Lançado em 2017 e atualizado em 2020, o Hyundai i30 viu a configuração mais forte do seu Diesel 1.6 CRDi “ceder” parcialmente à eletrificação.
A partir daí, o 1.6 CRDi passou a trabalhar junto de um sistema mild-hybrid de 48 V, com a promessa de reduzir o consumo de diesel e cortar algumas gramas de CO2.
A dúvida é simples: isso trouxe argumentos reais para o i30 continuar competitivo em um segmento que não para de se renovar? Hora de colocar o hatch à prova.
“Vitamina N” ajuda a chamar atenção
O Hyundai i30 avaliado veio no pacote de acabamento N Line - e, na prática, é um desses casos em que a versão realmente muda o carro.
O visual fica bem mais esportivo e atraente (graças à grade exclusiva e aos para-choques específicos), o que ajuda o i30 a se destacar mais no meio do trânsito.
Por dentro, o grande trunfo desse nível de equipamento são os bancos dianteiros esportivos, que entregam um bom conforto junto de um excelente apoio lateral.
No restante, a montagem passa uma sensação de solidez, a ergonomia é bem resolvida e o desenho ainda parece atual. Em contrapartida, o excesso de tons escuros deixa a cabine com um ar um pouco pesado, em um ambiente onde os materiais são, em sua maioria, rígidos.
Em espaço, sem ser referência, o i30 leva quatro adultos com conforto.
O porta-malas, com 395 l, é um pouco melhor do que o de muitos rivais, mas ainda fica longe dos 440 l do Fiat Tipo ou dos 467 l do Skoda Scala - duas opções mais voltadas às “missões familiares”.
Eletrificar para quê?
No acabamento N Line, o Hyundai i30 aparece apenas com as motorizações mais fortes: o 1.5 T-GDi a gasolina, com 160 cv, ou o 1.6 CRDi Diesel, com 136 cv, que foi o testado.
Combinado ao câmbio automático de dupla embreagem e sete marchas (também existe com câmbio manual inteligente de seis marchas, o iMT), o 1.6 CRDi ainda frio não disfarça que é Diesel: entrega o tradicional “tec-tec” característico, que vai ficando mais discreto conforme o motor aquece.
Em movimento, o destaque vai para a boa disponibilidade já em baixa rotação e para a harmonia com o câmbio automático, que ajuda a aproveitar bem os 136 cv e os 320 Nm de torque.
Nas ultrapassagens, a transmissão se mostrou rápida o suficiente nas respostas ao pé direito e nas reduções, mas o seu maior mérito acaba sendo a suavidade com que trabalha.
Já a sexta e a sétima marchas são especialmente longas, justamente para baixar o consumo quando seguimos em “velocidade de cruzeiro”.
Os efeitos do sistema mild-hybrid até podem aparecer um pouco no consumo urbano, mas nem sempre. Um exemplo é o start-stop - um dos principais beneficiados pela adoção do mild-hybrid - que, em algumas situações, “esquece” de desligar o carro, mesmo em paradas mais demoradas.
No fim, o consumo do Hyundai i30 serve para lembrar por que, até pouco tempo atrás, os Diesel eram a escolha de muita gente.
Quando devolvi o i30, o computador de bordo indicava média de 5 l/100 km. Em alguns trajetos, com condução mais tranquila, chegou a marcar 4,6 l/100 km; e mesmo quando forcei o ritmo, as médias ficaram em 6,9 l/100 km.
E já que o assunto é “forçar” o i30, vale dizer: mesmo nessa configuração com motor Diesel, a opção sul-coreana segue impressionando na dinâmica. A direção é precisa e direta, a suspensão encontra um bom meio-termo entre conforto e comportamento, e o chassi dá aquela vontade de procurar sempre a estrada mais sinuosa.
Tanto que, nesse aspecto, o modelo da Hyundai continua sendo um dos mais agradáveis de dirigir no segmento.
A pena é que os pneus de perfil baixo montados nas rodas especiais de 17” geram bastante ruído na cabine - algo que fica ainda mais evidente quando rodamos em rodovia.
É o carro certo para você?
Mesmo que de forma tímida, a eletrificação está chegando “a todo canto”, e nem os Diesel ficam de fora. No Hyundai i30 1.6 CRDi, o sistema mild-hybrid de 48 V realmente ajudou a melhorar um consumo que, por si só, já era bem bom.
Ainda que não tenha o apelo tecnológico de rivais mais novos, o i30 segue conseguindo conquistar tanto pela razão quanto pela emoção.
De um lado, é econômico, suficientemente discreto, e os sete anos de garantia trazem uma boa dose de tranquilidade; do outro, há um comportamento dinâmico que continua entre os melhores do segmento.
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