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Novo Dacia Duster: o melhor Dacia de sempre, embora com um potencial problema para o «primo» Renault Captur

SUV verde militar Duster 2024 em destaque dentro de showroom moderno e iluminado.


Desde que chegou ao mercado em 2010, o Dacia Duster deixou de ser “só mais um SUV acessível” e virou um verdadeiro fenômeno: já passou de 2,4 milhões de unidades vendidas.

Com esse histórico, era natural que a geração atual (lançada em 2017) começasse a mostrar sinais de idade - e a renovação do best seller era apenas uma questão de tempo.

Agora na terceira geração, o Duster ganhou um novo estilo, um novo interior e até uma nova plataforma, que lhe abriu o caminho da eletrificação. Mas será que apesar desta evolução continua a ser o «campeão do povo» que sempre se mostrou? A resposta no vídeo:

Mudou tudo

Atualizar um modelo tão bem-sucedido como o Duster exige sempre algum cuidado, porque a fasquia está alta e o objetivo é manter (ou até aumentar) o sucesso. A Dacia, porém, decidiu mexer em tudo, de ponta a ponta, deixando de lado a abordagem mais conservadora que costuma ser a regra nestas situações.

É verdade que as dimensões praticamente não mudaram, mas a estética é totalmente nova e aproxima-se bastante da do Dacia Bigster, o protótipo que antecipa o maior Dacia de sempre.

Está irreconhecível

Se por fora o Duster está bem diferente, é por dentro que se sentem as mudanças mais marcantes, com um salto muito relevante face ao que conhecíamos deste modelo.

Os plásticos mais duros continuam presentes, sim, mas a montagem transmite solidez e a organização do espaço está agora muito mais agradável. Ajuda muito o novo tabliê, com linhas bem horizontais e um ar que faz lembrar os jipes de outros tempos. Gosto disso.

Depois, é impossível ignorar a nova aposta tecnológica: instrumentação 100% digital com 7” e um ecrã multimédia de 10,1”, ligeiramente orientado para o condutor.

É certo que este primeiro contacto foi curto, mas o sistema de infoentretenimento pareceu-me muito fluído, rápido e intuitivo, com grafismos apelativos e fáceis de ler.

Mais espaço a bordo

Ao adotar uma nova plataforma, a Dacia prometia mais espaço a bordo no novo Duster, mesmo com dimensões praticamente inalteradas. E isso nota-se, sobretudo, no espaço disponível na segunda fila, que convence com clareza.

Destaque também para a bagageira, que cresceu: nas versões com maior volumetria são 474 litros de capacidade, além do espaço extra que existe por baixo do piso.

Uma «cama» sobre rodas

Mas se o que procura neste Duster é versatilidade, saiba que ele pode ter o Sleep Pack que já conhecemos do Jogger e que transforma o habitáculo numa cama de casal (que pode ser arrumada numa caixa de madeira em apenas dois minutos).

Além das barras de tejadilho modulares - que podem mudar de posição conforme as necessidades -, o novo Duster estreia uma grelha de tejadilho capaz de suportar até 80 kg de carga, algo que certamente será uma mais-valia para famílias mais aventureiras.

Nova plataforma, novas possibilidades

Uma das maiores limitações do Dacia Duster de segunda geração tinha a ver com a plataforma, já que assentava numa evolução de uma base antiga do Clio, para manter os custos sob controlo. Isso agora ficou para trás.

O Duster passa a usar a mesma plataforma CMF-B que vemos no Sandero e no Jogger e nos Renault Captur e Arkana. E isso abriu a porta a várias novidades importantes, começando pelas versões híbridas, ainda que as motorizações Diesel tenham sido abandonadas.

Também já é híbrido

A gama do Duster começa nas versões bi-fuel (gasolina/GPL), uma aposta que a Dacia quer manter e que tem ganho cada vez mais adeptos no mercado nacional, inclusive no universo empresarial.

Chamada ECO-G 100, usa um motor 1,0 l turbo de três cilindros, com 100 cv de potência máxima, e anuncia uma autonomia de 1300 km graças aos dois depósitos - 50 litros de gasolina e 50 litros de GPL - que traz de série.

Acima aparecem as versões TCe 130, com um 1.2 turbo de três cilindros associado a um sistema mild-hybrid de 48 V, com um pequeno motor/gerador elétrico e uma bateria de 0,8 kWh, para uma potência máxima de 130 cv.

Foi precisamente esta motorização - disponível apenas com caixa manual de seis velocidades - que testei neste primeiro contacto. E parece-me ser a escolha mais lógica para a maioria dos cenários, porque se mostrou sempre muito equilibrada e com consumos relativamente contidos, na casa dos 6 l/100 km (e por vezes até menos…), mesmo com bastante autoestrada pelo meio.

No topo está a variante HYBRID 140, já conhecida do Jogger, que combina um motor a gasolina de quatro cilindros (1,6 l e 94 cv) com dois motores elétricos (um de tração e outro de arranque/gerador) e uma bateria de 1,2 kWh, para uma potência combinada de 140 cv.

A gerir o conjunto está a já conhecida caixa multi-modo do Grupo Renault, sem embraiagem, com quatro relações para o motor térmico e duas para o motor elétrico de tração, que se combinam em 15 modos distintos.

Esta versão permite circular grande parte do tempo em modo 100% elétrico em cidade, o que tem um impacto muito positivo nos consumos: é possível conseguir consumos combinados abaixo dos 5 l/100 km.

E fora de estrada?

O Duster sempre se orgulhou de ser um dos modelos mais competentes fora de estrada no seu segmento. E nesta terceira geração esses trunfos foram reforçados.

Durante este primeiro teste na região espanhola de Málaga, tivemos oportunidade de o conduzir fora de estrada, num percurso com vários obstáculos, e é evidente a evolução por que o Duster passou.

Testámos o Duster TCe 130, o único que pode ter configurações 4×2 e 4×4. Esta última destaca-se por ter a maior altura ao solo do segmento (21,7 cm, mais 1 cm do que o 4×2) e ângulos de ataque (31º) e saída (36º) melhorados.

Tão ou mais importante é o facto de o sistema de infoentretenimento incluir informações específicas para utilização fora de estrada, mostrando em tempo real a inclinação lateral (passámos os 20º, como podem ver no vídeo em destaque), a inclinação em subidas e descidas e a distribuição de binário entre os dois eixos.

Também muito útil é a câmara multiview, que nos permite ver (em tempo real) tudo o que temos pela frente. Diria que é uma ajuda decisiva para colocar as rodas nos obstáculos mais complicados. E, sendo um opcional de apenas 400 euros (incluída no Pack Parking), torna-se, a meu ver, praticamente obrigatória.

Pisar muito sólido

As motorizações eletrificadas dão-lhe novos argumentos - os consumos baixos certamente vão ajudar a conquistar clientes -, e as capacidades todo o terreno deixam outras propostas (com ambições mais marcadas) numa posição desconfortável. Ainda assim, o que mais me impressionou neste novo Duster foi mesmo o «pisar» em estrada: muito sólido e sempre bem assente.

Tudo transmite robustez, os comandos têm um peso bem calibrado e o conforto de rolamento é muito satisfatório.

Se tiver de apontar defeitos a este Duster, há dois aspetos a melhorar. Por um lado, os bancos: apesar de oferecerem um ótimo encaixe, são algo firmes; por outro, os ruídos aerodinâmicos em autoestrada, que se fazem notar com facilidade.

Ainda assim, tenho plena noção do preço que a Dacia pede por este Duster, o que acaba por justificar por completo estes dois pontos, que nunca chegam a ser um problema.

É difícil pensar num negócio melhor

Uma parte enorme do sucesso do Duster sempre esteve no preço - e nesta nova geração não me parece que vá ser diferente. Com a particularidade de que, agora, a relação preço/qualidade está ainda mais forte.

Isto porque o Duster evoluiu muito em praticamente todos os capítulos, da imagem à tecnologia, sem esquecer o conforto, a segurança (recebeu muitos equipamentos de segurança e ajuda à condução) e o comportamento dinâmico. E continua com preços a começar abaixo dos 20 000 euros - fique a saber todos os preços do novo Duster.

O ECO-G 100, no nível de equipamento Essential, começa nos 19 150 euros, sobe para 24 050 euros no TCe 130 4×2 e chega aos 29 000 euros no HYBRID 140. Apesar de ser o Duster mais caro que pode comprar, continua com um preço muito competitivo face à concorrência.

A versão TCe 130, por 24 050 euros e disponível apenas nos dois níveis mais altos - Journey (mais conforto e tecnologia) e Extreme (mais aventureiro) - parece-me a opção mais equilibrada e interessante da gama. É um valor francamente bom. Mais tarde vai chegar uma versão mais acessível desta motorização, por 22 250 euros.

Por este preço, é difícil imaginar um negócio melhor.

As encomendas do novo Dacia Duster já estão abertas, e as primeiras unidades vão chegar a Portugal entre o final de maio e o início de junho.

Veredito

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