A popularidade dos elétricos com extensor de autonomia (EREV) vem crescendo rapidamente na Europa, com várias montadoras - chinesas e europeias - apostando nessa solução como alternativa aos elétricos tradicionais.
Zeekr avalia vender modelos EREV na Europa
Por enquanto, a Zeekr ainda comercializa apenas modelos 100% elétricos no mercado europeu. Mesmo assim, a marca chinesa estuda passar a oferecer também veículos EREV por aqui. Na China, essa estratégia já está em prática e tem rendido bons resultados com os Zeekr 8X e 9X.
De acordo com a empresa, a ideia ganhou ainda mais força depois da reação positiva dos parceiros europeus aos dois modelos durante o Salão de Pequim. “Todo mundo nos disse que precisamos desses modelos na Europa”, afirmou o diretor-executivo europeu da Zeekr, Lothar Schupert, à Automotive News Europe.
Nada foi confirmado até agora, mas Schupert sinaliza que uma definição está próxima: “nos próximos um ou dois meses. Queremos tomar essa decisão rapidamente.”
Mais autonomia e mais potência
Os dados do 8X e do 9X ajudam a explicar o entusiasmo. Os dois prometem autonomia combinada de até 1200 km e potência que pode chegar a 1400 cv. Rodando apenas no modo elétrico, o 8X é capaz de percorrer até 410 km, conforme o ciclo CLTC - mais favorável do que o europeu WLTP.
Para atingir esses números, ambos usam uma arquitetura EREV: o veículo traz um motor elétrico e outro a combustão, mas o motor a combustão atua exclusivamente como gerador para recarregar a bateria. Em qualquer situação, quem efetivamente move o carro é o motor elétrico.
Segundo a Zeekr, o resultado é a junção da sensação de dirigir um elétrico com uma autonomia semelhante à de um automóvel com motor a combustão.
“É um carro que se pode conduzir sempre no modo elétrico, porque o motor a combustão está constantemente a carregar a bateria”, resumiu Schupert. Na visão do executivo, trata-se de “uma boa oportunidade de transição para os clientes que ainda estão preocupados com a autonomia e carregamento”.
Forma de fugir às tarifas?
À primeira vista, poderia parecer que levar um motor a combustão a bordo ajudaria a Zeekr a contornar as tarifas aduaneiras aplicadas aos elétricos chineses. Porém, não é assim: os EREV entram nas mesmas regras dos elétricos, com taxas que podem chegar a 45,3% - e, no caso específico da Zeekr, a tarifa atual para os quatro modelos já vendidos na Europa é de 28,8%.
Custos e viabilidade, segundo a McKinsey
O preço da própria tecnologia também gera questionamentos. A Mercedes-Benz, por exemplo, já abandonou o desenvolvimento desse tipo de sistema após concluir que, no longo prazo, os ganhos não justificavam o investimento. Em contrapartida, marcas como Ford e Renault seguem tratando a tecnologia como algo “transformador”.
Segundo a consultoria McKinsey, como esses sistemas podem usar baterias menores, o custo de produção do conjunto propulsor pode cair em até 6 mil dólares na comparação com um elétrico convencional.
Ainda assim, existe uma janela limitada para transformar essa aposta em algo rentável. Para a McKinsey, as montadoras têm pouco espaço de manobra na União Europeia para tornar a tecnologia lucrativa: de acordo com as contas da consultoria, só faz sentido avançar se forem vendidos, no mínimo, 1 milhão de veículos com esse tipo de sistema.
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