Cápsula Integrity: reentrada do Orion quase a 40 000 km/h e novo recorde do Apollo-10
O veículo espacial Orion, da missão Artemis-2, com os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen a bordo, está a finalizar a sua viagem histórica após a passagem de retorno em torno da Lua. A última etapa do percurso de 1 118 624 km - a reentrada na atmosfera da Terra - é, ao mesmo tempo, a fase mais arriscada e a mais decisiva de toda a missão.
A cerca de 120 km de altitude, a cápsula do Orion, batizada de Integrity (Integridade, “Inteireza”), vai atravessar o topo da atmosfera a aproximadamente 40 000 km/h, ligeiramente acima do recorde do Apollo-10 (39 937 km/h). Isso equivale, em ordem de grandeza, a fazer a viagem de Nova Iorque a Tóquio em menos de 20 minutos. A cápsula seguirá para o local de amerissagem no oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, previsto para a noite de sexta-feira, 10 de abril de 2026, por volta de 20:07 EDT (11 de abril de 2026, 03:07, horário de Moscou).
Trajetória de retorno e ajustes finais
No dia 8 de abril, o Orion realizou uma manobra de correção: os motores foram acionados por 15 segundos, alterando a velocidade em 50 cm/s e garantindo que a trajetória de regresso ficasse dentro do esperado. A NASA informa ainda que o navio USS John P. Murtha, responsável por recolher a tripulação, já deixou o porto e segue para a área de amerissagem.
Ângulo de entrada revisto após a Artemis-1
O plano original previa que a cápsula entrasse na atmosfera numa espécie de “trajetória de quique”, semelhante a uma pedra a saltar sobre a água, para reduzir a velocidade de forma gradual. Porém, após a missão Artemis-1, quando o escudo térmico do Orion apresentou fissuras inesperadas, a estratégia foi reavaliada. Nesta missão, a Integrity vai entrar num ângulo mais íngreme, encurtando o período de exposição a temperaturas extremas e diminuindo o esforço imposto à tripulação.
Escudo térmico, plasma e interrupção de comunicações
O escudo térmico do Orion é formado por uma base de titânio-alumínio revestida por 186 blocos do compósito Avcoat, com 3,8 cm de espessura. Durante a reentrada, a temperatura ao redor da cápsula deverá chegar a 2 760 °C, e o veículo ficará envolto por uma nuvem de plasma, o que vai interromper temporariamente as comunicações com a Terra.
Paraquedas, desaceleração e operação de resgate
A 8 077 metros de altitude, serão abertos os primeiros paraquedas, reduzindo a velocidade da cápsula de supersónica para 523 km/h. Em 7 620 m, entram em ação dois paraquedas estabilizadores com 7 m de diâmetro; mais abaixo, a 2 896 m, serão acionados os paraquedas principais, com 35,3 m de diâmetro, que vão baixar a velocidade para menos de 32 km/h, permitindo uma amerissagem segura.
A retirada da tripulação começará imediatamente após a amerissagem: helicópteros da Marinha dos EUA estarão em operação 2 horas antes do horário previsto. As equipas de resgate já realizaram 12 exercícios de preparação, incluindo testes com um modelo da cápsula.
Um regresso lunar inédito desde 1972
Os integrantes da Artemis-2 serão os primeiros, desde a Apollo-17 em 1972, a regressar à Terra depois de um voo de ida e volta ao redor da Lua. O sucesso desta missão abre caminho para a Artemis-4, programada para 2028 e voltada para a volta do ser humano à superfície lunar, quase 60 anos após a última visita.
Novos detalhes sobre a reentrada e a amerissagem serão divulgados conforme as previsões meteorológicas forem refinadas e a trajetória continuar a ser monitorizada.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário