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CFMoto V4 1000 SR-RR: a superbike chinesa que entra na briga

Motociclista com roupa preta e azul em motocicleta azul e branca na rua de vila com casas de pedra.

Nem sempre o mundo das superbikes abriu espaço para “novos nomes”. Por muito tempo, parecia que a régua de desempenho tinha endereço fixo - e ele passava por fábricas japonesas que viraram referência com siglas que qualquer fã reconhece de longe: GSX-R, YZF-R1, ZX-R Ninja e companhia.

As europeias, como Ducati, BMW e Aprilia, levaram décadas para chegar nesse patamar. A virada mais clara veio só em 2009, quando surgiram dois foguetes que mudaram o jogo: a BMW 1000 RR e a Aprilia RSV4. De lá para cá, somadas à Ducati, elas passaram a ditar o ritmo.

Só que existe uma marca chinesa que encurtou esse caminho para poucos anos: a CFMOTO. Há um ano, escrevíamos que a superbike chinesa “ainda estava longe da produção” - e, pelo visto, não estava.

Casas europeias e japonesas tremem

A CFMoto voltou a levar ao EICMA - o principal salão dedicado às duas rodas - o motor V4 a 90º com números que, em 2024, fizeram muita gente em Bolonha, Hamamatsu e Noale levantar a sobrancelha: 209,2 cv às 14 500 rpm e 114 Nm às 12 500 rpm.

Até aqui, nada exatamente inesperado. Já tínhamos falado disso no ano passado. A diferença é que agora esse motor não apareceu sozinho.

O nome do conjunto é CFMoto V4 1000 SR-RR. A fórmula é familiar: duas asas dianteiras grandes, traseira alta no estilo das superbikes modernas, escape duplo Akrapovič e carenagens inferiores com visual agressivo.

Não é igualar, é competir

A CFMoto já conquistou o respeito que faltava. A maneira como Claudio Domenicali, CEO da Ducati, demonstrou admiração pela CFMoto V4 1000 SR-RR é prova disso.

A marca chinesa já vence nas categorias intermédias do MotoGP (ainda que a ciclística e os motores sejam fornecidos por terceiros) e tem sido um sucesso comercial, sobretudo com a conhecida CFMoto 450 MT.

É um recado direto para quem acreditava que performance extrema era exclusividade dos departamentos de competição. Não é.

Ainda sem qualquer confirmação oficial, não erramos muito ao antecipar que, dentro de poucos anos, vamos ver a CFMoto entrar no Campeonato Mundial de Superbikes.

Campeonato em que Miguel Oliveira vai competir pela primeira vez aos comandos de uma BMW M 1000 RR oficial já na próxima temporada. No bolso, leva dois vice-campeonatos nas categorias intermédias do MotoGP e cinco vitórias na classe rainha.

Voltando ao mercado e deixando a competição de lado, em Portugal e na Europa, isso pode significar o mesmo que já significou noutros segmentos: preços agressivos, performance de topo e um novo ciclo de concorrência que pode obrigar europeus e japoneses a rever políticas de preço.

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