Este é um protótipo
Este é um protótipo, então não vou me comprometer demais. Ainda assim, depois de uma volta rápida com um carro quase de produção, dá para dizer que o novo Hyundai i30 tem tudo para ser ainda mais competitivo do que o i40 - que a gente já comentou que gosta bastante.
O i30 mira em cheio o território do Ford Focus - ou, talvez, do Honda Civic - porque tem uma coisa que a Hyundai continua fazendo muito bem: deixar o cliente satisfeito com confiabilidade e garantia. E, mais recentemente, muita gente também ficou feliz com o jeito como os Hyundais estão ficando em visual e ao dirigir, o que vem rendendo resultados excelentes nas pesquisas de satisfação. Aquelas tabelas em que, por muito tempo, os japoneses dominavam.
E se eles já gostavam dos i30 antigos, este aqui vai impressionar de verdade.
Claro que esse não é exatamente o ponto. Ser mais bonito e mais gostoso de dirigir do que o i30 anterior é uma coisa. O que importa mesmo é encostar no nível dos melhores da categoria.
Há um motor diesel 128bhp, silencioso e solto, que ainda por cima passa abaixo da barreira de 100 g/km de CO2. Isso significa economia de combustível de fazer inveja, junto com um desempenho perfeitamente aceitável. O câmbio é preciso. A direção também, com a progressão e o peso na medida certa (na prática, dá para mudar o peso, mas quase não vale o esforço porque os modos são bem parecidos). Só que o volante não transmite muita sensação do quanto ainda tem de aderência.
A ergonomia é excelente. É um daqueles carros em que você entra, ajusta e sai dirigindo - você nem pensa nos bancos porque eles ficam no lugar certo e têm o formato certo. Nem macios demais, nem duros demais. Em vários rivais, eu me pego mexendo sem parar nos ajustes do banco, tentando achar uma posição confortável que nunca chega. No i30, o básico está muito bem resolvido.
E, além do básico, ele tem alguns detalhes bem acertados, como as vincagens bem desenhadas na carroceria e um painel caprichado, com boa iluminação e acabamento. Ele roda silencioso, embora na maior parte do tempo eu estivesse com quatro pessoas a bordo - e isso, em qualquer carro, tende a “assentar” a suspensão em velocidades mais baixas. Na estrada ele também se mantém bem tranquilo, ainda mais considerando que o meu era um carro bem inicial e esses costumam ter bastante ruído de vento. Só que era um dia movimentado e eu não consegui espaço para passar de 80.
Então é isso: não foi exatamente o jeito mais completo, “de teste de imprensa”, de avaliar um carro novo. Foi uma guiada inicial com um protótipo quase pronto. Nada de fazer curvas gritando pneu, nada de aceleração com pé embaixo. Só direção normal, do jeito que as pessoas usam no dia a dia. E, desse jeito, foi bem difícil achar defeito.
A única questão é que os preços ainda não foram divulgados porque, enquanto escrevo, faltam quatro meses para ele chegar às lojas. A gente ouve pessoas da Hyundai falando em “ir para cima” aqui. Eles precisam ter cuidado. Um Hyundai surpreendentemente caro é uma má ideia: Hyundai deveria ser sobre surpresas boas.
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