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Teste do Jaguar I-Pace Black Edition: 750 km entre Lisboa e Covilhã

Carro elétrico preto Jaguar I-PACE BE exibido em showroom moderno com janelas grandes.

Desde a estreia em 2018, o Jaguar I-Pace se consolidou rapidamente como um dos elétricos mais gostosos de guiar.

Com o avanço do tempo, a concorrência cresceu em quantidade e força - e, para garantir que seu 100% elétrico continuasse “em forma”, a Jaguar aplicou a primeira atualização de peso em 2021.

Para entender o que mudou, colocamos à prova a versão Black Edition e ainda impusemos uma missão bem objetiva: 750 km em um fim de semana, com ida e volta entre Lisboa e Covilhã, incluindo um trecho pela Serra da Estrela.

O que mudou?

No primeiro grande pacote de atualização, o Jaguar I-Pace ganhou uma grade dianteira redesenhada e rodas com novo desenho. Também passou a oferecer duas opções de teto: panorâmico fixo em vidro ou metálico.

Por dentro, as novidades mais visíveis ficam por conta da tela inferior da console central, da nova solução de iluminação ambiente e da nova função de detecção das mãos no volante.

Na parte traseira, os bancos passam a trazer de série o rebatimento na proporção 40:20:40.

A Jaguar aproveitou, ainda, para fortalecer a carga tecnológica do elétrico. A unidade testada vinha com o sistema Pivi Pro, que combina duas telas centrais (opcional) com uma terceira, do painel de instrumentos.

Mais rápido a carregar

Essa atualização também deixou o I-Pace mais ágil - mas na recarga. Agora, com uma wallbox de 11 kW, dá para recuperar 53 km de autonomia (ciclo WLTP) por hora e adicionar 127 km em 15 minutos em um carregador de 100 kW (corrente contínua).

Já que o assunto é recarga, vale registrar: este I-Pace traz de série um carregador de bordo de 11 kW. Porém, o cabo para carregamento doméstico é opcional e custa 269 euros.

Números de esportivo

O Jaguar I-Pace não é um esportivo, mas a ficha técnica faz a gente quase acreditar que sim. Basta olhar: 0 a 100 km/h em 4,8s e menos de 2s para ir de 40 km/h a 80 km/h.

Esses resultados são, naturalmente, “obra” do conjunto com dois motores elétricos - um em cada eixo, garantindo tração integral, e cada um com sua caixa redutora de relação fixa - que entrega potência combinada de 294 kW (400 cv) e 696 Nm de torque máximo.

Para alimentar tudo isso, há uma bateria de íons de lítio instalada no centro (entre os eixos e o mais baixo possível), com 90 kWh de capacidade máxima (a Jaguar não informa a capacidade útil).

Dinâmica continua a fazer inveja a alguns rivais

Se os números que este elétrico consegue “arrancar” já impressionam de cara, é o comportamento dinâmico que segue sendo o maior motivo para querer voltar a dirigi-lo.

Eu já tinha dito isso quando guiei o I-Pace pela primeira vez e repito agora: é o elétrico mais divertido de conduzir dentro do segmento.

A posição muito baixa da bateria contribui bastante, assim como a distribuição de massas, quase equilibrada, ajudada pela forma como os motores foram “arrumados”.

Ainda assim, é a competência do chassi, o acerto da suspensão e a capacidade de comunicação da direção que mais pesam para eu chegar a essa conclusão.

Mesmo com 2208 kg, este Jaguar I-Pace consegue ser ágil, prazeroso e muito rápido. As arrancadas com “pé embaixo” são notáveis. Não há outra maneira de dizer.

Ao dirigir, a gente esquece rápido o porte do carro. E, aqui, endosso integralmente o que o Fernando Gomes escreveu há três anos, no teste do I-Pace, quando o comparou a um… hatch esportivo.

O torque aparece muito bem distribuído, a direção mantém sempre o peso certo e as reações da carroceria são previsíveis o tempo todo. Somando tudo, a experiência fica envolvente e, acima de tudo, muito orgânica.

E quando a gente explora o potencial dinâmico deste elétrico, é ótimo contar com bancos de perfil esportivo, com bom apoio lateral, e com um volante de pega muito confortável.

Não se demite das tarefas familiares

É difícil não querer conduzir este I-Pace de um jeito mais efusivo. As acelerações viciam e, ao chegar nas curvas, ele sempre parece pedir mais. Mas, quando reduzimos o ritmo e deixamos o carro cumprir tarefas mais familiares, ele não se esquiva.

Como eu disse lá no começo deste teste, fiz a viagem Lisboa–Covilhã (e a volta) ao volante deste I-Pace, e ele mostrou estar em grande forma.

O trajeto foi feito com o porta-malas cheio e cinco pessoas a bordo e, ao chegar a Covilhã numa sexta-feira às 23h25, houve consenso: este elétrico britânico foi um excelente companheiro de viagem.

Confortável, muito espaçoso (na frente, mas principalmente no banco traseiro…) e refinado, o I-Pace é ótimo para estrada - e nem mesmo a autonomia chega a tirar dele esse rótulo.

Autonomia e consumos

Já que mencionei autonomia, vale dizer: a Jaguar declara 470 km no ciclo WLTP, além de consumo médio de 22 kWh/100 km.

Já estamos acostumados com o fato de que essas “previsões” quase sempre são um pouco otimistas - e, neste caso, foi exatamente isso que eu constatei.

Ao final dos 750 km ao volante do I-Pace, o consumo médio ficou em 24,6 kWh, e o melhor que consegui “extrair” de uma carga foram 366 km.

Não são números de referência, especialmente quando colocamos lado a lado com alguns rivais, mas também não dá para dizer que estejam totalmente fora da realidade.

Também é importante acrescentar que grande parte desses quilômetros foi feita em rodovia, quase sempre estabilizado a 120 km/h e com o ar-condicionado ligado.

No meio do caminho, ainda teve um “pulo” de Covilhã até o topo da Serra da Estrela, quase sempre aproveitando as estradas fantásticas com que aquela região do país nos presenteia.

É o carro certo para si?

O preço inicial de 88 832 euros já separa as “águas” logo de cara - este Jaguar I-Pace não cabe em qualquer bolso.

Mas, se dinheiro não for um problema e você estiver procurando um crossover elétrico premium, então este “Jag” aparece claramente como uma opção que merece entrar na lista.

Em linha reta, ele é rápido o bastante para nos “colar no banco”; em curva, não perde o equilíbrio e deixa a gente sair como um “foguete”; e, quando surge uma sequência mais exigente, chassi, suspensão e direção respondem de um jeito surpreendente.

Surpreendente para quem nunca o guiou - porque este segundo contato com o I-Pace só serviu para reforçar tudo o que eu já tinha sentido da primeira vez.

Ele é divertido, ágil e entrega sensações que lembram propostas mais esportivas. Por isso, se você gosta de carros (e, principalmente, de dirigir…), este é um elétrico que vale a pena experimentar.


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