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O novo Toyota Aygo inspirado em Astroboy

Carro vermelho Toyota em movimento na estrada sob céu azul claro.

Primeira impressão: “Isso parece legal, o que é?”

Por mais improvável que pareça, este é o Toyota Aygo totalmente novo. Ele é o primeiro a aparecer do trio de carros urbanos desenvolvido em conjunto pela Peugeot (108), pela Citroën (C1) e pela marca japonesa - e talvez seja também o primeiro automóvel a assumir, sem rodeios, que bebeu diretamente da fonte de um desenho animado japonês.

Um desenho animado japonês? Astroboy e o Toyota Aygo

Sim. David Terai, engenheiro-chefe do novo compacto urbano e envolvido com o Aygo desde 2008, contou à Top Gear que, quando era criança, adorava assistir ao desenho do Astroboy. "Quando eu era criança, ele era um herói para mim", diz ele. Na prática, Terai queria um Aygo com o espírito do Astroboy: algo simples e imediatamente reconhecível. Um carro inspirado no Astroboy. E isso é, sinceramente, uma grande ideia. O mundo poderia mesmo ter mais carros com inspiração em cartoons.

Então, como é o novo Aygo (o “Astroboy” da Toyota)?

Como dá para perceber pelas imagens, a parte superior é toda nova e a dianteira ganhou aquela cara em formato de "X", desenhada para materializar a filosofia "J-divertida" da marca (em que o "J" significa Japão). É um novo rumo de design em que a Toyota quer que o Aygo: (a) grite "Japão" para se destacar num mercado europeu cada vez mais concorrido; e (b) seja um pouco mais ousado do que a postura conservadora mais recente da empresa.

E há detalhes que reforçam isso - como o teto de dupla bolha. Além de aumentar a altura útil para a cabeça, esse recurso deixa o Aygo com um visual realmente marcante.

Dimensões, plataforma e acerto de suspensão

Por baixo da carroçaria, ele ficou 25 mm mais comprido e 5 mm mais baixo. O diâmetro de viragem é de 4,8 m, e a carroçaria ganhou mais pontos de solda para elevar a rigidez estrutural.

A Toyota - responsável pela engenharia e pela dinâmica dos três modelos do projeto - manteve a suspensão dianteira do Aygo anterior, mas recalibrou molas e amortecedores e aumentou a rigidez da barra estabilizadora. Atrás, o carro passa a usar um eixo de torção 3,3 kg mais leve do que antes, também com molas e amortecedores revistos.

A direção elétrica ficou 14% mais rápida do que no modelo antigo. Há caixa manual de cinco marchas e também uma manual automatizada de cinco marchas com relações um pouco mais curtas (e borboletas no volante).

Motor, consumo e emissões

O motor continua a ser o mesmo 1,0 litro de três cilindros, agora ajustado para ter um pouco mais de personalidade. Ele traz sistema start/stop, recirculação dos gases de escape, corrente de comando de baixo atrito (para reduzir perdas), 68 bhp, 70 lb ft de binário (um pouco mais do que antes) e emissões de 95 g/km de CO2 com a caixa manual e 97 g/km com a automatizada.

Em consumo, é possível chegar perto de 24,5 km/l. E pronto: é o único motor disponível.

Personalização e tecnologia a bordo

Dá para trocar peças de acabamento do interior (saídas de ar, moldura do seletor de mudanças, consola central e afins), mudar a cor do "X" no para-choque dianteiro e também do para-choque traseiro.

E, mesmo não sendo exatamente um item de personalização, vale destacar o ecrã tátil de 7". Ele sincroniza com telemóveis Android ou Apple, funciona bem e responde rapidamente aos comandos.

Na estrada: como o Aygo se comporta ao volante?

A maior diferença ao sair de um Aygo antigo e entrar neste novo é o conforto de rodagem e a sensação de serenidade a velocidades mais altas. Um ponto irritante da geração anterior era o barulho constante; agora, em estrada, o carro é bem mais silencioso a velocidades elevadas - rodar a cerca de 113 km/h resultou em níveis de NVH muito menores. Em outras palavras, já não é preciso conversar dentro do carro como se todo mundo estivesse de megafone na mão. E, sim, ele também ficou mais confortável.

E, se o ritmo apertar, ele continua divertido de conduzir. A direção entra rápido na curva - embora não tenha o vigor e o feedback contínuo que gostaríamos neste tipo de carro -, mas o chassis reage de forma previsível. Os pneus dianteiros estreitos começam a "escorregar" para fora quando se chega depressa ao limite. Em curvas rápidas e fluidas, você acaba mexendo bastante no volante, com pneus a chiar alto, e isso diverte. Por outro lado, há uma quantidade considerável de inclinação da carroçaria; de novo, uma postura mais plana faria bem.

A caixa manual passa uma sensação sólida, mas as relações são um pouco longas. Curiosamente, a manual automatizada soa mais desportiva - ainda que as trocas para cima sejam lentas e demoradas (já as reduções são excelentes e rápidas, com direito a uma pequena "acelerada" automática). E é preciso esticar cada marcha, porque ele não é o carro urbano mais rápido do planeta: 0–100 km/h em 14,2 segundos. Ainda assim, o motor tem carisma, então você não vai se incomodar em exigir dele.

Afinal, vale a compra?

Depende sobretudo do preço. E, bem… do novo Renault Twingo. Em termos de dinâmica, o Aygo é igual ao 108 e ao C1, mas ainda não guiámos o Renault de motor traseiro (fofinho até demais) e a suspeita é de que ele possa ser muito bom.

Os preços do Aygo ainda não tinham sido confirmados no Reino Unido, mas pode ser algo em torno de £9 mil quando ele chegar, em junho de 2014. A recomendação fica por conta do visual e da personalidade, além de uma condução agradável e confortável. A bola está com você, Renault.

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