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Teste do Ford Fiesta ST150 - Top Gear, 2005

Carro azul Ford Fiesta ST150 estacionado em salão de exposições com piso branco.

Este teste foi publicado originalmente na edição 136 da revista Top Gear (2005).

Nem sempre o que manda é o número no papel - muitas vezes é o jeito como o carro entrega o que tem. É exatamente nessa aposta que a Ford quer que a gente entre com o lançamento do Fiesta ST150. O time do Henry não é bobo: eles sabem que, por ser o Fiesta mais apimentado da linha, a comparação na vitrine vai cair direto em RenaultSport Clio e Mini Cooper S. Tudo bem se eles aparecem com 182 e 170 bhp e o Fiesta “só” com 150. A ideia é que o ST150 faça esses 150 renderem, entende?

Visualmente, ele convence. Fiesta costuma passar uma impressão meio sem graça, mas este três-portas finalmente melhora o jogo, com a dose certa de aerofólio, saias e faróis de neblina. Calçado com rodas de 17" e P Zero 205/40, mais parrudo por causa dos para-choques maiores, ele enfim tem a postura certa e aquele ar “usinadinho” de que o Chris Bird falava desde o começo. Puxa mais para uma vibe de design de produto do que de “estilo automotivo” - ainda mais no branco Apple Mac. Esqueça o hot hatch: aqui é o iHatch.

Hora de me declarar. Tenho histórico com esse tipo de carro - e adoro. Dez anos atrás, tive uma sequência de Peugeot 106 nervosinhos, incluindo o absurdo do Rallye. E algumas das minhas melhores voltas dos últimos anos foram em Mini Cooper. Hatch pequeno e esquentado pede para ser moído. Você encaixa o corpo nesses “sapatos-caixa”, senta alto no volante e se joga na estrada. Eles são pura ousadia. E cabem no bolso.

Para manter o preço sob controle, o ST150 usa um motor “de linha”, mas como ele também empurra o Mazda6 2.0 e o Mondeo, dá para imaginar o que apronta num Fiesta. Aliás, deu trabalho enfiar esse dois-litros ali. E não é um simples transplante: rolaram pequenas mudanças para dar mais vontade - com o preço de uma marcha lenta menos lisa. Sinceramente, tanto faz. Um escapamento mais generoso solta alguns cavalos extras e ainda entrega aquele barulho saudável de hot hatch. Ele usa o câmbio normal do Fiesta, mas com alavanca mais curta, então o engate fica mais seco e “clicado”; as relações foram encurtadas e algumas engrenagens ganharam reforço.

O resultado é um puxão bom e urgente, com uma boa dose daquele torque que coloca um Cooper supercharged para andar. Não é um motor obcecado por giro, mas você nunca sente que levou menos do que deveria: tem sobra para ultrapassagens e um empurrão de verdade saindo das curvas. A Ford divulga 0–60 mph em vez do mais comum 0–62, então ele passa raspando dos oito segundos.

E o chassi dá conta com folga. Para começar, gruda como um condenado. Molas, amortecedores e barras estabilizadoras ficaram mais rígidos em todo o conjunto. A ideia básica é fazer a dianteira apontar mais rápido, mesmo com um pedaço extra de motor pendurado ali, então entrou uma caixa de direção mais rápida. Atrás, há mais resistência à rolagem, o que deixa você brincar com o carro no acelerador. Funciona muito bem - como em tantos Fords, parece que ele está subesterçando, mas quanto mais você puxa o volante, mais aderência aparece na frente. É um terrierzinho.

Aí vêm os freios: maiores em todos os cantos, e com discos também atrás - a primeira vez num Fiesta. E não é só ótimo para parar agora; também vai cair como uma luva para a turma que, daqui a alguns anos, vai querer “enfeitar” seus STs. Rodão com muitos raios sobre tambor traseiro pintado de verde é… um visual bem triste.

E mesmo assim, mesmo assim… eu acho que ele poderia ser mais urgente. Tem um tiquinho de maciez na direção e no acelerador. Isso facilita a vida, faz o carro parecer mais um Golf GTI. Mas será que era esse o ponto aqui?

Dito isso, existe muita “malandragem” nesse Fiesta e, como eu estava me divertindo, acabei passando mal no Barry, o fotógrafo. Foi mal, Barry. Ainda assim, rodando de boa aparece outra qualidade do ST: ele é bem civilizado e, com certeza, não passa a sensação de estar duas categorias abaixo de um Golf GTI. O ruído de vento é baixo, a suspensão costuma ser silenciosa e, se você dirigir explorando o torque, o motor não vai acordar os mortos. Em muitos Fiestas a cabine é econômica e sem graça, mas os bancos grandes e curvados e um pouco mais de acabamento brilhante dão uma melhorada aqui, então deixa de ser um problema.

Mas é olhando para fora - e curtindo o tranco de manter o pé em uma estrada boa - que você pega o espírito do carro. O ST extrai o máximo de tudo o que tem.

Verdict: Um brinquedo rápido e divertido para estrada sinuosa, graças ao chassi ótimo e ao motor cheio de torque. Mas aquelas listras… bregas!

2.0-litre 4cyl
150bhp, 140lb ft
FWD
0-60mph in 7.9secs, 129mph
1,137kg
£13,595

Words: Paul Horrell

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