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Rolls Royce Wraith: avaliação completa

Carro esportivo azul da marca Rolls-Royce dirigindo em estrada cercada por vegetação verde.

Minha nossa.

Dá para dizer que o novo Rolls Royce Wraith provoca, quase sempre, dois tipos de reação: ou uma paixão automotiva meio desesperada, ou aquela cara de desdém acompanhada de um gesto a afastar o assunto. É um carro impossível de passar batido. Pode até não agradar - mas ignorar, nunca.

O que é o Rolls Royce Wraith?

Na essência, ele é um Ghost com duas portas. Só que há um “porém” enorme: a silhueta de cupê com a traseira em queda, ousada e um tanto tresloucada, muda completamente o jogo. A marca também o apresenta como o “Rolls Royce mais potente e tecnologicamente avançado já produzido”, mérito de uma versão revista do V12 6,6 litros biturbo da Rolls/BMW.

No Wraith, esse conjunto entrega 624bhp e 590lb ft (cerca de 800 Nm), empurrando este colosso de 2,4 toneladas até 62mph em 4,6 segundos (0–100 km/h em aproximadamente 4,6 s). A velocidade máxima fica limitada a 155mph (cerca de 250 km/h), embora seja tentador imaginar que a aerodinâmica de “porta de celeiro” possa segurar o ímpeto antes disso.

Design do Wraith: agradável, maluco e imponente

É isso mesmo: ele é absurdo - no bom sentido. E, sim, nem toda a gente vai concordar. O Wraith tem o mesmo porte do Ghost, ou seja, é realmente gigantesco, e a presença física impõe respeito. À primeira vista, o desenho parece simples e até brutal; mas, à medida que o olhar se habitua às proporções, aparecem camadas de detalhe escondidas por trás do impacto inicial.

Há janelas sem moldura, vincos e superfícies que “escorrem” de um painel para o outro, ancas largas e cavas de roda inchadas para acomodar uma bitola mais ampla. As tradicionais portas de abertura invertida continuam lá, e até a estatueta Spirit of Ecstasy no capô foi inclinada alguns graus para a frente para reforçar a sensação de intenção, por cima de uma grelha bem recuada.

A verdade nua e crua? É preciso vê-lo ao vivo. E, mesmo assim, ainda há hipótese de não gostar.

Ao volante: não é desportivo, mas pode ser épico

Sim, ele anda como prometem - só não do jeito que se imagina. No primeiro contacto, a sensação é de estar num Ghost com linha de teto mais baixa, uma acústica um pouco estranha e ângulos de visão diferentes. A passear, ele mantém o mesmo ar de Ghost (ou até um quê de Phantom), embora a direção tenha um pouco mais de mordida e a frente aponte com mais convicção graças à suspensão a ar recalibrada.

O motor é vigoroso, mas nunca histérico - na prática, lembra a forma como um Range Rover muito forte entrega desempenho. Ou um barco de alta potência. Só que, quando o ritmo sobe, o Wraith começa a ganhar um toque de grandiosidade.

Não, isto não é um carro desportivo: é grande demais, pesado demais e bom demais a rodar devagar. Ainda assim, conduzido “a sério”, vira uma diversão excelente - por mais esquisito que pareça. A receita é entrar lento e sair rápido: travar forte em linha reta, deixar a suspensão assentar a meio da curva e, na saída, despejar potência.

A caixa automática ZF de oito marchas com Satellite Aided Transmission (como no Audi A8) usa dados de GPS para manter a marcha certa para o que vem a seguir. E funciona. Sem patilhas, sem modos, sem complicação.

Se for guiado de qualquer jeito, sem cuidado, ele vai balançar, sair de frente e fazer o controle de tração trabalhar aos solavancos. Mesmo assim, avança com uma rapidez surpreendente, acompanhado por uma trilha sonora de V12 pesada e gemida. E você provavelmente fica com um ar muito fixe enquanto faz isso. Provavelmente.

Por dentro: luxo Rolls, tecnologia BMW

Por dentro, é aquilo que se espera de um Rolls: brilhante, marcante, cheio de “experiência”. Uma faixa envolvente de madeira de poro aberto atravessa a cabine, com veios espelhados de um lado ao outro. O couro é tão macio e untuoso que parece sentar numa massa de bolo.

A tecnologia vem toda da BMW, mas a forma como a Rolls integra tudo faz você esquecer: ponto de acesso Wi‑Fi, multimédia grande, controlador com touchpad, head-up display. E o carpete é tão profundo que dá para perder mordomos ali dentro.

Então ele é bom?

Ele é… único. Se você “entende” o Wraith, há boas hipóteses de ser o melhor carro do mundo. Se não entende, ele vira grande demais, macio demais, pouco sexy, brutal demais.

A Top Gear adora o Wraith. Já vendemos vários assistentes editoriais para a escravidão. Somos bem pouco moderados por aqui...

Preço e especificações

Preço: Aproximadamente £215,000

Motor: 6,592cc Biturbo V12, 624bhp, 590lb ft

Desempenho: 0-62mph em 4.6 segundos, 155mph (limitado), 20.8mpg (combinado), 317g/km

Transmissão: 8-Spd SAT auto, tração traseira

Peso: 2365kg

O veredito:

Uma interpretação atrevida e elegante do que significa ser um Rolls Royce moderno. Não é livre de manias, mas continua sublime.

Nota: 9/10

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