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Surto de hantavírus no MV Hondius no Atlântico: o que se sabe

Mulher cientista com jaleco e máscara analisa amostras em navio com microscópio e laptop ao ar livre.

O navio de expedição MV Hondius cruzava o Atlântico quando um vírus atingiu pessoas a bordo: três casos evoluíram para óbito. Um novo caso foi confirmado, e outras cinco pessoas ainda são consideradas suspeitas de infecção.

O agente envolvido pertence a um grupo pouco conhecido fora do meio médico, os Hantaviridae. Em condições habituais, eles não passam de uma pessoa para outra - ou, pelo menos, quase nunca, o que torna mais difícil explicar com clareza como o surto teria começado dentro do MV Hondius.

O que aconteceu a bordo do MV Hondius

A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, com destino à Antártica e a várias ilhas remotas do Atlântico Sul. Os primeiros sinais da doença surgiram durante a travessia.

Em 27 de abril, um passageiro britânico foi removido da ilha de Ascensão para a África do Sul, onde precisou de internação em terapia intensiva; ele continua vivo.

Outros dois passageiros não tiveram a mesma evolução: um homem de 70 anos morreu a bordo, e uma cidadã neerlandesa desembarcou em 2 de maio e faleceu pouco depois, em Johanesburgo. Ao todo, três mortes foram confirmadas pela OMS, embora as circunstâncias específicas de cada uma ainda não tenham sido completamente esclarecidas.

Situação do navio e investigação coordenada pela OMS

Desde domingo, 3 de maio, o MV Hondius permaneceu fundeado próximo ao porto de Praia, em Cabo Verde, após ter sua entrada recusada pelas autoridades locais, ainda com 147 pessoas a bordo.

De acordo com o jornal Le Figaro, a Espanha ficaria responsável por receber o navio, nas Ilhas Canárias. Enquanto isso, as autoridades de saúde, sob coordenação da OMS, tentam identificar o vetor da contaminação.

Hantavírus: o que são?

Em geral, os hantavírus têm os roedores como principais reservatórios, e a infecção ocorre quando a pessoa inhala partículas suspensas no ar contaminadas por urina, fezes ou saliva desses animais.

A doença costuma começar como uma gripe mais intensa e vem acompanhada de sintomas desagradáveis, que surgem entre 1 e 5 semanas após a exposição. Entre eles, estão febre alta, calafrios, dores musculares (com frequência nas costas e nas coxas), dor de cabeça e queixas digestivas como náuseas e vômitos.

Síndrome pulmonar por hantavírus (SPH) e gravidade dos casos

Algumas variantes - especialmente as que circulam na América do Sul - podem provocar a síndrome pulmonar por hantavírus (SPH), uma falência respiratória aguda causada pelo acúmulo de líquido nos pulmões. Esse quadro pode se transformar em insuficiência respiratória grave em poucas horas.

Se o vírus envolvido no episódio do MV Hondius realmente fizer parte dessa linhagem, isso ajudaria a entender a gravidade observada, mas a investigação ainda não confirmou esse ponto.

Por que a transmissão preocupa: roedores e a cepa andina

Do ponto de vista epidemiológico, ainda chama atenção que um surto assim tenha ocorrido dentro de um navio de expedição considerado mais premium. Hantavírus não costumam se espalhar nesse tipo de ambiente, o que sugere que provavelmente havia roedores a bordo. Uma possibilidade é que eles tenham entrado na embarcação durante alguma escala na Patagônia ou em um porto argentino - mas, novamente, não há certeza.

A principal preocupação das autoridades de saúde é que a fonte esteja ligada à cepa andina (vírus dos Andes), o único hantavírus conhecido por conseguir se transmitir de uma pessoa para outra, embora isso seja extremamente incomum. Em um navio, a proximidade entre passageiros poderia favorecer a disseminação, e por isso essa hipótese precisa ser verificada.

A OMS também considera que um ou mais casos podem ter sido adquiridos fora do navio, provavelmente na Argentina, um foco histórico do vírus dos Andes. Assim, pessoas que retornaram à embarcação poderiam ter infectado outras.

No momento, o sequenciamento do vírus está em andamento para determinar a qual cepa ele pertence e para confirmar ou descartar se houve, de fato, transmissão entre pessoas dentro do navio.

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