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Em paralelo às iniciativas do Exército Brasileiro para avaliar a fabricação sob licença de novos obuseiros L118 Light Gun, o Brasil avançou para uma nova etapa de testes voltada a comprovar a munição nacional 105 mm AE-BB (Alcance Estendido–Base Bleed). O objetivo do desenvolvimento é ampliar o alcance efetivo desses sistemas de artilharia ao reduzir a resistência aerodinâmica durante o voo.
Nova fase de testes no Campo de Provas de Marambaia
Os ensaios ocorreram em 8 de junho, na Linha de Tiro II do Campo de Provas de Marambaia, no Rio de Janeiro, e foram conduzidos pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx). Também participaram a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM), a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) e o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), entidades envolvidas em diferentes fases da evolução dessa nova munição.
Instrumentação e parâmetros balísticos avaliados
Durante a bateria de disparos, engenheiros militares e técnicos especializados utilizaram múltiplos recursos para confirmar os parâmetros balísticos do projétil. Entre os equipamentos empregados, destacou-se um radar Doppler, usado para medir a velocidade da munição ao longo da trajetória e confrontar os resultados com os valores previstos na etapa de projeto. Esses dados são essenciais para orientar ajustes e checar o comportamento real do sistema antes de finalizar o ciclo de desenvolvimento.
Além disso, o CAEx utilizou câmeras de alta velocidade para registrar o voo dos projéteis após cada tiro. As imagens e as medições reunidas permitem avaliar aspectos como a estabilidade em voo, a precisão e o desempenho balístico da munição, fornecendo evidências técnicas para a análise e uma eventual certificação.
Tecnologia Base Bleed na munição 105 mm AE-BB
A munição em desenvolvimento incorpora a tecnologia Base Bleed, um conceito aplicado a projéteis de artilharia que pode aumentar o alcance efetivo entre 20% e 35% ao diminuir a resistência aerodinâmica gerada na parte traseira do projétil, sem acrescentar empuxo. Para isso, um dispositivo instalado na base libera gases durante o voo, reduzindo o arrasto e permitindo atingir maiores distâncias sem elevar de forma significativa a carga propelente. Quando empregada com o obuseiro L118 Light Gun, essa solução pode ampliar o raio de ação e a capacidade de apoio de fogo das unidades equipadas com esse sistema.
Contexto: obuseiro L118 Light Gun e produção sob licença
O avanço da munição ocorre em paralelo às tratativas do Exército Brasileiro para adquirir e produzir sob licença o obuseiro AR Light Gun de 105 mm, da BAE Systems. Em fevereiro de 2025, tiveram início conversas técnicas para analisar a produção local; já em setembro do ano anterior, as duas partes aprofundaram negociações relacionadas à transferência de tecnologia e à fabricação em arsenais brasileiros. Nesse cenário, o amadurecimento de uma munição nacional de alcance estendido surge como um complemento natural para oferecer ao futuro sistema de artilharia uma solução desenvolvida especificamente para suas necessidades operacionais.
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