Nem todo renascimento de marca vem com um carro que realmente muda o jogo. Mas, depois da falência e da volta por cima, a Chrysler vem emplacando uma sequência de modelos “revisados” - e, na maioria das vezes, bem melhores - e o novo 300 é, mais do que nunca, um dos mais importantes que ela faz. Não só porque mantém a empresa viva no segmento de sedãs grandes do mercado americano, mas também porque vai aparecer pela Europa inteira este ano com outro nome: Lancia Thema (exceto no Reino Unido, onde continua sendo Chrysler). Vale prestar atenção no que está chegando.
E o que está chegando chama a atenção. Usando a mesma plataforma atualizada do novo e melhorado Dodge Charger, a Chrysler transformou o 300C de um “Bentley de mentirinha para quem tem pouco dinheiro” em um “Bentley de verdade para quem tem pouco dinheiro”. Se o carro atual tinha basicamente a estrutura certa para bancar o papel, este novo tem muito mais substância para sustentar a promessa.
Mais silencioso do que um submarino com os motores desligados e com um conforto de rodagem que faria um tapete mágico parecer duro, o novo 300 agora entrega aquela sensação de “navegar” típica de carro de luxo melhor do que modelos que custam 10 vezes mais. Ele recebe o novo motor Pentastar V6 3.6 de 291bhp, mantém uma versão retrabalhada do consagrado Hemi V8 5.7 de 363bhp e terá uma nova opção V6 a diesel quando chegar ao mercado do Reino Unido. Depois, vêm as versões SRT8 para arrancar suspiros - e talvez até o retorno do Magnum, se a Itália, fã de peruas, conseguir o que quer. Por enquanto, porém, a gama de motores atual já dá conta do recado.
O mesmo vale para o interior, que melhorou muito - muito mesmo. Uma grande tela central sensível ao toque de 8,4 polegadas funciona como a principal interface do motorista, e é uma aula de usabilidade. Nada de submenus intermináveis e milhares de opções: só botões grandes e claros, além de dois comandos giratórios para volume e temperatura. Some isso a um desenho de cabine bem pensado, com materiais e combinação de cores de bom nível, mais bancos enormes do tipo “vamos cruzar um continente agora”, e você tem um ambiente fresco e relaxante para ver os quilômetros passarem.
Onde esses modelos na especificação dos EUA desandavam era na direção. Zero sensação significava que manter o carro em linha reta virava um desafio, e acelerar o ritmo em curvas parecia tentar passar uma linha na agulha a uns 10 metros de distância. Mas é assim que eles gostam por lá. A boa notícia é que as versões europeias do 300/Thema terão ajustes totalmente diferentes de suspensão e direção, mais próximos - e provavelmente até mais firmes - do Charger mais preciso, com o qual compartilha o sistema de direção eletromecânica.
A outra grande mudança está no visual. Ele pode parecer, de modo geral, parecido com o carro atual, mas de perto o novo 300 é bem mais atraente. Há curvas mais discretas, encaixes de carroceria mais bem resolvidos e luzes de LED mais elaboradas na dianteira e na traseira. Ele mantém o mesmo “jeito” de sempre, só que com uma impressão final de algo muito mais premium e luxuoso.
E é isso mesmo.
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