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Um simples botão no volante do Nissan Qashqai faz toda a diferença

Carro SUV azul Nissan Qashqai One exibido em showroom moderno com luz natural.

Nunca imaginei que um simples botão no volante do Nissan Qashqai fizesse tanta diferença.


Não demora para perceber que o “novo” Nissan Qashqai passa longe de ser realmente novo. O carro das imagens é aquele facelift típico de meia-vida. E, no caso do Qashqai, esse tipo de atualização costuma ser um terreno sensível: ele é o modelo mais vendido da marca e, por isso, não existe espaço para errar.

Por essa razão, as mudanças de estilo ficaram principalmente nos detalhes - ao menos por fora. A traseira, por exemplo, segue com o mesmo desenho, com a única exceção do miolo das lanternas.

Na dianteira, porém, a atualização aparece de forma bem mais clara. Os faróis ganharam novo traço e a grade passou a usar um padrão tridimensional inspirado na armadura de um guerreiro japonês. Na guerra das vendas toda a ajuda conta:

Deixando os guerreiros japoneses de lado, o DNA do Nissan Qashqai continua mais europeu do que japonês. Desde a primeira geração, lançada em 2007, este SUV sempre foi pensado com a Europa como prioridade.

A fabricação segue em Sunderland, no Reino Unido. Somando tudo, já saíram de lá mais de quatro milhões de unidades. É praticamente a definição de “vender que nem pãezinhos quentes”, só que por um preço bem mais alto. Em Portugal, o Nissan Qashqai parte de 28 950 euros. Mas já vamos falar dos preços…

Detalhes que fazem (muita) diferença

Ao entrar, a sensação é familiar: a linguagem do interior permanece conhecida e o desenho da maior parte das peças não precisou de mexidas. Bancos, painéis de porta, volante e quase todos os comandos são os mesmos. Onde a diferença aparece, de verdade, é na qualidade dos materiais e no capricho da montagem. Esse é o primeiro de dois motivos que, como eu disse no título, fazem deste um dos melhores Qashqai que já dirigi. Falta descobrir o segundo

Nesta atualização, a Nissan foi além do básico e adotou acabamentos em couro e Alcantara - na versão Evolve -, sem uma discrepância marcante de acabamento entre a frente e a parte de trás, por exemplo. Na prática, o ambiente ficou mais refinado e o isolamento acústico foi tratado com mais cuidado, ficando quase livre de ruídos parasitas.

Não é surpresa que, em termos de espaço, nada tenha mudado - nem na cabine nem no porta-malas. No comando, a posição de dirigir é muito boa e os ajustes têm uma faixa ampla.

Para quem vai no banco traseiro, há um espaço ok para pernas e cabeça, mas ele não é exatamente uma referência do segmento. Eu digo isso do alto dos meus 1,85 m.

E para quem vive a rotina de cadeirinhas e mochilas sem fim, um detalhe vira grande vantagem: as portas traseiras agora abrem até um ângulo máximo de 85º. Além disso, as duas seções que formam o piso do porta-malas se mostraram bem úteis, já que permitem dividir de várias formas os mais de 500 litros de capacidade desse espaço.

Serviços Google

Tecnologia hoje é parte obrigatória do pacote e, no Nissan Qashqai, existe um trunfo importante: os serviços Google. Entre eles, navegação com imagens de satélite, assistente de voz, loja de aplicativos e mais. É só entrar com a sua conta para ter acesso às localizações favoritas, como no celular.

Para quem não curte esse tipo de interação, o sistema também aceita as conexões mais tradicionais com o smartphone via Apple CarPlay ou Android Auto. Tudo é feito pela tela sensível ao toque de 12,3”, que também é uma das novidades deste facelift do Nissan Qashqai.

Há ainda um conjunto de câmeras atualizado, voltado principalmente para manobras de estacionamento, capaz de gerar uma visão tridimensional do carro - ajuda que faz diferença, sem dúvida.

Um simples botão

O Nissan Qashqai 2024 também passa a trazer de série a grande maioria dos sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS). Parte deles, inclusive, vem por exigência das novas regras de segurança da União Europeia.

Nessa lista entram o assistente de permanência em faixa, o monitoramento de ponto cego, o cruise control com ajuste automático de distância e o alerta de velocidade. Eles ajudam muito - mas, às vezes, também irritam, não tem outro jeito de dizer.

Isso porque muitos desses recursos vêm acompanhados de avisos sonoros que podem se tornar incômodos (leia-se: profundamente irritantes…).

Por isso, para quem começa toda viagem abrindo menus para desligar parte dessas funções, vai uma ótima notícia: o Nissan Qashqai tem um botão de atalho no volante para desativar o que é acessório.

Sim, é um simples botão que leva às configurações do “Driver Assist Custom Mode”, mas que muda muita coisa. Este é segundo motivo que me faz gostar ainda mais do Qashqai.

Nesse modo “Custom”, dá para salvar todas as preferências ligadas aos assistentes de condução. Depois, no início de cada trajeto, basta apertar o botão, confirmar em “OK” e tudo fica do seu jeito - sempre.

Confortável e preciso

O Nissan Qashqai é daqueles carros que não lidera em praticamente nada, mas tem a capacidade de acertar em quase tudo. E isso aparece logo nos primeiros quilômetros ao volante.

A direção é leve, a maioria dos comandos é simples de usar, e a calibragem da suspensão - mesmo com rodas de 20” - entrega um bom equilíbrio entre conforto e comportamento dinâmico. Ao selecionar o modo de condução mais esportivo, a direção fica um pouco mais firme e o motor responde com mais prontidão, mas sem transformar de verdade a experiência.

Saudades dos Diesel?

Muita gente dessa faixa de clientes ainda sente falta dos motores 1.5 dCi que, por mais de uma década, foram a escolha número um no Nissan Qashqai. Podem secar as lágrimas…

Nesta gama, existem duas alternativas interessantes: o e-Power, para quem quer uma condução eletrificada, mas sem o risco de não ter uma tomada por perto; e a versão que eu testei, a 1.3 DIG-T a gasolina.

Em consumo, é natural que esse motor não tenha como bater o velho Diesel. A parte boa é que a diferença não ficou tão grande quanto eu imaginava no começo.

Os números divulgados pela marca variam de 6,3 l/100 km a 6,5 l/100 km. Dá para chegar perto, mas neste teste - em condições de «mundo real», com cidade, estrada, autoestrada, ar-condicionado sempre ligado e uma rotina em que o tempo parece estar sempre curto - o resultado final ficou em 7,3 l/100 km.

Eu conseguiria menos? Com certeza. Só não sou o tipo de pessoa mais dedicada a aliviar o pé direito.

Em compensação, em resposta e agilidade, este 1,3 turbo a gasolina - desenvolvido em parceria entre Renault e Mercedes-Benz - dá de 10 a 0 no Diesel antigo. Ele ainda tem um pequeno truque: um sistema mild-hybrid que oferece uma ajuda quando necessário, embora seja algo quase imperceptível.

No fim das contas, são 140 cv nas versões com câmbio manual (como a unidade testada) e 240 Nm de torque, sempre com tração dianteira. Se a escolha for o câmbio automático (CVT), a potência sobe para 160 cv. Números mais do que suficientes para o objetivo de um SUV familiar.

Equipamento recheado

O carro testado era o nível Evolve, com um visual um pouco mais esportivo e que é o segundo mais completo da gama. Já traz rodas de liga leve de 20” e bancos esportivos com revestimento em couro e Alcantara.

A cor mais diferente da carroceria - Deep Ocean - causou “teimosias” entre quem prefere azul e quem prefere verde. Ainda assim, foi uma escolha original e capaz de destacar as linhas de um modelo que, apesar da atualização, quase todo mundo já conhece.

Falando de preço: o valor base deste Nissan Qashqai 1.3 DIG-T, com câmbio manual e no nível Evolve, é de 36 500 euros. No caso da unidade ensaiada, somando pintura metalizada e teto panorâmico, além das despesas de emplacamento e pré-entrega, o total vai para 42 798 euros.

Se você não faz questão de ver as estrelas à noite enquanto dirige e aceita rodas menores, talvez valha a pena olhar para as versões de entrada. O pacote de equipamentos continua interessante - e o preço, mais ainda.

Veredito

Especificações técnicas

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