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Audi Q4 e-tron renovado: poucas mudanças, grande diferença

Carro SUV elétrico Audi Q4 Future azul exibido em showroom moderno com grandes janelas.

O Audi Q4 e-tron renovado mudou pouco no papel, mas exatamente no que precisava - e o resultado é claramente positivo.


Costumo repetir o velho ditado de que “em time que está ganhando não se mexe”. Mesmo assim, toda vez que pego ao volante um modelo recém-atualizado, chego a uma constatação parecida: ajustes pontuais, quando bem direcionados, podem transformar a experiência. Eles não alteram a personalidade do carro, mas lapidam o que já era bom desde o início.

É isso que se vê no novo Audi Q4 e-tron. Criado para ampliar (e “democratizar”) a presença elétrica da Audi, ele rapidamente virou um dos maiores acertos da marca - e hoje é, inclusive, o elétrico mais vendido da fabricante de Ingolstadt.

A atualização segue um raciocínio direto: em vez de recomeçar do zero um produto bem-resolvido, a Audi preferiu atacar o que realmente fazia diferença. Depois de dirigir o modelo nos arredores de Munique, na Alemanha, fica evidente que a decisão foi acertada.

Mudanças discretas por fora, salto grande por dentro

Se você não for especialmente atento aos detalhes, é bem provável que mal perceba as alterações visuais - e isso, na prática, não é um problema.

A maior parte das novidades externas aparece na frente. Ali, a grade - ou Singleframe, como a Audi chama - agora pode vir pintada na mesma cor do restante da carroceria. Junto disso, o para-choque foi redesenhado e, como opcional, pode receber acabamentos em preto brilhante para um ar mais esportivo.

Atrás, a lógica é parecida. As lanternas mantêm o formato, mas passam a adotar a tecnologia OLED da Audi. Por terem vários segmentos luminosos individuais, elas conseguem exibir diferentes assinaturas visuais, escolhidas pelo sistema de infoentretenimento - como já acontece, por exemplo, no novo Audi A5.

É na cabine, porém, que estão as mudanças mais relevantes. Quem já conhece os novos Audi Q3 e A5 vai reconhecer o caminho seguido pelos Q4 e-tron e Q4 Sportback e-tron atualizados. O principal destaque é o novo cockpit panorâmico, que combina um quadro de instrumentos digital de 11,9″ com uma tela central de 12,8″.

Mais abaixo, o console central também passou por uma revisão profunda. Além de ficar mais alto, ele abandona o plástico preto brilhante - um material conhecido por marcar fácil com riscos e por “colecionar” digitais.

Espaço para tudo e para todos

Como foi concebido desde o começo para ser 100% elétrico, sobre uma plataforma dedicada (MEB), espaço é um ponto em que o Q4 e-tron pode se orgulhar.

Mesmo na versão Sportback testada aqui - cuja linha de teto mais inclinada poderia, em tese, prejudicar o espaço interno - a sensação é de sobra. Um adulto com cerca de 1,80 m consegue viajar com conforto no banco traseiro, sem grandes concessões.

Naturalmente, quem procura o máximo possível de área útil ainda encontra vantagem no Skoda Elroq - que nós também já testamos e que divide as soluções técnicas com este Audi. Ainda assim, o Q4 Sportback e-tron passa longe de decepcionar, especialmente para quem quer uma proposta com posicionamento mais premium.

Eficiência impressiona

Se por fora a evolução é contida e por dentro as mudanças são grandes, as novidades do novo Audi Q4 e-tron não param aí. Elas chegam também ao conjunto de propulsão, agora mais eficiente do que nunca.

Apesar de manter as mesmas baterias de 63 kWh e 82 kWh, a Audi aproveitou a atualização de meio de ciclo para estrear um novo motor elétrico traseiro, mais eficiente.

A unidade dirigida aqui é, na minha visão, o verdadeiro ponto ideal da linha. Ela combina o motor traseiro de 210 kW (286 cv) com a bateria de maior capacidade e declara até 592 km (WLTP) entre recargas. E se na ficha técnica os números já chamam a atenção, ao volante eles conseguem surpreender ainda mais.

Ao longo de mais de 200 quilômetros, com as paisagens alemãs ao fundo, em nenhum momento senti que precisava dirigir “vigiando” a autonomia. Pelo contrário: o consumo oficial de 14,8 kWh/100 km não só é totalmente atingível como, em certas condições, dá até para fazer melhor.

Para isso, basta mexer um pouco nas aletas atrás do volante, que permitem ajustar a intensidade da regeneração - ou até parar completamente o veículo.

E quando a estrada encolhe?

Mesmo não sendo a versão mais forte da gama - posto que continua com a e-tron quattro performance, com 250 kW (340 cv) -, em nenhum momento senti falta de potência. As acelerações são fortes e, mais importante, o Q4 Sportback e-tron mantém aquela sensação de solidez que a gente costuma associar à Audi.

Claro, não espere o nível de envolvimento de um esportivo. Ainda assim, a direção tem peso bem calibrado, o chassi é previsível e o comportamento transmite segurança mesmo quando o ritmo sobe.

Já pode ser encomendado

O Audi Q4 e-tron atualizado já pode ser encomendado em Portugal, com preços a partir de 49 998 euros para a versão SUV e de 51 998 euros para a carroceria Sportback.

Independentemente da motorização, a diferença entre as carrocerias SUV e Sportback é sempre de 2000 euros. Veja todos os preços da gama:

Como mencionei acima, a versão que tende a fazer mais sentido para mais gente é a e-tron performance, que combina a motorização de 210 KW (286 cv) com a bateria maior, de 82 kWh, e promete até 592 quilómetros de autonomia (ciclo combinado WLTP).

Quanto aos rivais, a concorrência começa dentro de casa - isto é, dentro do próprio Grupo Volkswagen. Já citei o Skoda Elroq, cuja gama começa nos 36 851 euros e entrega mais versatilidade e mais espaço no porta-malas; e dá para incluir também o CUPRA Tavascan (começa nos 42 788 euros), que aposta numa imagem mais marcante e num comportamento dinâmico ainda mais esportivo.

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