que usa energia cinética para recarregar a bateria, além do temido sistema start/stop. Nesta aplicação, o s/s registra a posição de repouso dos oito pistões e religa o motor injetando combustível na câmara de combustão do cilindro cujo pistão está na melhor posição. Inteligente, mas eu ainda não gosto. Nos modos ‘S’ (sport) ou ‘M’ (manual), o s/s fica sempre desligado. Melhor assim.
A transmissão multiembreagem de sete marchas da AMG foi acoplada ao novo motor pela primeira vez. Ela usa uma embreagem banhada a óleo para reduzir perdas por atrito e, no modo ‘C’, joga você direto na sétima marcha para maximizar a eficiência. Com 590lb ft (cerca de 800Nm) de torque entre 2.000 e 4.500rpm, dá para rodar assim o dia inteiro - mas, naturalmente, o melhor dela aparece no modo ‘M’, junto de um pé direito mais pesado. Como na versão supercharged do refinado Jaguar XJ, você simplesmente não acredita o quão rápido e preciso dá para tocar uma limusine desse tamanho. Não tem muito como melhorar.
A não ser que você esteja com o S63 Performance Pack. Ele aumenta a pressão de carga dos turbos para 1,3 bar, eleva a potência para quase 570bhp e o torque para 664lb ft (aprox. 900Nm), além de empurrar a máxima para 186mph (cerca de 299 km/h). Custa £8 mil a mais - mas, nesse nível estratosférico, seria até bobeira não escolher.
E o que vem depois para a AMG? Do jeito que está, mal dá para esperar para ver.
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