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1.9 TDI PD: no mercado de usados dos EUA, procura e preços em alta

Carro prata Volkswagen sedã moderno exposto em ambiente interno iluminado com outro carro clássico ao fundo.

Dá para acreditar? Justamente no país onde estourou o Dieselgate - e onde carro a diesel nunca foi exatamente o queridinho do público - os TDI mais antigos estão virando objeto de desejo no mercado de usados. Sim: nos EUA.

Também achei estranho quando vi isso na Jalopnik, mas o movimento parece real e, como era de se esperar, os preços estão subindo. O motor por trás desse “retorno” tem nome e sobrenome: 1.9 TDI, especialmente nas famosas versões “PD” (Pumpe-Düse). Um projeto que nasceu no fim dos anos 90 e sobre o qual, por coincidência, eu tinha escrito um artigo bem longo não faz muito tempo.

Os motivos apontados para esse fenômeno são fáceis de entender. Num mercado como o norte-americano, onde a oferta atual de diesels leves praticamente sumiu, essa mistura de eficiência, mecânica relativamente acessível e consumo baixo virou raridade. E quando algo deixa de ser produzido, mas segue sendo procurado, o mercado reage.

A Jalopnik trouxe alguns exemplos que ajudam a enxergar o tamanho da coisa. Um Volkswagen New Beetle TDI com apenas 32 000 km foi vendido por 15 000 dólares (13 800 euros), quando zero km custava cerca de 18 425 dólares (16 950 euros). Em termos reais, descontando a inflação, não é exatamente um grande investimento. Mas também não é o tombo que se imaginaria num país onde, com esse dinheiro, dá para comprar muito carro com V8 “de respeito”.

No caso do Jetta TDI, os números chamam ainda mais atenção: uma perua com quase 200 000 km trocou de dono por 15 500 dólares (14 260 euros); um sedã com 82 000 km foi vendido por 18 000 dólares (16 560 euros). Valores no mesmo patamar de um Golf GTI usado nos EUA…

Não é um surto especulativo em massa - calma com as teorias da conspiração. É um nicho: carros originais, com baixa quilometragem e bem cuidados. Os TDI surrados continuam valendo pouco. Mas os bons começam a fugir daquela regra automática da depreciação.

Num mundo automotivo cada vez mais eletrificado e cheio de regulamentações, talvez o verdadeiro modern classic não seja o mais potente nem o mais raro. Talvez seja o último sobrevivente de uma época em que eficiência e simplicidade andavam juntas. Eu senti isso quando tive o meu saudoso Mercedes 190 W 201.

Aqui entre nós, aliás, acabei comprando um Classe E 220 CDI (W 210), de 1999, com apenas 190 000 km. Mas não contem para ninguém…

Fiquem de olho no nosso canal no YouTube. Até porque existe a chance de eu vender o carro em breve. Não sei se vocês têm o mesmo “problema” em casa, mas a minha esposa não me deixa ficar com tudo - e elas (quase) sempre têm razão.

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