Avanços no estaleiro de Dalian e montagem por módulos
Novos registros de imagem, divulgados após os relatos de janeiro que permitiram reconhecer a colocação da quilha, voltaram a evidenciar o progresso mais recente na construção do quarto porta-aviões da Marinha da China, identificado como Tipo 004. Nas fotos, é possível notar que o construtor está empregando guindastes pórtico para posicionar novas seções do casco.
De acordo com a descrição que acompanha esse material, os estaleiros de Dalian já estariam trabalhando com módulos da proa e também com os hangares laterais, um indicativo do ritmo acelerado com que o Gigante Asiático vem tocando o programa.
Propulsão nuclear do porta-aviões Tipo 004 e o que isso pode significar
Vale lembrar que o Tipo 004 tem sido apontado como o provável primeiro porta-aviões sob controle de Pequim a contar com propulsão nuclear. Embora não exista confirmação oficial, analistas locais e fontes de inteligência de código aberto (OSINT) passaram a sugerir que alguns elementos observados no que foi publicado até aqui permitiriam reconhecer uma estrutura destinada a acomodar o reator - algo que já aparece em projetos equivalentes da contraparte norte-americana.
Caso essa hipótese se confirme, o avanço teria grande peso técnico por ajudar a contornar limitações próprias de um sistema a diesel. Esse tipo de propulsão condiciona a operação dos três primeiros porta-aviões chineses à necessidade de contar com navios de reabastecimento ou, alternativamente, à proximidade de portos que viabilizem o procedimento.
Além disso, seria um marco relevante para a indústria naval do país: a China poderia se tornar o primeiro Estado não ocidental a conseguir levar adiante, com sucesso, a fabricação de um porta-aviões nuclear - uma capacidade que, até agora, apenas Estados Unidos e França podem reivindicar.
Planos de longo prazo da Marinha da China até 2035
Em paralelo, o avanço rápido na linha de montagem também conversa com objetivos de longo prazo da Marinha da China, que buscaria ampliar de maneira expressiva o número de porta-aviões disponíveis para consolidar a sua capacidade de projeção global.
Nessa direção, o Pentágono tratou do tema em seu relatório mais recente ao Congresso dos Estados Unidos sobre novidades e tendências relacionadas à China e às suas capacidades militares. No documento, é indicado que Pequim procuraria incorporar até seis novos porta-aviões até 2035; somados aos navios já existentes, isso resultaria em uma frota de nove unidades desse tipo.
Comparação com a US Navy e o programa da classe Ford
Diante da comparação inevitável com a Marinha dos Estados Unidos e o seu próprio programa de construção dos porta-aviões da classe Ford, vale registrar que foi divulgado recentemente o início das provas de mar do futuro USS John F. Kennedy, o segundo navio da série.
Trata-se de um marco importante dentro de um processo de construção que, contudo, já foi descrito como atrasado: a incorporação estava prevista originalmente para ocorrer há dois anos, enquanto agora a expectativa é que isso aconteça em 2027. Para os próximos navios, a força pretende diminuir esses atrasos com base nas lições aprendidas na instalação das novas catapultas eletromagnéticas EMALS, do sistema de recuperação AAG, de um novo desenho da ilha e de uma arquitetura elétrica revisada.
Imagens utilizadas a título ilustrativo
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