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Embraer E195-E2 da Porter Airlines chama atenção no Santos Dumont

Avião da Porter no aeroporto do Rio de Janeiro com duas pessoas em uniforme conversando na pista.

Um jato recém-saído de fábrica da Embraer foi observado pousando no Aeroporto Santos Dumont nos últimos dois dias, chamando atenção principalmente pela pintura da aeronave.

Voos do Embraer E195-E2 no Aeroporto Santos Dumont

O E195-E2 em questão utiliza a matrícula provisória PR-ETH e será incorporado à frota da Porter Airlines, onde deverá receber o número 955 - embora a matrícula definitiva ainda não tenha sido definida. Na quinta-feira (04) e nesta sexta, 5 de junho, o avião cumpriu quatro etapas entre São José dos Campos (SP) e o Aeroporto Santos Dumont (RJ).

Durante essas operações, foram executadas aproximações tanto para a cabeceira 02R, a mais próxima do Pão de Açúcar, quanto para a 20L, mais próxima da Ponte Rio–Niterói. O que chamou a atenção foi a ausência de um “padrão” claro no tipo de chegada e também na saída após a decolagem: em um dos voos, o E195-E2 realizou um procedimento entrando pela Baía de Guanabara para pousar na 02R; em outro, chegou passando nas proximidades do Cristo Redentor e sobre áreas de Botafogo e Flamengo. Nas aproximações para a 20L ocorreu algo semelhante: em um caso foi seguido o procedimento que passa pela Ilha do Fundão, enquanto em outro a chegada se deu por Niterói.

Fonia, tripulação mista e o indicativo “Embraer 200”

Em gravação da câmera ao vivo do canal Aviation TV, é possível ouvir comunicações em português brasileiro e em inglês americano. Esse detalhe sugeriu a presença de uma tripulação mista - Embraer e Porter -, o que depois foi confirmado ao AEROIN por pessoas próximas da companhia canadense.

Apesar disso, o indicativo usado era o mesmo em todos os voos: “Embraer 200”, sinalizando que se tratava de uma operação antes da entrega oficial. Em entregas anteriores da Porter, não havia registro de voos para aeroportos além do próprio de São José dos Campos.

Por que o Santos Dumont pode servir de referência para o Aeroporto Bishop (Toronto)

As fontes consultadas não conseguiram confirmar qual foi o objetivo exato dos voos, mas também não descartaram uma hipótese considerada forte: teste ou treinamento visando possíveis operações no Aeroporto Billy Bishop, em Toronto.

O Bishop sempre foi a principal base da Porter e está em uma área central da cidade, perto da icônica CN Tower. Embora seja um aeroporto internacional e alfandegado, a infraestrutura limita o tipo de aeronave que pode operar ali: a pista tem apenas 1.219 metros e fica em uma pequena ilha natural no Lago Ontário, com acesso feito exclusivamente por balsas.

A Porter, inclusive, chegou a encomendar o Airbus A220 - na época, Bombardier CSeries - para operar no Bishop. No entanto, a vizinhança teve força política suficiente para impedir a operação de jatos, mesmo com a constatação de que esses modelos gerariam menos ruído (em decibéis) do que os atuais turboélices Q400 (Dash 8).

Diante desse cenário, a compra dos jatos da Embraer foi direcionada para operações a partir do Aeroporto Pearson. Ainda assim, o contexto pode ter mudado, especialmente diante dos planos de privatização dos aeroportos canadenses já mencionados pelo governo do país.

O Santos Dumont, hoje, apresenta características bastante próximas às do Bishop: pista de 1.323 metros e elevação praticamente ao nível do mar. Além disso, ambos operam sem área de escape e adotam perfis específicos de aproximação, pensados para reduzir o sobrevoo de áreas urbanas e contornar obstáculos impostos pela metrópole.

Mesmo com essa coincidência operacional, a possibilidade de jatos no Bishop ainda é tratada com bastante ceticismo por pilotos canadenses e até por usuários que, em tese, seriam favorecidos por essa mudança. Também existe a chance de que os voos tenham servido para preparar operações em algum aeroporto na América do Norte ou no Caribe com pista restrita e que atualmente não receba jatos E2 - ou de porte semelhante. Ainda assim, não é possível indicar hoje um aeroporto que reúna, ao mesmo tempo, demanda que justifique a operação e ausência de atendimento por algum jato de tamanho parecido.

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