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NASA adia missão à Lua com astronautas do SLS para março após vazamentos de hidrogênio

Homem monitora lançamento de foguete espacial em sala de controle com janelas grandes.

CAPE CANAVERAL, Flórida (AP) - A aguardada missão da NASA rumo à Lua com astronautas não decola antes de março, após vazamentos de combustível de hidrogênio atrapalharem o “ensaio geral” do seu novo foguete gigante.

O contratempo repete um problema antigo: foi o mesmo tipo de falha que adiou a estreia do foguete Space Launch System (SLS) há três anos. Na ocasião, o primeiro voo de teste ficou paralisado por meses por causa de vazamentos de hidrogênio - um combustível altamente inflamável e perigoso.

“Na verdade, isso nos pegou de surpresa”, disse John Honeycutt, da NASA, na terça-feira, poucas horas depois de o teste ter sido interrompido de forma abrupta no Kennedy Space Center.

Até os irritantes vazamentos de combustível, a agência espacial trabalhava com a possibilidade de lançar já neste fim de semana, no que seria a primeira viagem humana à Lua em mais de meio século.

“Quando você lida com hidrogênio, é uma molécula pequena. É altamente energética e gostamos disso por esse motivo e fazemos o melhor que podemos”, explicou Honeycutt.

Vazamentos de hidrogênio no SLS e o impacto no cronograma

Segundo autoridades, o adiamento de aproximadamente um mês abre espaço para que a equipe de lançamento realize mais um teste de abastecimento antes de assumir o compromisso de enviar os quatro astronautas - três dos EUA e um do Canadá - para um sobrevoo ao redor da Lua. Ainda é cedo para cravar quando o ensaio de contagem regressiva poderá ser repetido.

Gestores indicaram que eventuais reparos em vedações deformadas ou danificadas, ou em outros componentes, provavelmente podem ser feitos na própria plataforma de lançamento. Já uma volta ao Vehicle Assembly Building tenderia a provocar um atraso ainda maior.

O que aconteceu durante o ensaio geral no Kennedy Space Center

Os vazamentos apareceram no começo da operação de carregamento na segunda-feira e voltaram a surgir horas depois, o que acabou travando os relógios de contagem regressiva na marca de cinco minutos. Os controladores queriam levar a contagem até 30 segundos, mas o hidrogênio escapando passou dos limites de segurança.

A NASA interrompeu repetidas vezes o fluxo de hidrogênio líquido, que estava a minus 423 °F (minus 253 °C), tentando aquecer a região entre o foguete e as linhas de abastecimento e, assim, recolocar no lugar qualquer vedação que estivesse frouxa. A estratégia não funcionou - e também não adiantou alterar o fluxo do hidrogênio, um tipo de ajuste que havia permitido ao primeiro SLS finalmente voar sem tripulação em 2022.

Tripulação, segurança e as próximas tentativas da NASA e do Artemis

Com a tentativa de lançamento adiada para não antes de March 6, o comandante Reid Wiseman e sua tripulação receberam autorização para sair da quarentena em Houston. Eles voltarão a entrar em isolamento duas semanas antes da próxima tentativa.

Em uma postagem na plataforma social X, Wiseman afirmou estar orgulhoso de como o ensaio geral ocorreu, “especialmente sabendo o quão desafiador era o cenário para nossa equipe de lançamento, fazendo um trabalho perigoso e implacável”.

De acordo com autoridades, o frio extremo no local do lançamento não contribuiu para os vazamentos de combustível nem para qualquer outro problema. Aquecedores mantiveram a cápsula Orion aquecida no topo do foguete de 322-foot (98-meter), enquanto a purga constante protegia o foguete e os sistemas de solo.

Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, reforçou que o Space Launch System é “um veículo experimental”, e que ainda há lições a aprender. Ele acrescentou que os longos intervalos entre testes de abastecimento e voos não ajudam.

“Só me lembro de novo que, faltando quase quatro dias e 40 anos para o Challenger, ninguém sentado em uma dessas cadeiras deveria estar chamando qualquer um desses veículos de operacional”, disse Kshatriya em uma entrevista coletiva.

A NASA tem apenas alguns dias disponíveis a cada mês para mandar a tripulação dar a volta na Lua - a primeira vez que astronautas voarão até lá desde 1972.

A missão, com duração de quase 10 dias, não prevê pouso e nem mesmo entrada em órbita lunar. A proposta é verificar o sistema de suporte de vida e outros sistemas vitais da cápsula, preparando o caminho para um pouso lunar por outros astronautas dentro de alguns anos.

Nos programas Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, a NASA enviou 24 astronautas à Lua. O novo programa Artemis busca explorar uma nova área - a região do polo sul lunar - e pretende manter equipes na superfície por períodos bem mais longos.

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