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Teste completo do Suzuki Swift Sport 2020 com híbrido leve 48V

Carro compacto amarelo Suzuki Swift 4xBV exibido em showroom moderno com grandes janelas.

Cedinho demais para um facelift, não?

Considerando que o Suzuki Swift Sport só está à venda desde 2018, dá para dizer que 2020 parece um pouco cedo para uma reestilização de verdade. O que acontece aqui é mais um “amadurecimento” do Swift - como se ele tivesse trocado a energia adolescente por um ar mais comportado. A intenção é clara: parecer um hot hatch mais adulto.

O bom e velho apimentado da Suzuki ganhou um conjunto híbrido leve de 48V bastante pé no chão, pensado para baixar emissões e deixar a entrega de torque mais lisa graças a um motor elétrico de 10 kW. Com novas regras de emissões chegando, todo mundo está sentindo a pressão de um jeito ou de outro.

Ótimo, um empurrão elétrico - então deve ser bem mais rápido, certo?

Er… sem transformar isso numa planilha, mas há números interessantes aqui. O motor 1,4 litro a gasolina entrega 127 bhp e 173 lb ft, com o turbo enchendo a partir de 2.000 rpm. A Suzuki diz que, com a tecnologia Boosterjet, ele oferece desempenho equivalente ao de um 2,0 litros aspirado.

Mesmo com as baterias e a parafernália elétrica, o carro segue leve: 1.025 kg (a nova tecnologia adiciona só 15 kg), leva cinco pessoas e oferece 265 litros de porta-malas. O consumo de 50,1 mpg é impressionante e dá para alcançar na vida real, enquanto as emissões de CO₂ ficam em 127 g/km - contra 47 mpg e 135 g/km no modelo anterior, sem híbrido.

O sistema funciona com uma pequena bateria de íons de lítio de 48V sob os bancos dianteiros e um motor elétrico minúsculo no cofre, que substitui alternador e motor de partida. Isso permite um start-stop mais “estendido” (e ele liga e desliga bem suavemente), além de dar um reforço elétrico nas rodas nas acelerações, compensando o turbo.

Agora vem a parte ruim: com 9,1 segundos de 0 a 62 mph (0 a 100 km/h), o Swift é um segundo mais lento que o modelo anterior.

Mais lento? O que eles estão fazendo?

Bom, duvido que alguém na Suzuki tenha decidido “vamos deixar o Swift Sport mais devagar”. Mas o carro acabou caindo na mesma rede de regras de emissões que vai tirar o Jimny de linha em 2021, já que as marcas são multadas por emissões médias acima de certos limites. Essa “amansada” fez o Sport terminar com um 0–62 menos animado e com a já citada tecnologia mild hybrid.

E ao volante, como é?

Em movimento, o carro é meio nervosinho, quase como se procurasse buracos - e, em rua ruim (bem ao estilo do asfalto brasileiro), isso aparece. Chega muita informação da pista, e o volante fica bem vivo na mão. Nem tudo é útil, porém: parece que os engenheiros da Suzuki confundiram drama com teatro.

O Swift Sport sai forte das curvas, com o sistema híbrido leve preenchendo os “vazios” antes do turbo entrar e começar a cantar. Dá para trocar marchas com aquele “clac” gostoso (curiosidade: a nova alavanca tem curso 10% mais curto) e andar bem rápido; é um conjunto realmente competente - não há atraso do turbo e a aceleração cresce de forma progressiva.

O Swift Sport anda numa linha fina entre a economia “certinha” do Dr. Jekyll e a bagunça do Mr. Hyde, o que pode frustrar alguns. Em compensação, a suspensão não cai na dureza desnecessária e, na cidade, ele vira um esportivo simpático: sabe ficar tranquilo quando você não quer sair de cada semáforo como se fosse largada de GP.

Então, apesar de ele ser claramente swift (rápido), parece segurar um pouco a onda no “sport”. Existe uma dose de contenção aqui, com rodar agradável e sensação de carro bem plantado. Soa estranho reclamar disso, mas aquela beirada afiada que você espera de algo declaradamente esportivo é meio difícil de encontrar. O espírito de hot hatch continua, só que o carro está mais adulto. Talvez você não vá acordar cedo para atacar uma estradinha, mas ele deixa a rotatória do bairro bem mais divertida.

O Swift Sport é um ótimo “começo” para quem quer dirigir rápido. É acessível, não tem mordida nem susto - é a diferença entre modo Arcade e Simulation. Eu, pessoalmente, gosto disso: não quero me ver, do nada, rodando e parando de ré num barranco numa tarde de sábado.

E o que vem nele?

A Suzuki fez o possível para dar vida a um interior que, no fundo, é de um carro acessível. O padrão esportivo vermelho no topo do painel aparece de um jeito bem acertado, o volante de couro é gostoso de segurar, e os bancos “de corrida” te prendem firme pelas laterais. Ainda assim, os detalhes não escondem a central multimídia com cara de acessório retrô, embora ela traga Apple CarPlay e Android Auto.

A lista de segurança é farta: farol alto automático nos projetores de LED, assistente de permanência em faixa, monitor de ponto cego, câmera de ré, frenagem urbana, alerta de tráfego cruzado traseiro e reconhecimento de placas. O piloto automático adaptativo é bem-vindo e a entrada sem chave é um agrado.

O Swift Sport vem com o pacote tradicional de enfeites para parecer mais rápido, como escapamento esportivo, para-choques dianteiro e traseiro mais estilosos e um aerofólio discreto no teto. Há seis cores sem custo extra, mas dá para pagar mais por um conjunto de adesivos e faixas ou por um pacote com teto e retrovisores pretos.

O que mais eu preciso saber?

Parece um efeito colateral moderno (e meio ligado a testes de segurança tipo NCAP), mas os sistemas de assistência beiram o irritante. O Brake Support, em especial, é bem barulhento: continua apitando muito depois de você já ter “resolvido” a situação ou o perigo ter passado e ido embora. Dá para desligar, mas toda vez que você entra no carro ele volta ao padrão e te assombra de novo.

Da mesma forma, o mostrador digital no painel parece uma sobrecarga “legal” de informações nas primeiras oito vezes que você passa pelos menus, mas no fim ele é, em grande parte, pouco útil e um tanto gimmick.

Nem tudo é ruim - o Swift Sport é razoavelmente prático se você liga para isso: tem um porta-malas largo e um bom tamanho, tanto para bagagem quanto para passageiros.

Eu deveria comprar um?

Aí está o ponto. O Swift Sport não é barato - e, mesmo antes do híbrido, já não era exatamente pechincha por £17,999. Só que o novo aumento no preço pede respostas que esse carrinho não consegue dar, apesar do bom pacote de itens de série.

Vamos aos números: o Swift Sport sai por £21,570, mas, subindo um pouco, você pega um Volkswagen Polo GTI por £23,360 ou um Fiesta ST por £22,275. A Suzuki está chegando perigosamente perto de um patamar mais “nobre”.

Ou talvez você pense em ir para o outro lado e olhar um VW Up GTI por £16,540 - e, pensando um pouco fora da caixa, o Mini Hatch 3 portas Cooper na versão Sport é mais rápido até 62 mph e ainda te economiza cerca de mil libras.

Entendeu? O que era um hot hatch de entrada bem intrigante foi “capado” a ponto de você ter que realmente querer um para escolhê-lo em vez dos rivais. O que é uma pena, porque o Swift Sport é um carrinho bem acertado.

Score: 6/10

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