Estudos, métodos e organização
Como você consegue ser uma aluna tão boa?
Eu acredito que virar uma boa aluna não acontece de um dia para o outro; é algo que se constrói com o tempo. Desde pequena, me ensinaram técnicas de estudo, disciplina e organização - e isso acabou virando uma base muito firme.
Além disso, ter a agenda sempre cheia me obriga a administrar melhor as horas do dia. Como faço várias atividades, aprendi a me concentrar no que é prioridade em cada momento e a tirar mais proveito do pouco tempo livre que tenho.
Claro que também tem um ponto incontornável: estudar bastante. Não existe atalho para isso. Só que também faz diferença estudar com método e descobrir um jeito que funcione para a gente. Para mim, pesa muito manter constância, não deixar tudo para a última hora e prestar atenção nas aulas. No fim, as notas acabam sendo o resultado de um trabalho feito dia após dia.
Quem é a Lua fora das competições
Quem é a Lua quando não está competindo, estudando ou ganhando prêmios?
A Lua é uma garota completamente normal - só que com uma rotina um pouco mais cheia do que a da maioria das pessoas da minha idade.
Quando eu não estou estudando ou competindo, provavelmente estou envolvida em outra coisa de que gosto. Eu adoro ficar com a minha família, estar com os amigos e aproveitar os momentos livres para fazer atividades que realmente me deixam feliz.
No fundo, eu continuo sendo a mesma pessoa. A diferença é que essas áreas fazem parte de quem eu sou, porque são interesses genuínos e me dão uma sensação de realização.
Como é a sua rotina e o que você mais gosta de fazer?
Meu dia a dia é bem organizado. Eu vou para a escola todos os dias e, em alguns deles, treino antes das aulas. Quando saio, tem dias em que vou ao conservatório e outros em que aproveito para estudar. No fim da tarde, tenho treino de patinação e, quando chego em casa, ainda separo mais um tempo para os estudos.
Eu não consigo escolher uma única atividade preferida. Correr me ajuda muito a esvaziar a cabeça nos dias mais puxados, tocar piano me traz calma, e estar com a minha família é indispensável. Acho que é justamente por gostar tanto de tudo o que faço que eu consigo sustentar esse ritmo.
Disciplina, curiosidade e equilíbrio entre tantas áreas
O que mais te define: disciplina, curiosidade ou vontade de experimentar coisas novas?
Acho que eu sou uma mistura das três, mas talvez a vontade de experimentar coisas novas fique um pouco acima das outras.
Eu sempre tive muita curiosidade para buscar desafios diferentes e entender até onde eu consigo ir. Ao longo da vida, testei várias atividades. Algumas não tinham a ver comigo, mas outras acabaram virando partes bem importantes da minha trajetória.
Depois entra a disciplina, que é o que me permite seguir e melhorar. Sem disciplina, seria impossível conciliar tudo o que eu faço. Então, se eu tivesse de escolher, eu diria que a vontade de experimentar abre as portas - e a disciplina me ajuda a passar por elas.
Há momentos em que você sente que tem “vidas demais” ao mesmo tempo?
Sem dúvida.
Tem dias em que eu sinto que deveria estar em vários lugares ao mesmo tempo e em que o cansaço pesa mais. Essa rotina nem sempre é simples, e eu também tenho limites como qualquer pessoa.
Mas eu aprendi a colocar os dias piores em perspectiva. Quando algo não sai como eu esperava ou quando estou mais cansada, eu tento lembrar que isso passa - e que vale seguir em frente porque eu gosto de verdade do que faço.
No dia em que alguma dessas atividades deixar de fazer sentido para mim, eu não vou ter problema em mudar de direção. Só que, hoje, todas elas contribuem para a minha felicidade.
Como você consegue manter o equilíbrio entre áreas tão diferentes?
A verdade é que eu nem tento equilibrar tudo ao mesmo tempo, porque isso não daria.
O principal é entender o que precisa ser prioridade em cada fase. Em época de provas, a escola naturalmente ocupa mais espaço. Quando tem uma competição importante, eu coloco mais foco nos treinos.
Claro que existem áreas que não dá para abandonar totalmente, mas eu vou ajustando o foco conforme o que o momento pede. Essa flexibilidade é o que me ajuda a manter algum equilíbrio e a impedir que os dias fiquem caóticos demais.
NASA, Space Design Competition e conquistas
O que significa para você representar a Europa na NASA?
É um orgulho enorme e uma felicidade difícil de colocar em palavras.
Essa competição é uma referência internacional, e não foi a primeira vez que eu participei. Então eu conheço bem o nível de exigência e a intensidade daqueles dias.
Conseguir chegar a esse resultado deixa tudo ainda mais marcante. É uma experiência que eu vou levar para a vida, e pela qual eu me sinto profundamente grata.
Se você pudesse levar uma coisa de Portugal para essa experiência, o que seria?
Provavelmente, pastéis de nata! Além de serem uma das coisas mais conhecidas da nossa gastronomia, seria um jeito divertido de dividir um pedacinho da cultura portuguesa com os outros participantes.
Há algo que ainda te surpreende em você mesma?
Sim. Ainda me surpreende o quanto eu consigo me adaptar a situações novas.
Muitas vezes eu aceito desafios sem saber exatamente como vai ser e, mesmo assim, acabo descobrindo que dou conta. Acho que essa capacidade de me reinventar e continuar aprendendo é algo que até hoje me pega de surpresa.
Você tem algum ritual antes de uma competição ou de um desafio importante?
Eu não sou muito de superstições, mas eu gosto de manter algumas rotinas.
Em geral, antes de competir, minha mãe penteia meu cabelo, eu passo um tempo com a minha família e tento visualizar o melhor cenário possível. Isso me ajuda a entrar mais tranquila e confiante.
Quantos prêmios você já recebeu e qual foi o mais prazeroso?
Sinceramente, eu já perdi a conta de quantos prêmios recebi ao longo dos anos.
Também é difícil escolher só um. Claro que vencer a fase europeia do Space Design Competition foi um momento muito especial, assim como a classificação para o Campeonato do Mundo de Skyrunning e a oportunidade de representar Portugal em uma competição desse porte.
Mas a verdade é que cada conquista tem um significado diferente. Algumas são o resultado de anos de trabalho; outras marcam etapas importantes do meu caminho ou lembram momentos que eu vivi com pessoas especiais.
Por isso, mais do que o prêmio em si, eu dou valor ao que cada um representa. No fim, todos refletem o esforço, a dedicação e o aprendizado que existiram ao longo do percurso.
Agora que você ficou “famosa”, de onde você tira tempo para entrevistas e aparições públicas?
Eu não me vejo exatamente como famosa. Eu encaro essa atenção da mídia mais como um reconhecimento do trabalho que venho fazendo.
Minha vida segue praticamente igual, e eu faço questão de manter o foco no que considero essencial: a escola, os treinos e os projetos dos quais eu participo.
É verdade que essas oportunidades tomam tempo e que os últimos meses foram mais intensos. Eu até precisei recusar alguns convites. Mesmo assim, eu sou muito grata por essas experiências, porque elas também têm me ajudado a crescer como pessoa.
Em quais projetos você está mais focada?
Agora, minha maior prioridade são as provas e a minha formação acadêmica.
Ao mesmo tempo, eu sigo muito dedicada ao esporte, principalmente à corrida e ao trail - modalidades em que eu quero continuar evoluindo e melhorando o meu desempenho.
Eu também estou bem envolvida com o Space Design Competition. É um projeto muito importante para mim e uma experiência que exige preparação, dedicação e trabalho em equipe.
Nesta fase, eu tento concentrar energia no que é realmente prioridade. Depois, no verão, eu espero conseguir separar um tempo para descansar, ficar com as pessoas de quem gosto e fazer coisas que me dão prazer, sem horários tão apertados e sem tantas obrigações.
Futuro, família, sonhos e música
O que você quer fazer profissionalmente? Ser astronauta?
Eu nunca tive um sonho muito claro de virar astronauta. Eu não era daquelas crianças que, desde cedo, dizia que queria ir para o espaço - mas a verdade é que o espaço sempre me fascinou e continua me fascinando.
Por isso, eu não descarto a chance de ter uma carreira ligada a essa área. Hoje, o que mais me atrai é a engenharia e tudo o que envolve resolver problemas, criar soluções e desenvolver projetos com impacto.
Ao mesmo tempo, eu gostaria de manter um lado de comunicação e de contato com as pessoas, porque isso também é algo de que eu gosto muito. Ainda é cedo para saber exatamente como vai ser meu caminho, mas eu acredito que o futuro vai passar por encontrar um jeito de juntar essas diferentes áreas que me interessam.
Que importância a família e os amigos têm no seu percurso?
Família e amigos têm um papel absolutamente essencial na minha trajetória.
Eu gosto de pensar que o esforço e a vontade de fazer as coisas vêm de mim, mas a verdade é que nada disso seria possível sem o apoio de quem está ao meu redor. São essas pessoas que me acompanham nas fases mais difíceis, comemoram as vitórias comigo e me seguram quando as coisas não dão tão certo.
Meus pais, em especial, têm sido incansáveis. Eles sempre apoiaram minhas escolhas e fizeram muitos sacrifícios para que eu pudesse aproveitar as oportunidades que apareceram ao longo dos anos.
Qual era o seu sonho de criança?
Quando eu era menor, eu queria ser cantora e bailarina.
Com o tempo, eu percebi que talvez essas não fossem as minhas maiores habilidades, mas eu continuo achando essa fase engraçada porque mostra como os sonhos mudam conforme a gente cresce.
Depois, surgiram muitos outros interesses e objetivos. Algumas coisas que hoje são importantes para mim nem existiam nos meus sonhos de infância. Elas foram aparecendo a partir das experiências que eu vivi, das pessoas que eu conheci e dos desafios que eu aceitei.
Eu acho que esse é um dos lados mais interessantes da vida: entender que nossos sonhos não precisam ficar definidos para sempre e que dá para descobrir novas paixões pelo caminho.
O que você quer continuar sendo, mesmo com tudo o que ainda vem pela frente?
Eu quero continuar sendo uma pessoa entusiasmada com a vida e com o que faz.
Eu gostaria de nunca perder a curiosidade, a vontade de aprender e a capacidade de me envolver de verdade nos projetos e desafios que eu escolho.
Se o seu dia ideal tivesse trilha sonora, qual seria?
Unwritten, da Natasha Bedingfield.
É uma música que me passa energia, motivação e bom humor quase na hora. Se o meu dia tivesse uma trilha sonora, provavelmente seria essa - repetindo sem parar.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário