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Ogivas da Segunda Guerra Mundial no mar Báltico abrigam comunidades marinhas densas

Mergulhador registrando um cilindro de metal coberto por corais e mexilhões no fundo do mar.

Um estudo recente mostrou que ogivas da Segunda Guerra Mundial abandonadas no fundo do mar Báltico sustentam comunidades marinhas muito mais densas do que o leito ao redor.

O achado indica que armas antigas podem acabar funcionando como habitats raros em regiões onde os organismos marinhos têm dificuldade para encontrar superfícies sólidas para se fixar.

Vida marinha sobre ogivas

A cerca de 65 pés (20 metros) de profundidade, na Baía de Lübeck, ao longo da costa báltica da Alemanha, carcaças enferrujadas de ogivas exibiam uma camada espessa de crescimento biológico, enquanto o sedimento próximo permanecia relativamente pobre em vida visível.

Com base em vídeos obtidos por um submersível no local, Andrey Vedenin, do Senckenberg am Meer, registrou como os animais marinhos se concentravam sobre as estruturas metálicas.

A maior parte dos organismos se instalava no metal ainda íntegro, e não no material explosivo exposto, direcionando a colonização para as partes que ofereciam pontos de apoio mais estáveis.

Essa distribuição desigual levantou uma questão maior: por que esses vestígios tóxicos continuam abrigando comunidades tão densas? Esse enigma é explorado nas seções a seguir.

Vida densa nas ogivas

Ao avaliar nove ogivas, a equipa identificou oito espécies - em sua maioria epifauna, isto é, animais que vivem sobre superfícies submersas.

As imagens em detalhe mostraram vermes construtores de tubos como os principais dominantes nas carcaças, com anémonas, estrelas-do-mar, caranguejos e três espécies de peixes a contribuir para a cobertura visível.

Em média, as carcaças reuniam cerca de 4.000 organismos por pé quadrado, enquanto a lama nas proximidades tinha aproximadamente 760.

Pelos valores, as munições ficaram numa faixa semelhante à de superfícies duras naturais encontradas em outras partes da baía.

Veneno na pluma

A água recolhida ao lado de ogivas rompidas continha químicos explosivos em concentrações que se aproximavam ou ultrapassavam limites considerados perigosos para animais aquáticos.

À medida que o metal se degradava, compostos como o TNT escapavam para a água, formando plumas concentradas ao redor de cada fonte.

Uma das amostras chegou a 2,7 miligramas por litro, perto de níveis que, em testes de laboratório, são estimados como letais para parte da vida aquática.

Ainda assim, esses episódios não impediram a colonização intensa do metal - o que aumentou o enigma, em vez de o esclarecer.

Zonas tóxicas ficam sem cobertura

O contraste entre o metal e o recheio exposto era marcante, e ajuda a entender como a vida conseguiu persistir num ambiente tão adverso.

Os animais sésseis, que permanecem fixos, cobriam sobretudo a carcaça, a estrutura de transporte e os nichos do fusível, em vez do explosivo descoberto.

Estrelas-do-mar e caranguejos, raramente, atravessavam a superfície explosiva, mas o material amarelado permanecia, em grande parte, sem sobrecrescimento visível.

O padrão indicou que a água em contacto com o explosivo em dissolução se mantinha tóxica demais para que a maioria das criaturas conseguisse colonizar.

Armas despejadas no mar

Esses itens não eram sucata aleatória: tratava-se de ogivas de bombas voadoras V-1 descartadas durante a eliminação de armamentos no pós-guerra.

Até 1972, lançar explosivos indesejados ao mar foi uma prática suficientemente comum para que, mais tarde, países negociassem a Convenção de Londres.

Esse hábito deixou muitas zonas costeiras com remanescentes perigosos, cujas carcaças metálicas passaram décadas a enferrujar até se abrirem.

O que começou como um método de descarte acabou por criar estrutura acidental em lugares onde a estrutura se tornara rara.

Um fundo marinho empobrecido

Na Baía de Lübeck, o entorno oferecia pouca competição porque o fundo era composto principalmente por sedimento macio, e não por rocha.

A remoção histórica de blocos naturais para uso na construção civil reduziu os pontos de fixação estáveis - uma escassez regional que Vedenin comentou numa entrevista.

Períodos regulares de hipóxia (baixo oxigênio) também favoreciam um conjunto limitado de animais resistentes, em detrimento de uma comunidade mais rica e diversificada.

Com essas restrições, qualquer armação metálica estável tornava-se desproporcionalmente valiosa, mesmo liberando químicos na água.

Ecossistema se estende para fora

As carcaças não eram o único elemento relevante: outros trabalhos na Baía de Lübeck identificaram mudanças ecológicas que avançavam para o sedimento em volta.

Uma análise próxima observou que abundância e biomassa também aumentavam nas imediações de munições individuais, e não apenas sobre as suas superfícies.

A distância em relação aos objetos explicava a composição local com mais clareza do que os compostos explosivos no sedimento.

O resultado sugeriu que as estruturas metálicas influenciavam o “bairro” ao redor, e não apenas funcionavam como pequenas ilhas de crescimento.

Limpeza sem colapso

Remover as munições diminuiria um risco tóxico, mas também poderia eliminar um dos poucos habitats intensamente ocupados da baía.

Por isso, os autores defenderam que, ao retirar as bombas, se substitua por superfícies duras seguras, em vez de deixar apenas lama exposta.

Módulos de concreto ou a reposição de pedras poderiam manter espaço para fixação sem manter químicos explosivos no fundo.

A proposta não eliminaria todos os riscos, mas separaria o valor de habitat da fonte de perigo que o originou.

Perguntas após a descoberta

A colonização intensa esclareceu um mistério, mas tornou outro mais agudo: se os animais apenas estão presentes ou se, de fato, prosperam ao longo do tempo.

No sudoeste do mar Báltico, ao menos um composto explosivo apareceu em quase todas as amostras de água em outro levantamento.

Esse pano de fundo químico mais amplo ajuda a entender por que a equipa considerou improvável ver carcaças tão cheias.

“Estávamos preparados para ver números significativamente menores de todos os tipos de animais. Mas acabou acontecendo o oposto”, disse Vedenin.

Implicações para sistemas marinhos

As ogivas no mar Báltico mostram como a vida pode ocupar rapidamente até mesmo resíduos tóxicos quando esses resíduos fornecem algo que falta ao habitat.

Qualquer plano de limpeza tende a funcionar melhor se retirar o veneno e preservar a estrutura, tratando ecologia e segurança como partes do mesmo problema.


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