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Indústria automotiva muda de rumo: menos touchscreen, Diesel (Stellantis) e Range Extender Renault-Geely

Carro esportivo cinza metálico estacionado em ambiente interno com design moderno e rodas largas.

A indústria automotiva parecia caminhar, sem volta, para uma digitalização total: telas sensíveis ao toque gigantes, plataformas 100% elétricas, maçanetas embutidas e uma escalada de assistentes eletrônicos. Só que o vento virou. Regras de segurança, a paciência do público e sinais políticos estão empurrando as marcas para um ajuste de rota que privilegia mais praticidade e menos espetáculo.

Por que os touchscreens no carro entraram de vez na mira

Durante anos, a lógica foi simples: quanto maior a tela, mais “atual” o carro parecia. O display central tomou o lugar de botões, seletores giratórios e teclas físicas. Ar-condicionado, aquecimento dos bancos, modos de condução - quase tudo foi parar em menus e submenus. Na vitrine, o resultado era futurista; no uso diário, muitas vezes virou irritação e risco.

Prüforganisationen verlangen wieder echte Knöpfe – sonst droht das Aus für die begehrten Fünf-Sterne-Bewertungen.

A Euro NCAP, entidade europeia que avalia a segurança em testes de colisão, passou a elevar a régua: para alcançar as notas máximas, futuros modelos deverão voltar a oferecer uma quantidade mínima de comandos físicos. A crítica central é direta: quando o motorista precisa tocar na tela para qualquer ajuste, ele tira os olhos da via por tempo demais.

As consequências para os próximos lançamentos são amplas:

  • Funções básicas como setas, faróis, limpador de para-brisa, pisca-alerta, buzina e, em muitos casos, o controle do clima precisam continuar acessíveis sem “caça ao menu”.
  • As montadoras terão de revisar a lógica de operação e devolver mais sensação tátil aos comandos.
  • Interfaces somente por toque ficam especialmente pressionadas em carros de entrada e modelos familiares.

Curiosamente, as marcas premium não reagem de forma igual. Enquanto alguns carros de luxo insistem em painéis quase totalmente digitais, outras fabricantes estão apostando em fórmulas híbridas - instrumentos analógicos clássicos, por exemplo, combinados com botões multifunção no volante.

Diesel continua - e a Stellantis é peça-chave

Ao mesmo tempo em que a discussão sobre comandos ganha força, um tipo de motorização vive um retorno discreto: o Diesel. Justo quando ele parecia politicamente “encerrado”, o grupo Stellantis (que reúne, entre outras, Peugeot, Citroën e Opel) voltou a defender o motor a Diesel de maneira explícita.

A Stellantis pretende não apenas manter sua oferta de Diesel para clientes particulares, como também ampliá-la pontualmente. O argumento é pragmático: em veículos pesados e usados em trajetos longos, a vantagem de consumo ainda seria muito grande.

Während viele Hersteller vom Diesel abrücken, sichert sich Stellantis bewusst eine Marktlücke – vor allem bei Vielfahrern und im ländlichen Raum.

Em paralelo, a política europeia suavizou um pouco o tom. A data originalmente rígida para o fim de novos veículos a combustão em 2035 vem sendo debatida com mais nuances. Os combustíveis sintéticos entram nessa conversa. O setor lê isso como um sinal de que apostar só no elétrico, de forma exclusiva, não é uma lei da natureza.

Da plataforma exclusivamente elétrica à solução flexível

Muitas montadoras investiram em arquiteturas pensadas apenas para carros elétricos. Agora, começa um reposicionamento. Um exemplo de destaque é a cooperação entre Renault e Geely: as duas empresas trabalham em um sistema que integra um pequeno motor a combustão a um veículo elétrico para estender a autonomia - o chamado Range Extender.

Na prática, isso implica:

  • Carros elétricos passam a poder receber, como opção, um motor auxiliar compacto para viagens mais longas.
  • As plataformas ganham modularidade, e os “dogmas” técnicos perdem espaço.
  • O comprador encontra mais alternativas entre 100% elétrico, híbrido e diferentes soluções intermediárias.

Essa busca por flexibilidade também responde a realidades de mercado muito distintas. Em grandes centros urbanos, com rede de recarga mais densa, um elétrico puro funciona bem. Já em áreas rurais, no uso com reboque ou em deslocamentos longos de ida e volta, a combustão segue atraente. A ideia de um padrão único deixa de fazer sentido.

Volta dos botões e queda das maçanetas embutidas

A mudança de mentalidade não se limita ao painel. Truques de design que, até pouco tempo, pareciam obrigatórios estão perdendo força rapidamente. As maçanetas embutidas, por exemplo, são vistas como elegantes e ajudam na aerodinâmica, mas no dia a dia podem gerar dor de cabeça: travam, congelam no inverno e podem dificultar o trabalho de socorro em emergências.

Ein Trend aus dem Premiumsegment kippt: Standardtürgriffe gelten wieder als sicherer und zuverlässiger.

Fabricantes chinesas, em especial, que haviam popularizado esse tipo de maçaneta de forma agressiva, já começam a recuar. Muitos modelos novos voltam a adotar puxadores tradicionais, fáceis de agarrar. Segurança e uso real acabam vencendo a “performance” de vitrine.

Retorno das minivans e dos compactos urbanos mais simples

Em paralelo, reaparecem tipos de carro que muita gente já tratava como peça de museu: a minivan clássica e o carrinho urbano sem pretensão de luxo. A Citroën, por exemplo, trabalha numa interpretação moderna de uma minivan compacta com clima de anos 1990: mais espaço, posição de dirigir alta, interior versátil - em vez de SUVs “pseudoesportivos” com janelas estreitas e rodas enormes.

Ao mesmo tempo, uma ideia vinda do Japão retorna em versão simplificada: veículos bem pequenos no espírito dos chamados Kei Cars. Eles tendem a ser:

  • curtos e estreitos, ideais para centros urbanos apertados;
  • tecnicamente mais simples;
  • às vezes com sistemas de assistência menos complexos, para reduzir custos.

O foco recai sobretudo em motoristas jovens, moradores de cidade e frotas de carsharing, para quem a prioridade é praticidade - não status. A promessa é aliviar trânsito, a busca por vaga e o consumo de energia, como contraponto aos SUVs gigantes.

Do hype ao contra-hype: montadoras corrigem os excessos

Por trás dessas decisões pontuais, existe um padrão: o setor percebeu que exagerou em vários pontos. Telas enormes, carrocerias cada vez mais volumosas, vidros menores, rodas grandes sem necessidade - muita coisa foi feita mais para impressionar do que para funcionar no cotidiano.

Nach Jahren des Hypes rückt die Autowelt einen Schritt näher an den Alltag ihrer Nutzer heran.

Áreas que voltam a ganhar atenção com mais força:

  • Visibilidade para fora: janelas estreitas, linha de cintura alta e colunas largas pioram a visão ao redor.
  • Conforto: rodas grandes chamam atenção, mas reduzem o conforto de rodagem e encarecem danos em pneus.
  • Design interno: linhas rígidas e angulosas passam modernidade, porém muitas vezes deixam o ambiente frio e pouco acolhedor.

Muitos consumidores também criticam uma espécie de “gentrificação do carro”: tudo fica mais caro, mais complexo e mais distante. Quem só quer ir do ponto A ao ponto B sente que não é mais o público-alvo. A nova direção tenta reduzir essa distância.

A tecnologia segue avançando - só que com menos espetáculo

Mesmo com a volta de botões e soluções mais simples, o progresso técnico não parou. Por trás das telas, sistemas de assistência, sensores e software continuam evoluindo. O caminho para a condução altamente automatizada segue em frente, mas parece menos direto do que se previa alguns anos atrás.

Regras, responsabilidade legal e aceitação social freiam o avanço pleno de robotáxis. Por isso, as montadoras dão mais peso a degraus intermediários: assistente de permanência em faixa, estacionamento automático, “piloto” para congestionamento. O motorista continua responsável, mas com ajudas cada vez mais poderosas.

O que isso significa, na prática, para motoristas na Alemanha

Para quem compra carro na Alemanha, a experiência ao volante deve mudar de forma perceptível nos próximos anos. Alguns pontos já se desenham:

  • Novos modelos tendem a recuperar mais interruptores tradicionais para funções essenciais.
  • A oferta de motores - de Diesel a híbridos e 100% elétricos - deve permanecer mais ampla do que se imaginava.
  • Veículos mais simples e baratos podem voltar a ter protagonismo.

Quem está planejando um carro novo, portanto, não deveria olhar apenas para polegadas de tela e recursos de software, mas fazer testes bem básicos: dá para ajustar a temperatura sem olhar? As maçanetas e os comandos ficam à mão? O carro é realmente confortável - ou só causa impacto nos primeiros minutos?

Muitos termos que circulam em catálogos e feiras soam obcecados por tecnologia, mas descrevem questões muito práticas. Um “Range Extender”, por exemplo, é essencialmente um pequeno motor a combustão que atua como gerador para recarregar a bateria enquanto o carro roda. Para quem pega estrada com frequência, isso pode mudar bastante a rotina, sem que o veículo necessariamente se comporte como um híbrido tradicional.

O que vai pesar é o quanto as fabricantes vão levar essa “volta ao chão” a sério. Acrescentar meia dúzia de botões não resolve sozinho. A demanda é por carros que juntem o digital ao bom senso - e que coloquem o motorista no centro, e não o próximo hype de software.

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