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Teste do Renault Captur E-Tech: híbrido recarregável

Carro SUV elétrico Renault Captur E-Tech na cor laranja em ambiente interno com piso refletivo.

Para quem olha rápido no estacionamento, ele passa batido como “só mais um” Captur de segunda geração. Mas antes de dar aquela piscada de tédio, vale o aviso: não é exatamente isso. Ainda bem.

Quase nada no visual denuncia a diferença (tirando a tampa extra de recarga em um dos lados traseiros), porém este aqui é o Renault Captur E-Tech híbrido recarregável (plug-in).

Ah, eu já ouvi falar de E-Tech, não ouvi?

Ouviu sim. E-Tech é o sistema híbrido da Renault com inspiração na Fórmula 1, que combina dois motores elétricos com um motor 1,6 litro a gasolina de quatro cilindros e um câmbio automático de seis marchas.

Só que esse câmbio é o grande assunto aqui. Ele é um multi-mode do tipo “dog” e não tem embreagem, bem na linha dos usados na F1. O menor dos dois motores elétricos entra em cena para sincronizar a rotação do motor com a velocidade do carro e deixar as trocas suaves. E esse mesmo motor menor também dá a partida no motor a combustão quando necessário (mas apenas em movimento - ao ligar o carro, você sempre sai rodando em modo elétrico). É um sistema realmente engenhoso.

Parece interessante. Me conte mais…

Com prazer. O maior dos dois motores elétricos é quem traciona as rodas dianteiras - sozinho, ele faz cerca de 30 milhas (aprox. 48 km) a até 83 mph (aprox. 134 km/h), ou trabalha junto com o motor a gasolina dependendo do modo de condução escolhido.

Segundo a Renault, a central de controle bem esperta permite até 15 combinações diferentes de fonte de energia e relação. Esse câmbio sofisticado também não tem marcha a ré: a manobra para trás é feita apenas com eletricidade. A bateria é de 9,8 kWh e leva entre três e quatro horas para uma carga completa, graças a uma alimentação máxima de 3,6 kW.

Pode parecer tudo meio complexo, mas a Renault garante que é um conjunto com bom custo-benefício. Ainda assim, por £30.495, o E-Tech PHEV na versão S Edition custa cerca de £5.000 a mais do que um Captur 1.3 a gasolina de 128 bhp com especificação equivalente. Ai.

Como ele anda?

A primeira coisa a observar é que o E-Tech passa a ser o Captur mais potente disponível para compradores no Reino Unido. O sistema híbrido entrega, no total, 158 bhp e 257 lb ft de torque (aprox. 348 Nm), o que resulta em velocidade máxima de 107 mph (aprox. 172 km/h) e 0–62 mph (0–100 km/h) em 10,1 s.

Talvez isso nem pareça o dado mais importante aqui, mas basta colocar o Captur no modo Sport e a tela central mostra a imagem dele em uma pista. Ousado.

De toda forma, o modo Sport libera todo o potencial do conjunto. No dia a dia, você vai acabar usando mais o automático MySense, que ainda entrega aceleração razoavelmente linear, com menos “efeito elástico” de som do que aquele típico de híbridos com câmbio CVT. Pure é como a Renault chama o modo totalmente elétrico, enquanto E-Save permite rodar apenas com o motor (um tanto áspero) e guardar pelo menos 40% da carga elétrica para depois, pensando em uso urbano.

É um pacote bem pensado, e o Captur mostra isso no conforto e na dinâmica. Ele é um crossover, então não dá para chamar de empolgante, mas esta segunda geração é civilizada o suficiente e mais do que aceitável para a rotina.

Quais são as promessas de consumo?

Uma pergunta perfeitamente sensata. A Renault fala em 188,3 mpg e 34 g/km no ciclo WLTP - mas como isso é um PHEV, acaba virando uma resposta brilhantemente sem noção. No uso real, tudo vai depender de com que frequência você faz viagens mais longas que 30 milhas (cerca de 48 km). Pelo menos, vem um wallbox gratuito da BP Chargemaster.

E por dentro, como é?

Assim como por fora, quase não há diferenças em relação aos Captur com motor a combustão. Todos os E-Tech trazem a tela central vertical de 9,3 polegadas (frustrantemente pouco responsiva), além do painel digital de 10 polegadas e um carregador de celular sem fio no painel.

O porta-malas de 379 litros, porém, é um pouco menor do que nos Captur a combustão.

Considerações finais, então…

No geral, não é um híbrido plug-in ruim da Renault, mas é difícil escapar da sensação de que o conjunto E-Tech funciona melhor no Clio menor (e não-PHEV). A ausência de recarga rápida também decepciona um pouco - e, claro, tem o preço. O Captur padrão de segunda geração leva nota 6/10 na TG, então este aqui fica no meio do caminho…

5/10

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