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Defesa

C-390 Millennium ganha força como alternativa para a Força Aérea da Bélgica na Farnborough 2026

Dois homens em trajes formais apertando as mãos em frente a um avião com bandeiras do Brasil e Bélgica sobre a mesa.
Neste artigo
  1. Declarações de Theo Francken sobre o C-390 Millennium na Farnborough 2026
  2. A evolução do transporte militar da Força Aérea da Bélgica e o Airbus A400M
  3. A “lacuna” de transporte tático e o papel de uma plataforma complementar
  4. Operadores do C-390 Millennium e expansão internacional do programa

Dando sequência à sua tradição de se firmar como um dos palcos mais importantes para anúncios relevantes da indústria aeronáutica e de defesa, a Farnborough 2026 voltou a reunir fabricantes, autoridades e operadores. Nesse ambiente, o C-390 Millennium passou a ser visto como uma possível alternativa para ampliar a capacidade de transporte da Força Aérea da Bélgica, após a reunião do ministro da Defesa belga, Theo Francken, com representantes da Embraer durante o evento.

Declarações de Theo Francken sobre o C-390 Millennium na Farnborough 2026

Depois do encontro, Francken ressaltou publicamente tanto o potencial da aeronave brasileira quanto o avanço do programa no mercado europeu. Nessa linha, ele afirmou: “Brasileiro por origem, mas com uma família europeia em rápido crescimento: Portugal, Países Baixos, Áustria, Suécia e a República Tcheca; a lista de operadores fica mais longa a cada ano”. Em seguida, o ministro destacou que “o C-390 Millennium cobre exatamente a lacuna que sentimos com demasiada frequência: uma robusta capacidade de transporte tático”, concluindo ao descrevê-lo como “uma aeronave notavelmente capaz”.

A evolução do transporte militar da Força Aérea da Bélgica e o Airbus A400M

As falas ganham peso quando se observa a transformação recente da aviação de transporte militar belga. Com a retirada de serviço dos tradicionais Lockheed C-130H Hércules, a Bélgica passou a concentrar toda a sua capacidade de transporte tático e estratégico na frota de Airbus A400M. O primeiro exemplar foi recebido em dezembro de 2020 e a última unidade entrou em operação em fevereiro de 2024, finalizando a dotação da unidade binacional estabelecida com Luxemburgo na Base Aérea de Melsbroek.

Essa estrutura conjunta reúne sete A400M belgas e um A400M luxemburguês, empregados de forma integrada.

Quando o último A400M foi incorporado, as autoridades belgas consideraram encerrado o processo de modernização do transporte aéreo militar. Na ocasião, a então ministra da Defesa, Ludivine Dedonder, definiu o A400M como “o avião europeu por excelência”, destacando sua versatilidade, capacidade de carga e desempenho tanto em missões da OTAN quanto em operações humanitárias. Assim, a frota combinada com Luxemburgo passou a somar oito aeronaves destinadas a sustentar as demandas operacionais dos dois países.

A “lacuna” de transporte tático e o papel de uma plataforma complementar

Ainda assim, as declarações recentes do atual ministro da Defesa sugerem que a frota de A400M talvez não atenda a todos os requisitos operacionais da Bélgica. Ao mencionar uma “lacuna” na capacidade de transporte tático, Francken indicou a necessidade de agregar uma plataforma complementar - e não de substituir os Airbus em serviço.

Nesse cenário, o C-390 Millennium poderia cumprir missões de transporte tático de menor porte, oferecendo uma opção mais flexível para determinados perfis de emprego e permitindo otimizar o uso dos A400M em operações que exijam sua maior capacidade de carga e alcance.

Operadores do C-390 Millennium e expansão internacional do programa

Atualmente, o C-390 Millennium já opera nas forças aéreas do Brasil, Portugal, Hungria e República Tcheca. Além disso, Áustria, Países Baixos, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Lituânia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão já escolheram o modelo para compor suas respectivas frotas.

Essa presença internacional em expansão - sobretudo entre países europeus e membros da OTAN - segue consolidando a posição do transporte tático da Embraer e pode favorecer sua avaliação em futuros planos voltados a reforçar as capacidades de transporte da Força Aérea da Bélgica.

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Mariana Figueiredo Nascimento

Engenheira eletricista e especialista em transição energética, com atuação em projetos de geração solar e eólica, armazenamento e integração à rede no Brasil. No newenergybrasil.com, acompanha tendências, políticas públicas e inovação em energias renováveis, com foco em eficiência, descarbonização e oportunidades para o mercado brasileiro.

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