Especificações do Nettuno no MC20
Nettuno é como a Maserati batizou o seu novo 3.0 V6 biturbo. O motor foi apresentado recentemente e será o coração do próximo superesportivo da marca italiana, o MC20 - e a ideia é que ele não se limite a esse modelo.
Os dados divulgados para o conjunto a combustão são animadores: 630 cv às 7500 rpm e 730 Nm a partir das 3000 rpm. Como a Maserati já sinalizou que o MC20 também terá versão híbrida, a expectativa é que esses números ainda aumentem com o apoio da máquina elétrica, quando o modelo for revelado em setembro próximo.
Ainda que a Maserati descreva o Nettuno como um motor 100% Maserati - e vamos assumir que isso significa um projeto desenvolvido de “fio a pavio” dentro da marca -, quando olhamos com atenção, o panorama parece bem diferente.
Bem-vindo à família
Na prática, o Nettuno tem o mesmo ponto de partida do 690T, o V6 do Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio: ambos derivam do F154, o V8 da Ferrari que equipa uma série de modelos, do novo Roma ao SF90 Stradale.
Arquitetura em comum com o F154
Por isso, não chega a ser surpresa quando “descobrimos” que todos compartilham o ângulo de 90º entre as duas bancadas de cilindros. E, no caso do Nettuno, o diâmetro e o curso também batem ao milímetro com os do V8 do SF90 Stradale: 88 mm e 82 mm, respectivamente.
O que o Nettuno tem de exclusivo
Sim, o Nettuno traz soluções próprias que não aparecem nos outros, sobretudo na sua cabeça exclusiva, que passa a incorporar o sistema de pré-câmara de combustão, além de duas velas por cilindro. Isso ajuda a explicar a taxa de compressão de 11:1 - um número relativamente alto para um motor turbo - e que só é atingida pelo V6 da Maserati.
Só que, conforme nos aprofundamos no V6 da Maserati, mais ele evidencia a ligação direta com o F154 do SF90 Stradale e também com o 690T dos Quadrifoglio. O limite máximo de giros, 8000 rpm, é o mesmo do SF90 Stradale, enquanto a ordem de ignição, 1-6-3-4-2-5, coincide com a usada nos Quadrifoglio.
E, ao comparar imagens do bloco do Nettuno com as do F154, a relação entre os dois salta aos olhos, com soluções semelhantes e a mesma disposição de diversos componentes.
Incomoda que o Nettuno não seja, afinal, um motor 100% Maserati?
De forma alguma: a base não poderia vir de uma casa melhor - e até o desenvolvimento deixa transparecer a influência de Maranello, ainda que de maneira indireta.
Dá para rastrear o projeto do Nettuno até uma patente de 2018 ligada à tecnologia de pré-câmara de combustão. Entre os nomes por trás desse registro estão Fabio Bedogni, que trabalha na Ferrari desde 2009 com desenvolvimento de motores, e Giancula Pivetti, também engenheiro ex-Ferrari, que hoje lidera o desenvolvimento de motores a gasolina na… Maserati.
No fim, o que importa é que estamos diante de um motor com tudo para ser tão bom quanto os seus “irmãos”.
Fonte: Road and Track.
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